O nome de Michael Olise se tornou alvo de polêmica nas redes sociais e mídia esportiva europeia às vésperas da vitória da França sobre o Iraque, nessa segunda-feira (22). Isso porque uma foto do vestiário viralizou ao mostrar um pote de snus, sachê de nicotina, dentro do armário do meia. O produto, fora da lista de substâncias proibidas pela WADA e pela FIFA, levantou discussão em outro campo: o da saúde e do comportamento.
A imagem, vazada nas redes sociais, mostra o armário organizado para a partida, com chuteiras, camisa de jogo e uma nécessaire. Ao lado, um pequeno frasco, identificado como snus, virou o centro da conversa sobre o uso desses sachês de nicotina por atletas de alto rendimento.

O que é o snus que apareceu no armário do astro francês?
O snus é um sachê úmido de origem sueca, sem fumaça, que contém nicotina em doses concentradas. A forma de consumo é simples: a pequena embalagem branca é colocada entre o lábio e a gengiva por alguns minutos, tempo suficiente para ser absorvida. Esse tipo de produto costuma ser chamado de “limpo” porque não leva folhas de tabaco em sua composição.
Mesmo sem tabaco, o sachê de nicotina pode gerar dependência. Cada unidade carrega normalmente entre 5 e 20 miligramas de nicotina, com efeito que pode durar de 20 a 60 minutos. No meio esportivo, esse tipo de estímulo chama atenção justamente por atuar de maneira discreta, sem fumaça, cheiro forte ou sinais imediatos que entreguem o uso.
Snus faz mal? Como funcionam esses sachês de nicotina
De acordo com relatório do Instituto Federal Alemão de Avaliação de Riscos, citado pelo Ministério da Saúde da Espanha, esses produtos são “sachês para administração oral que contêm sais de nicotina, além de outras substâncias, incluindo celulose microcristalina, carbonato de sódio, outros sais de ácido carbônico, ácido cítrico e diversos aromatizantes”. Ou seja, não é só nicotina isolada, mas há uma combinação de excipientes para dar textura, sabor e estabilidade ao produto.
O documento, publicado pelo site GOAL, aponta ainda que, ao extrair a nicotina das folhas da planta, podem surgir nitrosaminas específicas do tabaco. A Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC) classifica essas nitrosaminas como substâncias cancerígenas. O relatório menciona também a possível presença de contaminantes como formaldeído, acrileno e benzeno, além de metais tóxicos como cádmio, chumbo e arsênico.
A discussão em torno do snus gira em torno desse contraste: um produto sem fumaça, vendido como alternativa “limpa” ao cigarro tradicional, mas associado a compostos com potencial cancerígeno. Em atletas, o debate se amplia por envolver desempenho, rotina de treinos e a imagem pública de quem está em um ambiente de alta exposição, como uma Copa do Mundo.
Snus na Copa é doping? O que dizem WADA e FIFA
No caso de Olise, o ponto central é que o sachê de nicotina encontrado no armário não configura doping. A substância não está proibida pela Agência Mundial Antidoping (WADA) nem pela FIFA. O uso é legal sob as regras atuais, sem risco de suspensão por teste positivo. A polêmica, portanto, não está ligada a vantagem esportiva indevida, mas à discussão sobre hábitos de consumo e impacto à saúde.

Outros jogadores já usaram snus no futebol?
O caso do francês não é isolado no cenário do futebol europeu. Em 2018, antes de um amistoso entre Inglaterra e Itália, Jamie Vardy foi flagrado com uma caixa de snus e descreveu a rotina com naturalidade na época. Ele explicou o uso dos sachês de nicotina no dia a dia de atleta profissional.
“Quando cheguei ao Leicester, comecei a usá-los. São adesivos de nicotina que você coloca na gengiva por cerca de 10 minutos. Muito mais jogadores de futebol do que as pessoas imaginam os usam, e alguns até jogam com eles durante as partidas”, afirmou o inglês.
