Aos 17 anos e 259 dias, Gilberto Mora não só despertou atenção mundial com a titularidade na seleção mexicana, como já ostenta o status de “novo Pedri”. O rótulo não nasceu só da idade ou da empolgação após a vitória por 2 a 0 sobre o Equador, que carimbou o México nas oitavas da Copa do Mundo, mas especialmente pelo seu estilo de jogo. Além disso, o meia envolve um pacote tão raro, que clubes como o Barcelona já o monitoram.
A atuação diante dos equatorianos consolidou o garoto do Tijuana como uma das sensações do torneio, uma das principais latinas, e o consagrou como o segundo titular mais jovem das Copas, atrás apenas de Pelé. Na mesma noite em que fez jus o apelido de “Pedri mexicano”, o jogador foi peça central de um jogo que misturou maturidade com ousadia.
O desempenho, aliás, ajudou a dissipar dúvidas sobre se a joia estava pronta para um Mundial jogado em casa.

Por que o “novo Pedri” virou assunto fora do México?
O apelido pegou porque a comparação não se apoia só em hype, e sim em traços de jogo que lembram o meia do Barcelona. Mora tem 1,68m, porte discreto e não se impõe pela arrancada longa nem pela força física. O diferencial está na forma de pensar o jogo: antecipa passes, enxerga linhas de passe antes de a bola chegar e organiza o time com uma calma pouco comum para alguém que sequer completou 18 anos.
Desde a estreia do México na Copa, contra a África do Sul, o meia já deixava lampejos desse perfil. Entrou no segundo tempo, pediu bola, se posicionou entre linhas e deu a sensação de que sabia exatamente onde acelerar ou segurar a jogada. Diante do Equador, esses lampejos se transformaram em atuação digna de protagonismo, justamente no duelo que valia vaga nas oitavas de final e lotou o Azteca.
Gilberto Mora e o estilo de Pedri
Na vitória sobre o Equador, Javier Aguirre escalou o garoto na vaga de Gutiérrez, aproximando o camisa de criação de Raúl Jiménez e abrindo o campo para que ele se deslocasse do meio para a ponta direita. Nesse desenho, o meia viveu uma noite em que tudo passava por seus pés. Em tabelas curtas com Piojo Alvarado e Quiñones, apareceu por dentro, buscou o corredor, se ofereceu sempre como opção limpa de passe e ainda arriscou um chute colocado que quase virou gol de placa.
O encaixe com o trio ofensivo expôs as principais semelhanças com Pedri, apontadas por mídia esportiva e especialistas. Entre elas, visão de jogo fora de série, capacidade de atuar como armador central controlando o ritmo, aceleração mental para mudar o ritmo da partida sem se precipitar e facilidade de infiltração para receber livre entre as linhas de marcação.
Quando Aguirre decidiu tirá-lo no segundo tempo, o Azteca respondeu com uma ovação que traduziu o que tinha acontecido em campo. A torcida levantou, comemorou a classificação e tratou o jovem como protagonista da noite. Naquele momento, o “Pedri mexicano” se tornou manchete nos principais veículos esportivos locais.
Barcelona monitora Gilberto Mora de perto?
O desempenho na liga mexicana já havia acendido sinais na Europa, mas clubes optaram por aguardar justamente a Copa. Segundo o jornal espanhol Sport, o Barcelona monitora Gilberto Mora desde a estreia mexicana no Mundial, em 11 de junho, e a direção já tinha traçado planos específicos para observar o meia antes disso.
O controle de bola em espaços curtos e a leitura de jogo refinada encaixam no tipo de talento que o clube catalão costuma buscar para lapidar no meio-campo. Esse interesse se soma a outro rótulo que o jogador carrega no México: o de “bombeiro”. O apelido não vem de marketing, mas da fama de aparecer justamente quando o time mais precisa.
O “bombeiro” e o próximo passo na carreira
Ainda que tenha renovado recentemente o contrato com o Tijuana, o meio-campista já deixou claro que planeja seu futuro fora do México. Fontes locais como o AS, do México, garantem que, caso receba proposta no momento certo, a transferência para Europa ocorrerá. Por enquanto, o foco declarado é aproveitar o Mundial em solo mexicano e seguir carregando a euforia do país no mata-mata.

(@AllFutbolMX)