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Copa mais cara da história começa com estádio vazio, protestos e show não televisionado

by Redação
12/06/26 14:50:05
in Giro Sportbuzz
Copa mais cara da história começa com estádio vazio, protestos e show não televisionado
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A Copa do Mundo mais cara da história começou com imagens que contrastam com o discurso de sucesso de vendas: arquibancadas vazias em Guadalajara, protestos em massa na Cidade do México e cerimônia de abertura no Azteca que sequer foi exibida pela TV aberta nos Estados Unidos. No campo, a Coreia do Sul virou para 2 a 1 sobre a República Tcheca. Fora dele, a discussão girou em torno de preços de ingressos, transparência e prioridades em um torneio que já nasce cercado de questionamentos.

O choque entre o público anunciado e o que se via na tela levantou dúvidas já na segunda partida do dia. Enquanto a Fifa fala em recorde de demanda, com meio bilhão de pedidos de ingressos, as cadeiras vazias, sobretudo em setores VIP, alimentam críticas ao modelo de precificação. Nesse contexto, a dinâmica da “Copa dos ingressos dinâmicos” voltou à pauta.

A Copa do Mundo de 2026 começou sob contraste entre recordes de receita e arquibancadas parcialmente vazias. (Crédito: Reprodução/CazéTV/Youtube)

Em Guadalajara, o estádio com capacidade para 45.664 pessoas recebeu Coreia do Sul e República Tcheca sob um cenário curioso: grandes blocos de assentos desertos, especialmente nas áreas mais caras, enquanto o locutor anunciava um público de 44.985 presentes. As imagens de TV exibiam filas dispersas, corredores tranquilos e um clima distante de estreia de Copa do Mundo.

Já a Fifa informou ter recebido 500 milhões de pedidos de ingressos, dez vezes mais do que nas duas edições anteriores do torneio. Mesmo com essa procura “recorde”, milhares de bilhetes continuavam encalhados em plataformas oficiais de revenda, inclusive para o jogo de abertura dos Estados Unidos contra o Paraguai.

Ingressos disponíveis às vésperas da estreia

Para se ter ideia, 48 horas antes da estreia da Copa, os torcedores ainda encontravam entradas para 87 dos 104 confrontos da fase de grupos. Ainda segundo levantamento do Financial Times, o método dinâmico afastou o público interessado no evento. O impacto direto dessa política aparece no bolso.

Mesmo após redução geral, ingressos para partidas consideradas menores seguem acima de 300 dólares. Em paralelo, dados do site TicketData apontam que entradas para a final da Copa 2026 circulam na casa de US$ 7.627 (cerca de R$ 38.8 mil). Valor que reflete o sistema de precificação dinâmica, que se alteram de acordo com oferta e demanda.

Como a precificação dinâmica muda o acesso aos estádios?

A Copa marca a adoção ampla da precificação dinâmica de ingressos, prática já comum em passagens aéreas e hotéis. No Mundial, isso significa que o preço de uma cadeira pode variar diversas vezes até o apito inicial, influenciado por fatores como data, seleção envolvida, tamanho do estádio e ritmo de vendas em cada setor.

Em teoria, o modelo permitiria ajustar o valor para preencher arquibancadas em jogos menos atrativos e capturar receita máxima em partidas muito disputadas. Já na prática, a percepção entre torcedores é de aumento da imprevisibilidade e afastamento de quem tenta planejar a viagem com antecedência.

Comparações com edições anteriores ajudam a dimensionar essa mudança. No Catar, os valores, apesar de altos, eram tabelados. A entrada mais barata para a final custava cerca de 750 riais (por volta de R$ 1,1 mil na época), e a mais cara, 5.850 riais (cerca de R$ 8,5 mil). Com a modalidade dinâmica, o valor de mercado para a decisão multiplicou várias vezes.

Mesmo com alta procura declarada pela organização, diversos jogos apresentavam bilhetes disponíveis na estreia da Copa. (Créditos: depositphotos.com / FreerLaw)

Protestos no México expõem tensão além das quatro linhas

Longe do gramado, a abertura ficou marcada por oito protestos simultâneos na Cidade do México. Grupos de mães em busca de filhos desaparecidos, o sindicato de professores CNTE, funcionários do Judiciário e entidades ligadas ao transporte tomaram as ruas e tentaram se aproximar do Estádio da Cidade do México. Contudo, acabaram bloqueados pela tropa de choque.

Organizações de direitos humanos aproveitam a visibilidade global da Copa para denunciar a crise de desaparecidos no país. O Registro Nacional contabiliza 134.460 pessoas nessa condição. Para alertar, exibiram cartazes, cruzes e fotos em marchas que pediam que o Mundial não ofuscasse o drama que se espalha por diversas regiões mexicanas.

No Zócalo, a fan zone montada para acompanhar os jogos virou outro ponto de tensão. Milhares tentaram furar barreiras montadas de última hora para conter grupos de manifestantes. Houve empurra-empurra, relatos de brigas, garrafas arremessadas e correria em áreas com crianças. As autoridades declararam o espaço “lotado” e pediram que torcedores migrassem para outros pontos oficiais.

Cerimônia com Shakira no Azteca, e TV em off nos EUA

Se a bola rolou em Guadalajara com cadeiras vazias, a cena no Estádio Azteca aconteceu o oposto. Os 83.264 lugares estavam ocupados para a vitória do México por 2 a 0 sobre a África do Sul, após uma cerimônia de abertura que reuniu Shakira, Burna Boy, mariachis e uma réplica dourada do troféu da Copa.

A cantora colombiana apresentou “Dai Dai”, hino oficial do torneio, diante de um público em clima de celebração. A festa, porém, não chegou a milhões de lares nos Estados Unidos. Isso porque a Fox optou por não transmitir a cerimônia ao vivo, priorizando análises em estúdio. Nas redes sociais, torcedores questionaram a decisão e cobraram acesso ao show, tornando o assunto mais comentado do que o jogo em si.

Entre estádios cheios para a seleção da casa, cadeiras vazias em jogos de menos apelo, ingressos flutuando e manifestações que tomaram a capital, a estreia da Copa do Mundo 2026 expôs um torneio dividido entre espetáculo global e tensão local.

Leia a matéria original

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