Faltando menos de 48 horas para a bola rolar na Copa do Mundo 2026, a Fifa ainda tenta esvaziar o estoque de ingressos da fase de grupos. Segundo o jornal britânico Financial Times, cerca de 180 mil bilhetes seguem disponíveis na plataforma de revenda da entidade. Número que contrasta com a imagem de demanda praticamente inesgotável em torno do principal torneio de seleções do planeta.
O Mundial começa nesta quinta-feira (11), com o duelo entre México e África do Sul, jogo que inaugura a primeira edição da Copa com 48 seleções. Mesmo assim, a competição ainda registra entradas disponíveis para boa parte dos confrontos iniciais. Esse cenário, inclusive, alimenta questionamentos sobre a política de preços adotada pela organização.
Fifa ainda tem 180 mil ingressos na véspera da Copa
De acordo com o levantamento do jornal, torcedores ainda encontram ingressos para 87 dos 104 jogos previstos no calendário da Copa. A maior parte dessas entradas aparece na plataforma oficial de revenda da Fifa, ferramenta criada para que quem desistiu de ir ao estádio possa repassar seu bilhete de forma segura.
Na prática, porém, muitos desses assentos reaparecem com valores mais altos do que os praticados na venda original, o que aumenta a percepção de que o custo de ir ao estádio subiu demais. A manutenção desse volume de ingressos disponíveis às vésperas do pontapé inicial alerta para procura aquém do que a entidade projetava, ao menos em parte dos compromissos da fase de grupos.
Enquanto isso, o calendário se aproxima do jogo de abertura em solo mexicano, estreando uma Copa distribuída também por estádios dos Estados Unidos e do Canadá. Em muitos desses mercados, o público tem tradição de decidir a compra de ingressos mais perto do evento, mas o número de bilhetes ainda em oferta coloca em evidência a discussão sobre acesso e preço.

Ingressos caros afastam torcedores da fase de grupos?
A questão dos ingressos da Copa 2026 ocupa o centro do debate desde o início das vendas. Críticas se concentram, principalmente, no valor cobrado por setores considerados mais acessíveis em edições anteriores. Em vez de explorar o apelo do torneio global para levar novos públicos aos estádios, a estratégia de precificação da Fifa acabou associada, por parte do mercado, a um modelo que prioriza a maximização de receita a curto prazo.
O cenário atual, com milhares de bilhetes ainda encalhados na revenda oficial, reforça essa leitura. A entidade não divulgou índices de ocupação por jogo, mas a simples existência desse volume de ingressos perto do início do torneio indica que a demanda não acompanhou, em alguns casos, o patamar de preços definido para a fase inicial.
- 180 mil ingressos ainda disponíveis na revenda;
- Bilhetes para 87 de 104 partidas seguem à venda;
- Preços na revenda costumam superar o valor original;
- Críticas se concentram na política de preços da Fifa;
Demanda menor muda a imagem tradicional da Copa?
Historicamente, a Copa do Mundo é associada a ingressos esgotados em poucos minutos, filas virtuais extensas e grande disputa por lugares nas arquibancadas, sobretudo nas fases decisivas. Desta vez, a fotografia é diferente, pelo menos quando se olha para a etapa de grupos.
Em edições anteriores, a grande dificuldade era conseguir um lugar nas partidas mais atrativas, enquanto jogos de menor apelo também registravam bons índices de ocupação. Agora, o levantamento indica que até confrontos dessa fase seguem com entradas no mercado oficial a menos de dois dias do início do torneio.
Ainda assim, a Fifa trabalha com a perspectiva de que uma parcela significativa dos torcedores opte pela compra em cima da hora, comportamento comum em grandes eventos esportivos organizados em solo norte-americano. A expectativa interna é que muitos façam a escolha final apenas quando tiverem clareza sobre logística, deslocamentos e programação das seleções favoritas.
Copa de 2026 mira recordes mesmo com ingressos sobrando
A Copa do Mundo de 2026 será a maior da história em tamanho e abrangência. O torneio reúne 48 seleções e terá 104 partidas, espalhadas por 16 cidades-sede em três países diferentes: Estados Unidos, Canadá e México.
Mesmo com o desafio de vender os últimos ingressos da fase de grupos, a Fifa projeta números expressivos de público e receita. A ampliação do formato, o aumento no número de jogos e a distribuição geográfica em grandes mercados consumidores indicam potencial para superar os recordes registrados em edições anteriores.

