Andre Agassi sempre foi conhecido por sua rebeldia e genialidade dentro das quadras, mas, em sua maturidade, o americano se tornou uma das vozes mais potentes sobre o lado invisível do sucesso. Convidado de honra da 12ª edição do Rio Open, o ex-número 1 do mundo aproveitou sua passagem pelo Jockey Club para abordar um tema que, em sua época, era tratado sob sete chaves: a saúde mental no esporte de alto rendimento.
Agassi, que em sua biografia “Open” revelou ter odiado o tênis em diversos momentos da vida devido à pressão externa, vê com otimismo a mudança de postura da nova geração, citando exemplos como Naomi Osaka e Nick Kyrgios. Para o americano, o reconhecimento de que atletas são seres humanos antes de serem “máquinas de entretenimento” é fundamental para a longevidade das carreiras.
“Já não é mais tabu falar sobre suas próprias dificuldades. E as redes sociais podem ser uma aliada. Você tem uma plataforma para comunicar isso, se identificar e se conectar com pessoas que entendem o que você está passando. Pode ser uma ferramenta, embora também possa ser perigosa. Acho saudável que as pessoas estejam mais livres para falar sobre isso. O que não é exposto não pode ser curado“, disse Agassi durante entrevista coletiva.
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Agassi no Rio de Janeiro
A presença de Agassi no Rio de Janeiro vai além da entrega do troféu. Ele tem inspirado jovens como João Fonseca a entenderem que o processo é tão importante quanto o resultado. Ao ser questionado sobre o conselho que daria aos novos talentos brasileiros, ele foi enfático: “Cuide da sua cabeça primeiro. Se o seu interior estiver em conflito, nenhum título no mundo trará paz. O tênis é o que você faz, não quem você é“.
“Estive revisitando muitos artigos e arquivos da época em que eu era adolescente, e era cruel. Vi muitas imagens antigas minhas em que um jornalista perguntava na televisão: ‘Você se sente um perdedor? Um fracasso? Um subestimado na sua carreira?’ Era muito duro. E ainda era tão jovem. E há tantos jovens hoje também… Hoje as pessoas entendem um pouco mais sua responsabilidade“, completou o ex-tenista.
