Noventa e seis anos depois do primeiro hat-trick da história das Copas, Estados Unidos e Paraguai voltam a se encarar em um Mundial justamente em solo norte-americano. O reencontro, às 22h (de Brasília), no SoFi Stadium, em Los Angeles, encerra o segundo dia da Copa do Mundo 2026 com um peso simbólico. Em campo, está o país que mais jogos sediará em uma única edição, e a seleção que voltou ao torneio após 16 anos de espera.
Enquanto a bola não rola, o duelo reúne números, marcas e coincidências raras. De um lado, os anfitriões que já foram semifinalistas em Mundial e agora concentram 78 das 104 partidas da competição. Do outro, a equipe que eliminou jejuns, superou favoritos e carrega uma derrota de 2010 como símbolo de até onde conseguiu chegar.

O que está em jogo em EUA x Paraguai hoje?
EUA x Paraguai marca a estreia das duas seleções no Grupo D da Copa e funciona como uma espécie de elo entre passado e presente. Para os Estados Unidos, o jogo é vitrine do projeto esportivo que levou o país a receber a maior parte do calendário do torneio. Já para o Paraguai, surge como chance de voltar ao cenário mundial medindo forças com o mesmo adversário de um dos episódios mais citados da história da competição.
Nos Estados Unidos, a lembrança de 1930 ainda aparece em reportagens e materiais oficiais da federação. O foco no Paraguai está muito mais na retomada após 16 anos longe das Copas e nas marcas recentes contra gigantes sul-americanos. Dentro das quatro linhas, a partida oferece pontos fundamentais na briga por classificação, mas, fora delas, funciona como um capítulo de reconciliação com a própria história.
Primeiro hat-trick: como EUA x Paraguai entrou para o livro de recordes?
Em 17 de julho de 1930, na Copa do Uruguai, o atacante americano Bert Patenaude marcou três vezes na vitória por 3 a 0 sobre o Paraguai. O jogo acabou registrado como o primeiro hat-trick de Copas, mas esse status levou décadas para se confirmar.
Durante boa parte do século XX, a FIFA creditou o feito ao argentino Guillermo Stábile. Então, em 2006, após revisão de súmulas e relatos da época, a entidade passou a reconhecer oficialmente Patenaude como autor do primeiro hat-trick em Copas do Mundo. A correção devolveu aos EUA um capítulo relevante da própria trajetória no torneio e transformou aquele jogos em referência obrigatória sempre que o assunto é bola na rede em dose tripla.
Na mesma edição, os norte-americanos chegaram às semifinais, resultado registrado como terceiro lugar pela própria FIFA, já que não houve disputa formal de terceiro e quarto. Desde então, nenhuma geração americana conseguiu igualar a campanha de 1930. O novo encontro com o Paraguai, quase um século depois, resgata esse ponto de partida e o coloca lado a lado com a condição atual do país-sede.

Como os Estados Unidos chegam ao Mundial em casa?
Os Estados Unidos entram em 2026 com um posto inédito na história da Copa: serão o país que mais jogos receberá em uma única edição, com 78 das 104 partidas em seu território. Todas as fases a partir das quartas de final acontecem em solo americano, o que concentra a reta decisiva do torneio em estádios locais como o SoFi Stadium, palco do duelo com o Paraguai.
Ao carregar o rótulo de anfitriã principal, a equipe convive com a lembrança da campanha de 1930 e com o desafio de mostrar evolução em relação a participações recentes. A combinação entre calendário extenso em casa, infraestrutura moderna e crescimento do futebol no país faz do desempenho nesta Copa um marco para medir o estágio atual do esporte no cenário norte-americano.
- 1930: semifinalista e terceiro lugar oficial pela FIFA;
- 2006: reconhecimento do hat-trick histórico de Bert Patenaude;
- 2026: país com mais jogos sediados em uma única Copa do Mundo.
Retorno do Paraguai à Copa depois de 16 anos chama atenção
Do outro lado, o Paraguai volta ao Mundial após um intervalo de 16 anos sem participar da competição. A última aparição foi em 2010, na África do Sul, quando a seleção chegou às quartas de final e perdeu por 1 a 0 para a Espanha, que acabaria campeã. A partida ficou marcada pelo equilíbrio e pela chance real de avançar a uma semifinal inédita.
Entre 2010 e 2026, uma geração inteira cresceu sem ver o Paraguai em campo numa Copa. A vaga foi confirmada em um empate por 0 a 0 com o Equador, em Assunção, no Estádio Defensores del Chaco. Antes disso, a campanha pelas Eliminatórias da CONMEBOL incluiu vitórias sobre Argentina e Brasil, seleções que chegaram à disputa com status de potências globais.
Comandado por Gustavo Alfaro, o time paraguaio encara logo na estreia o país responsável pelo primeiro hat-trick sofrido em Copas. A narrativa histórica não altera a preparação, mas adiciona um componente simbólico ao reencontro, agora em uma fase de grupos em solo norte-americano.
- Retorno ao Mundial após 16 anos;
- Quartas de final em 2010 contra a futura campeã Espanha;
- Vitórias sobre Argentina e Brasil nas Eliminatórias;
- Estreia em 2026 contra o rival do primeiro hat-trick da história das Copas.
EUA x Paraguai hoje: reencontro com quase um século de história
Quando a bola rolar em Los Angeles, o jogo valerá três pontos, mas carregará uma coleção de marcos que atravessam gerações. De um lado, o país que inaugurou o livro dos hat-tricks e agora concentra a reta final da Copa em seus estádios. Do outro, uma seleção que ficou fora por quatro ciclos seguidos, desbancou campeões mundiais nas Eliminatórias e volta ao torneio justamente diante de um velho conhecido.
O placar desta noite entrará na estatística mais recente, mas o contexto já garante ao duelo um espaço particular na memória do Mundial. Entre recordes de sede, retornos longos e um hat-trick reconhecido 76 anos depois, EUA x Paraguai reafirma como uma partida de fase de grupos pode carregar quase um século de história em 90 minutos.
