Poucos atletas conseguem equilibrar a rotina de treinador de alto rendimento com a preparação para uma das competições mais importantes do jiu-jítsu mundial. É esse cenário que acompanha Raoni Tavares, head coach da CM System, que disputa o Curitiba BJJ Pro, nos dias 4 e 5 de julho, de olho no Mundial Master da IBJJF, em setembro, em Las Vegas, EUA.
A participação em torneios nacionais faz parte de uma rotina construída para manter o ritmo competitivo. Entre compromissos profissionais, aulas e a vida familiar, Raoni divide o dia entre a preparação física e os treinos técnicos.
“Competições como o Curitiba BJJ Pro são importantes porque ajudam a testar o que venho treinando e a manter o ritmo forte. No alto nível, se você não estiver competindo e treinando forte o tempo todo, acaba ficando para trás”, afirma.
O Mundial Master representa um objetivo antigo. A busca por um lugar no pódio acompanha o atleta desde os primeiros anos no tatame, quando iniciou sua trajetória sob orientação de Cristiano Marcello, fundador da CM System e responsável por graduar nomes como Wanderlei Silva e Maurício Shogun à faixa-preta.
“Desde garoto eu sonhava em conquistar um pódio desse nível. Poder voltar a disputar grandes títulos e ter o Mundial Master de Las Vegas como objetivo é a realização de um sonho”, diz.
A história de Raoni dentro da equipe tem um capítulo particular. Ele foi o primeiro atleta graduado da faixa branca à preta por Cristiano Marcello, com quem começou a treinar aos 14 anos. Mais de duas décadas depois, a relação permanece presente em sua rotina de preparação.
“Cristiano é como um pai para mim até hoje. Grande parte do que sou dentro e fora dos tatames vem dessa convivência.”
Além da carreira como competidor, Raoni construiu uma trajetória voltada ao ensino do jiu-jítsu. Ao longo dos anos, ministrou aulas na Europa e nos Emirados Árabes Unidos, experiências que ampliaram sua visão sobre o esporte e contribuíram para sua formação como professor.
“Tive a oportunidade de conviver com pessoas de diferentes culturas e formas de pensar. Cada aula que dou sinto que não estou apenas ensinando, mas também aprendendo com meus alunos.”
Atualmente, ele atua como head coach de jiu-jítsu na CM System, participando diretamente da formação de atletas que competem em alguns dos principais eventos de lutas do mundo. A experiência acumulada fora das áreas de competição influenciou sua maneira de encarar os desafios como atleta.
A trajetória como professor começou ainda em 2008, quando Raoni era faixa-roxa e assumiu as primeiras turmas na CM System sob supervisão de Cristiano Marcello. Após um período de intercâmbio na Irlanda, onde também ministrou aulas, retornou ao Brasil no fim de 2013, ano em que recebeu a faixa-preta e passou a se dedicar exclusivamente ao ensino do jiu-jítsu. Ao longo desse período, participou da formação de atletas que alcançaram destaque em grandes eventos de MMA, entre eles o peso pesado do UFC Vitor Petrino, o ex-UFC Elizeu Capoeira, o vice-campeão do PFL Matheus Scheffel e Rafael Miniman, um dos principais nomes da categoria até 61 kg no país.
“Comecei a dar aulas na CM System em 2008, quando ainda era faixa-roxa. Eu já tinha minha própria turma, sempre com a supervisão do Cristiano. Depois do intercâmbio na Irlanda, voltei ao Brasil, conquistei a faixa-preta e passei a me dedicar integralmente às aulas. É gratificante olhar para trás e ver atletas como Elizeu Zaleski, Matheus Scheffel, Vitor Petrino e Rafael Miniman fazendo ou construindo grandes carreiras. De alguma forma, pude contribuir para a formação deles.”
Na faixa-preta, Raoni priorizou a carreira de professor e treinador, reduzindo a frequência em torneios. Entre os principais resultados do período estão vitórias por finalização em lutas casadas realizadas nos eventos AFT, em 2014, e MFC, em 2023.
Agora, a atenção está voltada para a preparação rumo a Las Vegas. Sem a mesma cobrança dos tempos de juventude, o atleta afirma que busca aproveitar cada etapa do processo até o Mundial.
“Hoje eu não me cobro tanto pelos resultados como quando era mais novo. Claro que quero vencer, mas valorizo muito a experiência de estar competindo e poder participar de um evento do tamanho do Mundial. Vou para Las Vegas para dar o meu melhor.”
