O chute de Gabriel Martinelli contra o Japão não só garantiu o Brasil nas oitavas de final do Mundial como empurrou o jogo direto para a história. Aos 50 minutos do segundo tempo, já no apagar das luzes, o atacante virou o jogo para o Brasil e cravou o gol mais tardio de um mata-mata de Copa do Mundo em tempo normal desde que a Opta começou a registrar os dados, em 1966.
O cenário, até ali, era de partida controlada pelo relógio. Brasil e Japão empatavam por 1 a 1 nessa segunda-feira (29), o apito final se aproximava e a prorrogação já parecia roteiro pronto. A partida caminhava para mais 30 minutos quando Bruno Guimarães, em um belo e inesperado passe, achou Martinelli entre defensores japoneses. O atacante finalizou no cantinho e decidiu a vaga às oitavas de final da Copa do Mundo.

Gol de Martinelli no minuto 50 muda a rota e derruba recordes
O lance que colocou o Brasil nas oitavas de final também mexeu com a matemática do Mundial. De acordo com dados da Opta, o gol de Martinelli, aos 50 minutos do segundo tempo, é o mais tardio já registrado em mata-mata de Copas do Mundo em tempo regulamentar. Esse recorte exclui prorrogação e pênaltis e considera os registros da empresa desde 1966.
Na prática, o Brasil transitava de forma direta entre dois caminhos: prolongar o drama ou resolver tudo ali. O passe de Bruno Guimarães, no limite da área, encontrou o companheiro livre para bater e balançar as redes japonesas. Com a bola no gol, a seleção se garantiu nas quartas e empurrou o Japão, mais uma vez, para o lado amargo das estatísticas de gols sofridos no apagar das luzes em fases eliminatórias.
Ranking dos gols mais tardios em mata-mata de Copa do Mundo
O gol de Martinelli sobe ao topo de um ranking que já tinha nomes de peso. Até o jogo contra o Japão, o mais tardio em tempo normal em mata-mata era o de Francesco Totti, em 2006, contra a Austrália. Naquela ocasião, o meia italiano marcou aos 49 minutos e 26 segundos do segundo tempo. Logo atrás aparece Nacer Chadli, carrasco do Japão na Copa de 2018, com o gol aos 48 minutos e 41 segundos na virada da Bélgica por 3 a 2.
A lista ainda traz Klaas-Jan Huntelaar, decisivo para a Holanda contra o México, em 2014. O atacante converteu o gol da virada aos 48 minutos e 18 segundos do segundo tempo. Já em 2026, além de Martinelli, outro jogo entrou na contagem da Opta: Eustáquio marcou aos 46 minutos e 4 segundos do segundo tempo contra a África do Sul, também em mata-mata. Em comum, todos esses lances carregam a mesma combinação de relógio quase zerado e vaga em jogo.

Por que o gol de Martinelli pesa tanto para o Brasil?
O impacto do gol no minuto 50 vai além da estatística isolada. A seleção brasileira se firmou nas quartas de final sem passar pelo desgaste físico e mental de uma prorrogação, o que muda o ambiente de preparação para a sequência do torneio. A vitória sobre o Japão veio quando a partida já parecia encaminhada para mais meia hora de jogo, o que reforça o peso da bola que entrou no último respiro do tempo regulamentar.
Para o Japão, o roteiro volta a esbarrar nos minutos finais. Segundo a Opta, a seleção asiática também é protagonista do terceiro gol mais tardio em mata-mata de Copas, o de Chadli, em 2018, na Rússia, aos 48 minutos e 41 segundos do segundo tempo. O novo revés, agora aos 50, reforça um histórico recente de eliminações definidas já nos acréscimos.
Com a classificação garantida, o Brasil entra na fase seguinte à espera do desfecho entre Costa do Marfim e Noruega, duelo que definirá o adversário nas quartas de final. A seleção volta a campo no próximo domingo, às 17h (de Brasília). Entre um jogo e outro, o gol de Martinelli permanece como ponto de referência: um lance que empurrou o time adiante no mata-mata e redesenhou o topo do ranking dos gols mais tardios da história recente das Copas.
