A UEFA decidiu manter o padrão da Champions League sem pausas obrigatórias para hidratação, que estava sob análise para temporada 2026/27. A paralisação só ocorrerá em casos de calor extremo. A entidade europeia bateu o martelo depois da repercussão negativa dos cooling breaks na Copa do Mundo 2026. A principal crítica recai sobre o impacto no ritmo do jogo, no uso tático que treinadores passaram a adotar e na suspeita de foco em publicidade.
A decisão foi divulgada pela UEFA à emissora alemã ARD, em comunicação feita na quarta-feira (17). A entidade confirmou que manterá as pausas apenas em casos de temperaturas extremas, mas não como regra automática em todo jogo. O posicionamento alinha o principal torneio de clubes da Europa com a postura da Bundesliga, que já havia informado não ter planos de instituir paradas fixas.
Em paralelo, o diretor da Federação Inglesa (FA), Mark Bullingham, ridicularizou a ideia de introduzir esse tipo de pausa fixa na Euro de 2028, prevista para as Ilhas Britânicas.

A polêmica nas pausas para hidratação na Copa do Mundo 2026
A discussão esquentou quando a Fifa determinou que todas as partidas desta Copa tivessem pausa de hidratação no meio do primeiro tempo e também aos 22 minutos do segundo. A justificativa apontava para as altas temperaturas e para a preocupação com o bem-estar físico dos jogadores, diante de um calendário pesado e viagens longas. Por isso, adotou-se a medida como padrão.
Na prática, porém, as interrupções passaram a gerar questionamentos ao aparecer também em estádios com cobertura e sistema de ar-condicionado. Esse detalhe alimentou o incômodo de comentaristas, que passaram a enxergar nas pausas um terreno fértil para as emissoras encaixarem mais anúncios.
O que inicialmente foi vendido como resposta ao calor acabou associado à lógica comercial do futebol de alto nível, em um Mundial espalhado por três países e múltiplos fusos.
Pausas de hidratação na Champions: o que a UEFA decidiu?
Na esteira desse debate, a UEFA optou por não copiar a fórmula da Copa do Mundo. A entidade informou à ARD que, na Liga dos Campeões de 2026-27, não haverá pausas obrigatórias para hidratação em todos os jogos. Assim, a Champions se distancia do modelo fixo aplicado pela Fifa no Mundial recente.
A Bundesliga, conforme mencionado, caminhou no mesmo sentido. A liga alemã comunicou que não planeja introduzir paradas padronizadas, mantendo a medida apenas para situações de calor intenso. Já a Euro 2028 entrou no radar por outro motivo. Mark Bullingham, presidente da Federação Inglesa de Futebol, tratou a ideia de pausas fixas no torneio como algo sem sentido nas Ilhas Britânicas, região tradicionalmente marcada por temperaturas mais baixas em grande parte do ano.

O que sustenta a posição da Fifa sobre o estresse térmico?
Do lado da Fifa, o argumento para bancar as pausas na Copa se ancora em dados científicos. A entidade cita o aumento das temperaturas globais e o maior risco de estresse térmico em atletas de elite. Para medir esse risco, recorre ao índice WBGT (Wet-Bulb Globe Temperature), que combina diferentes variáveis ambientais. Esse indicador leva em conta temperatura do ar, umidade, velocidade do vento e radiação solar, servindo como referência para definir quando o calor passa do limite seguro.
Na leitura oficial, esse índice dá suporte à política de proteção física dos jogadores em grandes competições. A entidade trata as pausas para hidratação como uma resposta direta ao WBGT elevado registrado em algumas sedes e horários específicos do Mundial.
Champions sem pausa obrigatória muda algo no jogo?
Enquanto o Mundial testou a interrupção como regra, a Liga dos Campeões seguirá um caminho mais pontual. Um efeito prático é a manutenção de partidas com menos quebras programadas, o que reduz as janelas cronometradas para conversas táticas e reorganização em campo. Treinadores que exploraram os cooling breaks na Copa como mini intervalos estratégicos não terão a mesma previsibilidade na competição europeia.
Ainda assim, o tema não parece encerrado. À medida que novas edições de torneios globais e continentais forem disputadas, a discussão sobre até onde o clima interfere nas regras do jogo tende a voltar. Entre uma Champions sem pausa obrigatória e uma Copa do Mundo com paradas fixas, o futebol convive com dois modelos em vitrine, enquanto federações e ligas decidem onde traçar a linha entre proteção ao atleta, ritmo de jogo e espaço comercial.
