A Alemanha saiu da Copa do Mundo 2026 deixando para trás um rastro curioso na América do Sul: dois feriados nacionais em menos de uma semana, decretados por Equador e Paraguai depois de vitórias sobre a seleção europeia. O que, para os alemães, foi mais um capítulo de queda, virou motivo oficial de folga e celebração coletiva do outro lado do mapa.
O fenômeno ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (30), quando o governo paraguaio parou o país um dia depois da eliminação da Alemanha nas penalidades. Poucos dias antes, o Equador já tinha tomado decisão parecida após vencer o mesmo rival na fase de grupos.

Vitória do Paraguai sobre a Alemanha vira feriado nacional
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou a folga nacional nas redes sociais pouco depois da classificação. No decreto, o chefe de Estado apresenta a decisão como forma de celebrar a “garra, a fé e a força” da população que viu a seleção superar a Alemanha em uma disputa de pênaltis dramática.
“Obrigado, Albirroja, por nos presentear com esta imensa alegria e por voltar a unir milhões de paraguaios”, escreveu Peña.
A partida terminou empatada por 1 a 1 no tempo regulamentar, com o time sul-americano segurando o resultado até levar a decisão para as penalidades. Na série, a Albirroja venceu aos alemães por 4 a 3, garantiu vaga nas oitavas de final e mandou a tetracampeã mundial para casa.
Foi nesse cenário de tensão que o goleiro Orlando Gill se tornou o principal personagem paraguaio na noite, defendendo as cobranças de Kai Havertz e Nick Woltemade.
O peso esportivo do jogo ajudou a inflar o decreto. Isso porque, pela primeira vez na história das Copas, a Alemanha despediu-se do torneio nos pênaltis. A seleção europeia sustentava o rótulo de praticamente imbatível nas cobranças da marca da cal, e a quebra dessa escrita reforçou o caráter de feito histórico para o Paraguai.
“Efeito Alemanha”: Equador e Paraguai fazem de vitórias feriados
Dias antes do feriado em Assunção, na sexta-feira (26), o Equador também parou o país depois de bater a mesma Alemanha por 2 a 1 na fase de grupos. O presidente Daniel Noboa assinou um decreto que liberou a população para comemorar a classificação ao mata-mata, resultado aguardado há anos pelo futebol equatoriano.
Naquela ocasião, porém, os alemães já estavam garantidos como líderes da chave. Mesmo assim, a vitória foi bastante celebrada pelos sul-americanos, que precisavam vencer para seguir sonhando.
Em menos de uma semana, dois presidentes sul-americanos decretaram feriado em sequência por vitórias sobre o mesmo adversário. Nos dois casos, o discurso ligou o futebol à ideia de orgulho coletivo.

A seleção alemã deixa o torneio com esse rastro estatístico inusitado e muito o que repensar. Já os sul-americanos avançam carregando não só a vaga, mas também o registro de que um jogo de futebol foi suficiente para parar o país inteiro.
