Enquanto o debate no Brasil gira em torno de até onde a Seleção pode chegar na Copa do Mundo, um jornal da França trabalha com outra conta. O Ouest-France colocou o time de Carlo Ancelotti como peça de um cálculo de risco: terminar em segundo lugar no Grupo I, cenário cogitado por torcedores europeus para facilitar o chaveamento, incluiria um encontro com o Brasil e transformaria o caminho em algo distante da ideia de “atalho”.
Ao mesmo tempo que cita a Seleção Brasileira como uma das possíveis complicações da segunda colocação, o site se refere ao Brasil como postulante ao título. A publicação parte de uma teoria que tem circulado no continente de que avançar na segunda colocação daria à equipe de Mbappé um cruzamento teoricamente mais fácil. O jornal, porém, contesta.
Primeiro, destaca o desgaste logístico de um roteiro espalhado pela Costa Leste dos Estados Unidos. Depois, entra no campo esportivo com projeções do site especializado Football Meets Data, que colocam Brasil, Inglaterra e Argentina no caminho de quem terminar atrás no grupo. Neste desenho, a França possivelmente enfrentaria a Espanha na decisão.

Brasil aparece como risco no caminho da França
No texto, o Ouest-France pondera justamente a análise de que a segunda colocação resultaria em um caminho amplamente mais simplesmente que o da liderança. O veículo expõe projeções que comprovam que o suposto benefício não se sustenta, e a equipe teria um encontro com o Brasil logo nas oitavas de final, após vitória sobre a Costa do Marfim.
O jornal recorre ao Football Meets Data para montar dois desenhos possíveis de mata-mata. No quadro em que o time francês termina em segundo lugar, o Brasil aparece nas oitavas, seguido por Inglaterra e Argentina, com Espanha projetada como rival em uma eventual final. O grupo é classificado em bloco como formado por “candidatos ao título”, sem hierarquia entre eles.
França em 1º ou 2º lugar: o que muda no trajeto até a final?
A primeira camada da análise francesa é geográfica. Segundo o Ouest-France, o 1º lugar no Grupo I deixaria a delegação concentrada na região de Boston, com deslocamentos menores até uma eventual semifinal em Dallas. Já o segundo, jogaria a equipe em um roteiro mais espalhado pela Costa Leste, de Dallas a Miami, passando por Atlanta, com impacto físico acumulado ao longo da rota.
Nas projeções apresentadas, o cenário de 1º lugar no Grupo I leva a França, nas oitavas de final, a um duelo contra Suécia ou Japão em Nova York. Depois, no dia 4 de julho, o adversário seria a Alemanha, na Filadélfia. As quartas de final, cinco dias depois, colocaria a Holanda no caminho, em Boston. Uma possível semifinal seria contra a Espanha, em Dallas, e a decisão em 19 de julho, em Nova York, teria novamente a Argentina como oponente.
A projeção muda consideravelmente para segunda colocação. Após a Costa do Marfim, o cruzamento colocaria o Brasil nas oitavas de final, em Nova York, no dia 5 de julho. A fase seguinte projeta duelo contra a Inglaterra em Miami. Já a semifinal, em 15 de julho, teria a Argentina em Atlanta. Por fim, a decisão colocaria a Espanha do outro lado.

Brasil já no radar do mata-mata da Copa
Enquanto entra nas contas francesas como risco, a Seleção ainda organiza a própria casa no Grupo C. O time de Carlo Ancelotti chega à última rodada dependendo apenas de si para avançar à fase de 16 avos. Com quatro pontos e saldo de três gols, a equipe lidera a chave, seguida por Marrocos, também com quatro pontos, mas um gol a menos de saldo. A Escócia aparece logo atrás, com três, ainda viva na disputa por vaga.
O último compromisso brasileiro na fase de grupos está marcado para esta quarta-feira (24), às 19h (de Brasília), contra os escoceses. No mesmo dia, Marrocos enfrenta o Haiti para fechar a tabela do Grupo C. A combinação de resultados nessas partidas define não só a classificação, mas também a posição final da Seleção na chave, fator que influencia o cruzamento no mata-mata.
Do lado do Grupo F, Holanda e Japão somam quatro pontos, com a equipe holandesa na frente por ter marcado mais gols. A definição sai na quinta-feira, 25 de junho, com Holanda x Tunísia e Japão x Suécia. Daqui saem os prováveis rivais de Brasil e companhia na fase seguinte.
