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Raios podem parar jogo do Brasil na Copa? Como funciona o protocolo FIFA e onde o risco é maior

by Redação
11/06/26 11:30:06
in Giro Sportbuzz
Raios podem parar jogo do Brasil na Copa? Como funciona o protocolo FIFA e onde o risco é maior
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Raios e tempestades de verão entram em campo na Copa do Mundo 2026 com um poder que nenhuma seleção tem: mandar todo mundo para o vestiário, parar o jogo por tempo indefinido e transformar uma partida de 90 minutos em uma maratona de horas. Em um Mundial espalhado por Estados Unidos, México e Canadá, em pleno verão do hemisfério norte, o risco climático passa a fazer parte do roteiro principal da competição.

O tema ganhou corpo depois da experiência recente em que torneios de pré-temporada e o Mundial de Clubes 2025 nos EUA ficaram marcados por jogos interrompidos por raios, estádios parcialmente esvaziados e jogadores à espera de liberação. A Copa 2026 herda o mesmo cenário meteorológico, mas agora com o peso de um calendário apertado e deslocamentos longos. Haverá partidas em cidades conhecidas pela combinação de calor, umidade e tempestades súbitas.

Como o protocolo de raios da FIFA interfere no jogo?

A engrenagem que pode parar partidas é o protocolo de segurança contra raios, adotado em eventos esportivos ao ar livre nos EUA e incorporado à operação da Copa. O mecanismo? Sempre que um raio for identificado dentro de um raio aproximado de 13 quilômetros do estádio, entra em cena uma espécie de botão de pausa obrigatório. Ele será acionado com base em dados de vigilância meteorológica e, em alguns casos, pelo simples som de trovões próximos.

A partir do momento em que esse alerta dispara, começa uma contagem de 30 minutos de espera. Esse relógio não corre em paralelo com o jogo, ele o substitui. E há uma regra-chave que deixa tudo mais imprevisível: se, durante esse intervalo, outro raio for registrado dentro da mesma área de risco, a contagem volta a zero. Assim, uma interrupção que parecia curta pode ganhar mais meia hora, depois outra, e assim por diante, até que a tempestade se afaste.

Nesse período, o árbitro manda os times para o túnel, comissões se recolhem para áreas protegidas e torcedores deixam setores descobertos. Quando a meteorologia libera o retorno, ainda há o tempo de aquecimento, porque os atletas saem de um estado de quase repouso para um esforço intenso. Em termos práticos, a paralisação por raios tem força para desfigurar o ritmo de qualquer confronto.

O protocolo de segurança obriga a paralisação de partidas em estádios abertos sempre que há risco de descargas elétricas na região. (Crédito: Reprodução/CazéTV)

Protocolos Fifa de calor x de tempestade: o que muda na Copa?

Ao lado dos raios, o calor extremo também está na pauta, mas com uma lógica diferente. Para a temperatura, a FIFA determinou pausas fixas, já programadas em cada tempo, de cerca de três minutos, por volta dos minutos 22 e 67. O parâmetro central visa a temperatura de bulbo úmido, índice que combina sensações de calor, umidade, vento e incidência solar para medir o impacto real sobre o corpo em esforço.

Essas paradas para hidratação entram no planejamento dos times e valem para estádios abertos e cobertos. Ou seja, independentemente de teto, clima interno ou localização da partida. Elas quebram o jogo, mas por poucos minutos, com data e hora dentro do cronograma.

Já o protocolo de tempestade trata-se do oposto disso. Não tem minuto marcado, tampouco depende do andamento da partida e não olha para o placar. Reativo, ele aparece quando o sistema de monitoramento aponta perigo de descargas elétricas perto do estádio ou quando trovões denunciam uma célula de tempestade na região. A partir dali, o jogo passa por uma combinação entre meteorologia e segurança pública, mais do que por tática ou estratégia esportiva.

O que o Mundial de Clubes 2025 revelou sobre o risco dos raios?

Um ano antes da Copa, o Mundial de Clubes organizado nos Estados Unidos funcionou como um grande teste para esse protocolo de raios. Partidas em diferentes cidades acabaram interrompidas por tempestades, com paralisações superiores a uma hora e estádios inteiros aguardando dentro das regras de proteção.

Em uma das situações mais emblemáticas, Chelsea x Benfica se caminhava para o fim do segundo tempo, mas acabou estendido por quase cinco horas somando bola rolando e espera. Em outro, a chuva acompanhada de raios chegou antes do apito inicial, e os times voltaram para o vestiário sem que a partida sequer começasse. Houve também confrontos que travaram no intervalo, com torcedores ocupando áreas cobertas enquanto a contagem de 30 minutos reiniciava sucessivas vezes.

Treinadores relataram que, depois de uma pausa de 90 minutos, o comportamento das equipes em campo mudava como se fosse outro jogo. Algumas voltavam com substituições em bloco, outras com alteração no plano tático, aproveitando para reposicionar o time. Do ponto de vista físico, a transição de aquecimento e adrenalina para um longo período sentado ou em leve movimentação gerou debates sobre risco de lesão.

Paralisações por raios marcaram o Mundial de Clubes 2025 e serviram como alerta para a Copa do Mundo. (Créditos: depositphotos.com / [email protected])

Estádios com teto: onde os raios deixam de ditar o ritmo?

Diante desse histórico, a organização da Copa 2026 reagiu em duas frentes. Uma delas contou com ajuste de horários: jogos em regiões mais quentes e suscetíveis a tempestades intensas foram deslocados, sempre que possível, para faixas noturnas. Isso quando a atividade convectiva costuma ser menor em parte das sedes. A outra visou intensificar o uso de arenas com teto retrátil ou cobertura completa, equipadas com ar-condicionado e sistemas de controle climático interno.

Cidades como Atlanta, Dallas, Houston, Los Angeles e Vancouver concentram estádios com essas características. Quando o teto é fechado e a estrutura garante isolamento adequado, o risco de descargas próximas ao gramado praticamente deixa de afetar o andamento da partida, mesmo que a tempestade esteja ativa do lado de fora. O público permanece sob cobertura, o campo não é exposto diretamente, e o protocolo de raios perde o protagonismo.

O problema é que essa não é a realidade da maioria das arenas da Copa. Muitos estádios seguem o desenho clássico de arena aberta ou com cobertura parcial, que protege arquibancadas mas deixa gramado e áreas laterais expostos. Nesses casos, a regra de segurança continua valendo na íntegra: detectou raio na zona de 13 quilômetros, jogo interrompido, independentemente da presença de marquise, telão ou estruturas metálicas acima do público.

Raios podem parar o Brasil na fase de grupos da Copa?

Dentro desse cenário, a agenda da Seleção Brasileira chama atenção. O time está no Grupo C, com Marrocos, Haiti e Escócia, e faz os três primeiros jogos em arenas sem cobertura total, em cidades marcadas por verões quentes e instáveis. Não há partida da fase de grupos programada para os estádios climatizados com teto usado como escudo contra tempestades.

O primeiro compromisso é contra Marrocos, em 13 de junho, no estádio de Nova York/Nova Jersey, o MetLife, uma arena aberta sujeita a variações rápidas de clima. Depois, o Brasil enfrenta o Haiti no dia 19, na Filadélfia, cidade associada a ondas de calor e períodos de instabilidade no meio do ano. O terceiro jogo é contra a Escócia, em 24 de junho, em Miami, região conhecida pela repetição de tempestades de verão, muitas vezes concentradas no fim de tarde.

O mapa climático coloca esses três jogos exatamente no tipo de ambiente em que, recentemente, clubes viveram paralisações longas por raios. Com o protocolo de segurança em vigor e a campanha da Seleção passando por estádios abertos, cada partida carrega um segundo roteiro: o do placar e o do céu.

Leia a matéria original

Tags: BrasilCalor extremochuvacondições climáticaCopa do mundo 2026.Fase de GruposFutebolfutebol mundialjogo paralisadoJogosMundial de Clubesprotocolo FIFAraiossegurança nos estádiosSeleçao BrasileiraSportbuzztempestade
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