A camisa do México assumiu um lugar improvável na Copa do Mundo de 2026 e é o uniforme mais vendido do torneio, batendo Argentina, Brasil, Espanha e França, por exemplo. O modelo verde ultrapassou a marca de 1 milhão de unidades comercializadas, segundo a ESPN local, e segue difícil de encontrar. O fenômeno acompanha a campanha da equipe no Mundial e virou uma espécie de bandeira de identidade nacional.
Lançada em novembro de 2025, a camisa explodiu nas lojas em poucos dias, mesmo com preços altos para o padrão mexicano. A versão infantil saiu por cerca de 1.600 pesos (R$ 473,33), enquanto o modelo de jogador chegou perto de 3.000 pesos (R$ 887,50). No site da Adidas, a maioria dos tamanhos continua esgotada meses depois da apresentação oficial.
O comissário da Federação Mexicana de Futebol, Mikel Arriola, classificou o uniforme atual como o mais vendido da história do time nacional.

Camisa mais vendida da Copa vira caso histórico no México
O uniforme que domina as vendas em 2026 já superou um antigo campeão de popularidade: o modelo preto usado na Copa do Mundo da África do Sul de 2010. Em números, a federação trata esse Mundial como um marco para a relação entre o torcedor mexicano e o manto verde. Já em percepção de rua, basta olhar para as arquibancadas e para os mercados populares espalhados pelo país.
Um dos motores dessa adesão está no desenho da peça. A camisa resgata o verde clássico que marcou gerações e acrescenta um padrão gráfico inspirado na Pedra do Sol, o monólito asteca de 3,6 metros de diâmetro e 24 toneladas. O bloco original está hoje no Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, e carrega séculos de leitura e disputa sobre o que representa.
México: a história por trás do desenho inspirado na Pedra do Sol
O padrão que aparece espalhado pelo tecido conversa com a forma como especialistas descrevem a Pedra do Sol. Chamado com frequência de “Calendário Asteca”, pesquisadores do Instituto Nacional de Antropologia e História do México (INAH) apontam que o monólito não funciona como um calendário comum. A leitura predominante é de que se trata de uma representação de visão de mundo, um mapa do tempo e da relação entre deuses e humanidade dentro do universo asteca.
Esse bloco de pedra sobreviveu à conquista, acabou enterrado no século XVI e só reapareceu em 1790, no Zócalo, ponto central da capital mexicana. A partir daí virou peça de museu e, com o tempo, patrimônio nacional protegido. Por isso, o uso da Pedra do Sol como referência no uniforme exigiu autorização oficial do INAH.
O design da camisa mais vendida da Copa do Mundo não replica o monólito, e sim o reinterpreta em linguagem gráfica atual, adaptada ao tecido e ao contexto de um Mundial.

Como o preço da camisa mais vendida da Copa afeta o torcedor?
Enquanto a versão oficial da camisa mexicana lidera as vendas globais da Copa, uma outra dinâmica se desenha nas ruas. Em Tepito, Izazaga e no Centro Histórico da Cidade do México, o mesmo verde aparece pendurado em barracas informais com valores entre 450 e 600 pesos, dependendo da qualidade do produto. O chamado “Barrio Bravo” se consolidou como um polo do mercado paralelo ligado ao Mundial, abastecido por itens que chegam da Ásia e se espalham pelo país.
De acordo com registros no Instituto Mexicano da Propriedade Industrial (IMPI), há cerca de 344 marcas registradas com relação ao “Barrio Bravo”. Em março, uma operação resultou na apreensão de mais de 80 mil itens falsificados em Tepito, algo em torno de 25 toneladas de mercadorias. No dia seguinte, porém, as bancas voltaram a ficar cheias, mostrando a velocidade de reposição nesse mercado cinza.
Para parte dos torcedores, recorrer a Tepito e a outros pontos de venda informal virou também gesto político. A diferença entre o preço oficial da camisa mais vendida da Copa do Mundo e o salário mínimo entra na conta de quem faz essa escolha. Nesse cenário, a pirataria aparece descrita como resposta econômica e cultural a um produto visto como inacessível para boa parte da população.
Um vendedor entrevistado pelo jornal mexicano La Crónica sintetizou esse raciocínio: “Eles estão vendendo a de 500 pesos por mais de 3.000. Veja o tecido, qualidade Adidas pura.”
