A Seleção do italiano Carlo Ancelotti, que ainda não trocou alianças com a ilusão dos brasileiros, viveu, no entanto, uma alegria de noite de bodas: meteu três e conquistou seu primeiro triunfo na Copa. Mas foi a pior vitória da história sobre o Haiti, que está mais para “Ai de Ti” do que para rival mundialista (não à toa é o primeiro eliminado da Copa).
As vitórias do Brasil contra o Haiti
- 1974 – Brasil 4×0 Haiti (Zagallo)
- 2004 – Brasil 6×0 Haiti (Parreira)
- 2016 – Brasil 7×1 Haiti (Dunga)
- 2026 – Brasil 3×0 Haiti (Ancelotti)
No primeiro tempo, enquanto o Haiti ainda lambia as feridas da derrota anterior para a Escócia, o Brasil aproveitou as vantagens caribenhas e construiu o 3 a 0. Matheus Cunha apareceu duas vezes no placar, demonstrando que é mais do que Igor Thiago, enquanto o terceiro gol surgiu nos melhores minutos de Vinícius Júnior.
Parecia que viria uma goleada. Que o “Ai de ti” era tão fraco quanto sugeria sua posição no ranking da FIFA. Afinal, segundo a última atualização, publicada em 11 de junho, dia da abertura do Mundial, o Haiti é uma das três piores seleções presentes na Copa:
- 82º Haiti
- 83º Curaçao
- 85º Nova Zelândia
Assim e tudo, não houve goleada. E o 3×0 ficou curto para quem deseja ser primeiro do Grupo (há benefícios até logísticos). Colocando tudo na balança, então, não há muitos motivos para comemorar. Há apenas esperança para continuar. Talvez melhorando; talvez nem tanto.
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Pode parecer um pensamento pessimista, mas o segundo tempo foi o pior do Brasil em suas últimas apresentações. Normalmente, a equipe melhorava na etapa final aquilo que havia estragado na primeira. Desta vez, ocorreu o contrário. No segundo período, o Haiti não deitou e rolou porque não tem qualidade para isso, mas, ainda assim, foi melhor do que o Brasil de Ancelotti. Foram preocupantes os 45 minutos finais.
De fato, o Haiti, finalizou mais vezes do que a Seleção Brasileira. E, com um único jogador de bom pé, Bellegarde, incomodou. Se não deu baile, ao menos ensaiou alguns passos de dança, até que seu camisa 10 cansou e foi substituído.
Existem poucos motivos reais para comemoração: um é que, após seis partidas consecutivas sofrendo gols – mico que não acontecia desde 2019 – a meta de Alisson permaneceu invicta. Não é grande coisa, considerando o adversário, porém é melhor do que nada. Também merece registro positivo o fato de Carleto Ancelotti ter colocado Endrick-New-Balance em campo na última meia hora.
A promessa de 19 anos teve uma única oportunidade de gol e… marcou! Não valeu. O assistente assinalou corretamente o impedimento. Mas ele, Endrick, valeu.
A pior notícia da noite de Philadelphia é a lesão de Raphinha, ainda cercada de incertezas. Hoje, ao lado de Vinícius Júnior, ele é um dos poucos jogadores capazes de ganhar partidas praticamente sozinho. Tomara que volte logo Neymar, Brasil precisa dele. O povo festejou e Ancelotti sorriu, mas ainda é cedo para comemorar. A noite de bodas quase sempre é boa. O problema é que ela não garante um casamento eterno feliz.
