Camisa no chão, fogo aceso e celular apontado para registrar cada segundo: assim que ultras do Atlético de Madrid decidiram responder a Julián Álvarez, em plena Copa do Mundo. Em vídeos publicados por perfis ligados à Banda Neptuno, torcedores aparecem queimando e pisoteando réplicas do número 19 do argentino, depois de o atacante anunciar que pretende deixar o clube.
Os vídeos repercutiram nas redes sociais espanholas, que também ficaram dominadas por protestos em textos. “Alguns jogadores deixam marca. Outros deixam uma lição. O tempo coloca tudo em seu lugar”, criticou um torcedor no X. Outro corroborou: “Quem diria que se tornaria um traidor”.
A revolta parte da mudança no tom do argentino e, sobretudo, dos rumos no clube. Álvarez, que já falou em construir história em Madri, agora busca uma saída e a sensação de ruptura se intensifica diante do acúmulo de sinais, dentro e fora de campo.

O desejo de Julián Álvarez em meio à Copa do Mundo
A situação ganhou tom de revolta após a vitória da Argentina sobre a Áustria, por 2 a 0, na fase de grupos da Copa do Mundo. Questionado sobre o futuro, o atacante expôs à ESPN sobre seu desejo de sair e revelou uma conversa recente com dirigentes do Atlético.
“A verdade é que não sei. Acho que não é o momento certo para falar sobre isso, mas também não posso me esconder. Tento ser uma pessoa honesta. Falei com pessoas do clube e acredito que o melhor para todos os envolvidos é que eu saia. Quero realizar meu sonho”, afirmou. Ele não explicou ao repórter qual sonho, mas confessou que a mudança parece amadurecida.
Enquanto o atacante evitou citar clubes, a imprensa espanhola há meses conecta o desejo de saída a um alvo específico: o Barcelona. Jornais locais relatam que o clube catalão tenta montar uma operação para tirá-lo do Atlético, travada pelo custo elevado. Recentemente, o Atlético ironizou nas redes sociais o que chamou de “assédio” do Barça pelo jogador.
Renovação recusada, ofertas milionárias e desgaste crescente
Em maio, o Atlético de Madrid colocou na mesa uma proposta de renovação de contrato com salário anual de 10 milhões de euros, cerca de R$ 58,5 milhões. Segundo o jornal Marca, o argentino recusou o aumento e demonstrou disposição para buscar um “passo maior” na carreira.
O cenário esquentou os contatos pelo jogador, e o Real Madrid resolveu entrar na disputa. O clube merengue anunciou uma oferta de 150 milhões de euros (cerca de R$ 899,2 milhões) para contratar o centroavante. Bem como fez com o Barcelona, o Atlético ironizou publicamente o movimento do rival da capital.
No X, o perfil do clube publicou: “Como não vamos nos dar bem se vocês nos fazem rir ainda mais que o Barcelona?”, acompanhado de emojis de risada. A mensagem viralizou e transformou a negociação em munição para a rivalidade entre torcidas.
O Barcelona, até aquele momento, ainda não tinha apresentado proposta formal, limitando-se a sinalizar interesse. Mesmo assim, a simples aproximação do clube catalão já bastou para alterar o clima no vestiário e na diretoria. O recado do argentino de que queria algo maior, somado ao namoro com dois rivais do Atlético, ajudou a empurrar a relação para um campo de desconfiança.

Atlético quer levar caso com o Barcelona à Justiça
De acordo com o diário AS, o Atlético apresentou denúncia à Justiça Esportiva acusando o Barcelona de assédio ao jogador, ainda vinculado contratualmente ao Atleti. A alegação é que dirigentes catalães teriam tratado diretamente com o argentino enquanto ele seguia sob contrato, prática que, na visão madrilenha, fere as normas do mercado.
Fontes do clube ouvidas pelo jornal sustentaram a linha dura, inclusive uma resgatou o histórico recente dos catalães em negociações. “No passado, já vimos como o Barcelona funciona”, disse, justificando a opção por acionar a Justiça.
Na mesma toada, a direção reforça publicamente que só existe uma forma de retirar Julián Álvarez do contrato atual: pagamento integral da cláusula rescisória de 500 milhões de euros, cerca de R$ 3 bilhões.
Outra fonte, também citada pelo AS, apertou ainda mais o discurso ao descartar qualquer negociação direta com o clube catalão. “Não há valor algum pelo qual o Barcelona possa contratar Julián, que não será transferido para o Barcelona. Ou pagam a cláusula (de 500 milhões) ou nada”, afirmou.
No meio desse tabuleiro jurídico e financeiro, a parte emocional também pesa. Em dezembro de 2025, o atacante declarou que seu “sonho era conquistar a Liga dos Campeões com o Atlético de Madrid”. O trecho, que à época soou como compromisso com o projeto colchonero, voltou a circular com força agora, usado por torcedores como prova de que o discurso mudou em poucos meses.
