“Sai da frente que a Rayssa tá indo”. A frase, dita entre risos ao falar da tão sonhada CNH e do desejo de dirigir o próprio carro, resume bem o momento vivido por Rayssa Leal. Aos 18 anos recém-completados, a skatista não está apenas acelerando rumo à vida adulta, ela segue imprimindo velocidade em uma trajetória que já é histórica no esporte brasileiro.
A tetracampeã do Super Crown e duas vezes medalhista olímpica desembarcou em São Paulo para protagonizar um novo capítulo fora das pistas: a capa da Rolling Stone Brasil. Mas, como ela mesma deixa claro, pouca coisa muda quando se construiu maturidade muito antes da maioridade.
“Estava ansiosa só para completar mesmo [os 18 anos] e poder tirar minha CNH. Não mudou muita coisa. Não mudou nada”, contou. A responsabilidade, segundo ela, sempre esteve ali. Desde os seis anos, quando um vídeo viral a apresentou ao país, Rayssa aprendeu a lidar com pressão, expectativa e decisões grandes demais para alguém tão nova. Em entrevista à Rolling Stone Brasil e ao SportBuzz, a skatista abriu o coração.
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Rayssa Leal: sem tirar os pés da essência
Se dirigir o próprio carro simboliza autonomia, sentar no chão para conceder entrevista reforça quem ela é. Foi ali, próxima do solo que a consagrou, que Rayssa falou sobre fase, medo e paixão renovada pelo skate.
Hoje, a multicampeã vive um momento diferente da carreira: menos obcecada por pódios e cada vez mais conectada à rua. “Hoje em dia eu tô obcecada em andar de skate na rua. Virou fácil uma das coisas que eu mais gosto de fazer”, revelou. O sentimento, segundo ela, remete à essência do esporte: sessões com amigos, troca de ideias e evolução coletiva.
Essa mentalidade ficou evidente no último Super Crown, disputado no Parque Ibirapuera. Mesmo acostumada a vencer, Rayssa Leal admitiu algo raro para quem já conquistou tudo tão cedo: medo.
“Dá medo demais, moço. Eu sei tudo o que preciso jogar, mas só faço na hora”, confessou ao relembrar a disputa direta com Chloe Covell. A rivalidade, porém, não diminui o respeito. No skate, uma puxa a outra, e o nível sobe junto. Na etapa da SLS em Sydney, a brasileira apoiou a australiana em um momento difícil, mostrando que a rivalidade não existe.
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Ouro, legado e leveza
Se no passado Rayssa competia “só para se divertir”, hoje ela tem metas claras. A principal delas? O ouro olímpico nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Vale lembrar que a skatista já tem uma medalha de prata e uma de bronze.
“A Rayssa Leal é a skatista top, e a Jhúlia Mendes é a estudante que não é mais estudante. Cumpri a missão. Falta só o ouro”, afirmou, mostrando que as duas versões, a fenômeno global e a jovem maranhense, caminham juntas.
Mas o legado vai além das medalhas. Ela quer seguir andando até o próprio limite, produzir vídeo parts, fortalecer o skate de rua e criar projetos próprios para ajudar meninas que sonham em trilhar o mesmo caminho. Inspiração não falta. Basta lembrar de Tony Hawk, citado por ela como prova de que idade não é uma barreira.
No fim das contas, a frase sobre a CNH vai além da brincadeira. Rayssa Leal sempre esteve alguns metros à frente do tempo. Cresceu sob holofotes, venceu gigantes, colocou Imperatriz no mapa mundial do skate e transformou a própria história e a da família. Agora, aos 18, não há ruptura. Há continuidade.
Com mais autonomia, mais voz e o mesmo sorriso leve de sempre, Rayssa Leal segue fazendo o que poucos conseguem: manter os pés no chão enquanto continua voando. E se depender dela, é bom abrir espaço. Porque a Rayssa tá indo. Nesta semana, você poderá acompanhar mais detalhes da entrevista exclusiva da nossa maior joia do skate ao SportBuzz e à Rolling Stone Brasil.
