Com Ismaël Koné fora da Copa do Mundo por fratura na perna esquerda, a conta que passa para o primeiro plano não é só esportiva. Enquanto o meia se recupera, alguém continua responsável pelo salário, pelas obrigações do contrato e pelo custo de ter um titular parado. A pergunta que organiza o bastidor: quem paga o salário de Koné agora? A resposta está num seguro obrigatório da FIFA que promete proteger os clubes, mas devolve ao Sassuolo apenas uma parte do que o imaginário costuma projetar.
Esse seguro atende pelo nome de Club Protection Programme, mantido pela entidade para ressarcir equipes quando um jogador se lesiona defendendo a seleção. A lógica é simples no papel: o clube paga, treina, coloca o atleta em forma e ainda precisa liberá-lo para o calendário de seleções, sem controle sobre a carga ou a entrada que pode causar a lesão.
Quando o pior acontece, a FIFA entra com um reembolso calculado com base no salário fixo, pago em cotas diárias, limitado a um ano de afastamento.

Como funciona o seguro da FIFA que cobre lesão em seleção?
No caso do meia do Sassuolo, o clube italiano continua honrando integralmente o salário, como manda o contrato assinado antes da Copa. A diferença é que, com a fratura sofrida a serviço da seleção, passa a ter direito a acionar o Club Protection Programme e pedir o reembolso relativo ao período em que o jogador estiver parado. Esse pedido depende de documentação médica, da confirmação formal da lesão e do afastamento efetivo dos gramados.
Há um detalhe que costuma passar batido na primeira leitura: os primeiros 28 dias após a contusão não entram na conta. Funcionam como uma espécie de franquia, ou seja, a condição mínima para que o seguro comece a valer, não o ponto de partida do pagamento.
Só depois desse primeiro mês é que o programa, de fato, começa a calcular quanto será devolvido ao empregador. Na prática, o Sassuolo banca sozinho o salário no período inicial de recuperação, mesmo com a lesão registrada em jogo de Copa.
Qual é o valor real que o Sassuolo pode receber?
O cálculo que define quanto entra de volta no caixa é construído a partir do salário anual fixo de Koné. O meio-campista recebe cerca de 1,39 milhão de euros por ano no clube italiano. Espalhado pelos 365 dias do calendário, isso resulta em uma diária aproximada de 3.808 milhões de euros. Esse número que interessa ao seguro da FIFA: o valor que o programa se dispõe a reembolsar por dia de afastamento, sempre desconsiderando os 28 dias iniciais.
Com essa diária em mãos, a projeção muda de escala. Numa recuperação mais curta, em torno de três meses, o reembolso ao Sassuolo ficaria em algo próximo de 235 mil euros, considerando o tempo de afastamento elegível pelo programa.
Se o tratamento se alongar e o retorno aos gramados acontecer apenas perto de seis meses depois, a conta pode se aproximar de 580 mil. O valor final depende diretamente de quantos dias o meio-campista permanecer fora, sem uma cifra pré-fixada pela FIFA para esse caso específico.
Por que não entra o máximo do seguro da FIFA?
É nesse ponto que a percepção pública costuma distorcer o que de fato acontece. Circula com frequência o número de 7,5 milhões de euros associados ao Club Protection Programme. Essa quantia existe, mas funciona como teto absoluto por lesão, não como pagamento padrão sempre que um jogador se machuca em competição de seleções.
Para chegar perto desse limite, seria necessário ter uma diária de 20.548, que corresponde a um salário fixo de 7,5 milhões de euros por ano ou mais. Koné está distante dessa prateleira salarial. Em um clube de meio de tabela da Serie A, o meio-campista ganha bem dentro da realidade local, mas abaixo da elite global do futebol.
Isso significa que a lesão de Copa leva o Sassuolo a acionar um fundo robusto, com capacidade de até 80 milhões de euros por temporada, para recuperar apenas uma fração da folha que o clube mantém durante o afastamento. Para a FIFA, o desenho prioriza a proteção de quem investe cifras mais altas em craques com salário milionário.

O que a lesão de Koné expõe sobre esse mecanismo?
O contraste entre o teto do programa e o valor que efetivamente entra na conta do Sassuolo revela a calibração do seguro. A diária máxima de 20.548 mil euros foi pensada para cobrir, de forma ampla, contratos concentrados na parte de cima da pirâmide salarial. Já para o jogador que não integra esse grupo, o reembolso do Club Protection Programme aparece como um apoio parcial, longe de compensar de forma integral o custo de mantê-lo afastado, em tratamento, sem entrar em campo por meses.
No caso específico do meio-campista, a fratura na perna esquerda o tira da Copa disputada em casa e o torna caso cirúrgico, cenário já confirmado pelo técnico Jesse Marsch. Até aqui, porém, o Sassuolo não divulgou qualquer previsão oficial de retorno. Lesões tratadas com procedimento cirúrgico, como essa, variam bastante na medicina esportiva, com faixas que costumam ir de cerca de três a seis meses, dependendo da evolução individual.
