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Tecnologia de ondas cerebrais vira aposta dos EUA para vencer drama dos pênaltis na Copa

by Redação
01/07/26 17:50:07
in Giro Sportbuzz
Tecnologia de ondas cerebrais vira aposta dos EUA para vencer drama dos pênaltis na Copa
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Na fase mata-mata da Copa do Mundo, a seleção masculina dos Estados Unidos decidiu alinhar ciência com um drama futebolístico: os pênaltis. Desde janeiro de 2025, o grupo comandado por Mauricio Pochettino treina cobranças com dispositivos que monitoram ondas cerebrais, em parceria com a empresa alemã Neuro11. A ideia é medir foco e concentração dos atletas sob pressão para ganhar vantagem em disputas de pênaltis e lances de bola parada, situações que já derrubaram candidatos de peso no torneio.

O projeto entrou em campo nos primeiros meses de 2025 e virou rotina em todos os centros de treinamento da equipe desde então. A comissão técnica montou um grupo de trabalho com treinadores e analistas para perseguir “pequenas vantagens” que pudessem render ganhos grandes na Copa, sobretudo em pênaltis, faltas e escanteios.

Nessa rotina, os jogadores são conectados ao equipamento de alta tecnologia enquanto batem pênaltis contra o goleiro, transformando um gesto repetido da carreira em laboratório de neurociência aplicada.

Os Estados Unidos levaram a preparação para pênaltis a outro nível na Copa do Mundo de 2026. (Créditos: Getty Images)

Como a tecnologia de ondas cerebrais entra no treino de pênaltis?

O funcionamento, na prática, passa longe da imagem glamourosa de um aparelho invisível. Atletas sentam em cadeiras à beira do campo, enquanto membros da comissão prendem uma mochila na região do abdômen e colam adesivos na cabeça. Alguns descrevem o processo como algo estranho, com capacete, fios e até uma espécie de pochete.

O meio-campista Tanner Tessmann resumiu a sensação com bom humor ao dizer que parece que “estão colocando coisas onde não deveriam”. Diego Luna seguiu a mesma linha e classificou a experiência como “uma loucura”.

Por trás desse visual curioso, está o objetivo de captar em tempo real as ondas cerebrais durante a cobrança. Segundo cinco jogadores e o próprio Pochettino, as leituras permitem medir o quanto o atleta está concentrado e qual abordagem o deixa mais “no auge da concentração”. O capitão Tim Ream contou que a equipe explicou como o sistema ajuda a alcançar esse estado em que tudo parece desacelerar, conceito muito repetido por jogadores em momentos de alta pressão.

Diego Luna, por exemplo, relatou ter participado de três sessões com o equipamento ao longo de 2025. Mesmo ficando fora da lista final da Copa, assim como Tessmann, o meio-campista avaliou que a ferramenta “definitivamente” ajudou. Ele disse que, a cada nova rodada de testes, converteu mais pênaltis, o que, na visão do jogador, reforça a utilidade do monitoramento para quem precisa repetir o gesto com precisão em condições extremas.

O que os dados de ondas cerebrais mostram aos jogadores?

Detalhes finos da tecnologia não foram abertos. A comissão dos Estados Unidos, via porta-voz, recusou pedidos formais do The Athletic para explicar exatamente quais aparelhos usa e como processa os dados antes e durante a Copa. Ainda assim, um estudo da Universidade de Twente, na Holanda, citado na apuração, ajuda a desenhar o contexto.

Pesquisadores equiparam participantes com dispositivos semelhantes na cabeça e usaram espectroscopia funcional de infravermelho próximo (fNIRS) para investigar por que alguns pênaltis são perdidos.

Nesse trabalho, os cientistas observaram duas regiões-chave do cérebro. Quando os jogadores não estavam tomados por ansiedade de desempenho, o córtex motor — área ligada ao controle dos movimentos musculares — aparecia mais ativado. Em situações de ansiedade ou distração, quem assumia o protagonismo era o córtex pré-frontal, região associada ao planejamento e ao pensamento sobre o futuro. Uma hipótese indica que esse aumento no pré-frontal vinha da preocupação com as consequências de acertar ou errar, estado mental que apareceu ligado a mais falhas nas cobranças.

Dentro da seleção americana, essa lógica vira ferramenta para tomada de decisão. O lateral Max Arfsten explicou que, “com base nas suas ondas cerebrais, eles te dizem o quão concentrado você está em um momento específico da cobrança do pênalti — ou, dependendo do lado para o qual você vai, onde seu cérebro se sente mais concentrado”.

Esse tipo de leitura ajuda o atleta a descobrir “onde está seu melhor chute”. Além disso, oferece à comissão um critério adicional para ordenar a fila de batedores em eventual disputa.

Como a seleção tenta simular a pressão de uma disputa de pênaltis?

No gramado, a rotina de testes com neurotecnologia acontece durante ou depois do treino, quando o desgaste físico já pesa. O jogador caminha até a marca da cal, com fios conectados ao corpo e o aparelho operado por um membro da equipe logo atrás. Ele ouve um sinal sonoro que dispara a cobrança e, em algumas sessões, encara também um alto-falante com som de torcida, usado para recriar o ambiente de estádio. O lateral Sergiño Dest contou que, além disso, a comissão “usa coisas diferentes e tenta te despistar” para bagunçar ainda mais a concentração.

Pochettino admite que, mesmo com tanto recurso, “é impossível replicar o estresse emocional, a pressão e as expectativas” de uma decisão real de Copa do Mundo. O objetivo, nas palavras do treinador, é testar os jogadores em cenário o mais próximo possível e colher dados para depois. Luna traduz esse desafio em termos práticos.

“Você precisa estar totalmente concentrado naquele momento para finalizar. Quando as coisas ficam caóticas, quando há pessoas, quando há barulho, quando há cânticos, quando há um goleiro, trata-se de manter o foco em um momento como esse e encontrar esse tipo de espaço seguro, um lugar seguro para você quando estiver em um momento tão tenso.”

Esse “espaço seguro” citado pelo meia funciona como imagem mental que cada atleta tenta acessar entre o apito e o contato com a bola. A combinação de simulação de barulho, tentativa de distração e medições cerebrais serve justamente para identificar quem consegue preservar esse foco. Na prática, se um jogador não atinge nenhum dos pontos considerados ideais pelos dados, a tendência é ser deixado de fora da lista principal de cobradores em eventual série.

Maurício Pochettino tem revolucionado a preparação dos EUA na Copa do Mundo 2026. (Créditos: Divulgação / USMNT)

Essa preparação com ondas cerebrais pode decidir a Copa?

A definição oficial dos cinco primeiros batedores ficará com o comando de Pochettino, que deixou claro que a escolha “seria nossa decisão”. O uso das ondas cerebrais entra como mais um parâmetro na mesa, ao lado de desempenho técnico nos treinos, histórico recente e características individuais. Os atletas aceitaram repetir o processo em sessões exaustivas, entendendo que a carga extra de tempo e energia pode ter retorno direto em jogo eliminatório.

Dest foi direto ao resumir o raciocínio do elenco: esse tipo de preparação “pode ser necessário. Nunca se sabe, especialmente agora que continuamos na fase eliminatória da Copa do Mundo”. O adversário dos EUA nesta fase, a Bósnia e Herzegovina, chegou ao Mundial depois de vencer duas disputas de pênaltis contra País de Gales e Itália. O goleiro Nikola Vasilj defendeu 16 de 43 pênaltis na carreira, um aproveitamento de 37,2%, que o coloca entre os principais especialistas do torneio.

Leia a matéria original

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