O clima de festa no surfe mundial deu lugar à indignação. Nas últimas 24 horas, nomes de peso do Circuito Mundial (WSL) usaram suas vozes para expressar revolta contra a Federação Internacional de Surfe (ISA). O motivo é a nova diretriz de classificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, que reduz significativamente o peso da elite mundial na definição das vagas olímpicas.
A nova regra estabelece que apenas os cinco primeiros colocados do ranking da WSL (limitado a um atleta por país) garantirão vaga direta via circuito profissional. Para os atletas, a mudança ignora a regularidade de uma temporada inteira e prioriza eventos pontuais da ISA, sujeitos a condições de mar variáveis e critérios distintos.
O posicionamento mais contundente veio do atual campeão mundial e um dos grandes nomes da “Brazilian Storm”, Yago Dora. O surfista não poupou críticas à falta de diálogo da entidade.
“As pessoas não estão entendendo que isso não é WSL contra ISA. É a ISA impondo um sistema de classificação injusto para os melhores surfistas de competição do mundo. A WSL sempre foi a plataforma do melhor surfe competitivo, e essa decisão afeta muito mais nós, surfistas, do que a própria liga. Não é à toa que praticamente todos os melhores do mundo estão contra. Os Jogos Olímpicos só perdem com isso“, escreveu Yago.
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O racha entre ISA e atletas
A revolta não é exclusividade dos brasileiros. Surfistas estrangeiros também apontam que o novo modelo pode excluir grandes estrelas do evento em Los Angeles, transformando a corrida olímpica em uma “loteria” baseada em campeonatos de tiro curto.
A ISA, por sua vez, defende que a mudança visa “democratizar” o acesso e fortalecer as federações nacionais. No entanto, para os competidores, a medida soa como uma queda de braço política. Curiosamente, a Confederação Brasileira de Surf (Surf Brasil) havia sinalizado apoio à proposta em discussões preliminares, o que aumentou o mal-estar entre os atletas da elite e a federação nacional.
Com a pressão pública dos atletas aumentando, espera-se que a WSL e a ISA se reúnam nas próximas semanas para tentar aparar as arestas, sob o risco de uma boicote ou um racha ainda maior no esporte às vésperas de um ciclo olímpico crucial.
