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Glazer no Manchester United: como a família criou uma das eras mais rejeitadas do futebol

by Redação
04/06/26 11:50:05
in Giro Sportbuzz
Glazer no Manchester United: como a família criou uma das eras mais rejeitadas do futebol
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O nome da família Glazer voltou ao centro do noticiário esportivo e reacendeu um debate que acompanha o Manchester United há mais de duas décadas. Em Old Trafford, qualquer sinal de nova venda de participação já não é visto apenas como ajuste de mercado, mas como mais um capítulo de uma relação desgastada entre proprietários e torcida.

A relação voltou à tona a partir da movimentação mais recente dos proprietários. Segundo a Bloomberg, a família Glazer está considerando vender o clube inglês por um valor superior a R$ 36 bilhões. Mas decisões controversas desta relação já se arrastam há mais de 20 anos. Desde 2005, os americanos estiveram associados a um modelo financeiro agressivo, à transformação do United em ativo de investimento e a uma sequência de temporadas abaixo das que o clube sustentou sob Sir Alex Ferguson.

A possível nova movimentação acionária, agora com Jim Ratcliffe instalado na operação de futebol, recoloca em pauta uma pergunta recorrente em Manchester: até que ponto os Glazer ainda conseguem seguir no comando sem romper de vez com a base social do clube?

Como a compra dos Glazer mergulhou o Manchester United em dívida?

A origem do conflito remonta à própria forma como os Glazer chegaram ao Manchester United. Malcolm Glazer começou a adquirir ações em 2003, avançando aos poucos até a compra total em 2005, em uma operação estimada em cerca de 790 milhões de libras. O ponto central da rejeição foi o modelo de compra alavancada, financiada por empréstimos que empurraram aproximadamente 600 milhões de libras diretamente para o balanço do clube, que até então operava praticamente sem dívidas relevantes.

Para parte significativa da torcida, o negócio simbolizou uma “tomada” do United com o próprio escudo como garantia bancária. O clube então passou a carregar uma estrutura de dívida pesada, com juros elevados e encargos que drenaram recursos de investimento em elenco, estádio e infraestrutura. Ao longo dos anos, relatórios e análises financeiras apresentaram números que alimentaram o sentimento de que a família retirava mais dinheiro do que devolvia em forma de aporte.

Entre 2005 e 2024, o United pagou mais de 815 milhões de libras apenas em juros. Ou seja, um montante que poderia ser direcionado para reforços ou modernização de instalações. Paralelamente, enquanto o clube acumulava prejuízos operacionais, os Glazer retiraram mais de 166 milhões de libras em dividendos, algo incomum na Premier League, onde clubes raramente remuneram proprietários dessa forma. Resultado? A dívida bruta ultrapassou 749 milhões de libras.

Protesto da torcida do United contra família Glazer (Crédito: Reprodução de vídeo/Youtube)

“Love United, Hate Glazer”: por que os protestos viraram parte da rotina?

A rejeição à família não ficou restrita a relatórios financeiros. Desde os primeiros anos, a resistência se manifestou em faixas, cânticos e campanhas organizadas. O slogan “Love United, Hate Glazer” se espalhou como marca, estampando bandeiras, camisetas e movimentos coordenados de torcedores dentro e fora de Old Trafford.

Em maio de 2021, uma manifestação contra os Glazer antes de um clássico contra o Liverpool resultou na invasão do entorno do estádio e no adiamento da partida. A imagem de torcedores ocupando acessos de Old Trafford correu o mundo e se tornou um dos atos de contestação mais fortes do futebol inglês recente.

Em agosto de 2022, cerca de 10 mil pessoas marcharam até o estádio pedindo a saída da família. A imprensa tratou o protesto como recado de que a rejeição que ultrapassava o universo digital e entrava de vez na rotina de dias de jogo. A partir de 2023, as manifestações se intensificaram, com bloqueios, boicotes e faixas contra a demora na definição do futuro do clube depois que os Glazer anunciaram que avaliariam “alternativas estratégicas”.

Cada silêncio da família alimentava a percepção de que a prioridade continuava sendo maximizar o valor do ativo, não encerrar o impasse com a torcida. A relação entre Manchester United, Glazer e dívida havia se tornado, também, uma disputa de narrativa.

Como a crise de desempenho agravou a imagem dos Glazer?

O desgaste financeiro coincidiu com uma mudança profunda na performance esportiva do Manchester United. Após a aposentadoria de Sir Alex Ferguson, em 2013, o clube investiu mais de 2 bilhões de libras em contratações, mas não reencontrou o padrão de competitividade. Sem uma estrutura clara, com trocas constantes de treinadores e elencos desequilibrados, o United viu a distância para os concorrentes crescer na Premier League e na Champions.

A combinação de gastos e resultados irregulares cristalizou uma contradição: o clube desembolsava somas recordes, mas parecia cada vez menos organizado. A ausência de uma linha esportiva consistente, a sensação de perda de identidade e a sucessão de projetos interrompidos transformaram a crítica aos proprietários em algo transversal. Torcedores e parte da imprensa passaram a tratar a “era Glazer” como símbolo de desordem administrativa e queda de padrão competitivo.

Venda total, venda parcial ou reposicionamento? A chegada de Jim Ratcliffe muda o quê?

A pressão por mudança ganhou tração a partir de 2022, quando a família Glazer comunicou que avaliaria diferentes caminhos para o futuro do clube. O anúncio abriu uma disputa de bastidores, com propostas e cenários de venda total ou parcial. Parte dos torcedores defendia a saída completa dos americanos; outra ala aceitava um novo sócio, desde que ele assumisse o comando esportivo.

O primeiro movimento concreto ocorreu no fim de 2023, com a venda de até 25% do United ao bilionário Jim Ratcliffe, dono da INEOS. A operação, aprovada pela Premier League em fevereiro de 2024, foi tratada como o maior abalo na estrutura de poder dos Glazer desde 2005. Ratcliffe assumiu a gestão do futebol e se comprometeu a injetar cerca de 300 milhões de dólares em investimentos, voltados especialmente para infraestrutura.

Sir James Arthur “Jim” Ratcliffe (Crédito: depositphotos.com/[email protected])

Na prática, o novo sócio iniciou um plano agressivo de reestruturação. Houve corte de cerca de 40% do quadro corporativo, redução de custos excessivos e reformulação da diretoria e do departamento de scout. Além disso, o bilionário destinou recursos próprios para modernizar o CT e planejar um novo Old Trafford, sem gerar dívidas adicionais para o clube.

Mesmo assim, a presença dos Glazer como acionistas majoritários manteve aberto o debate sobre controle e legado. A chegada da INEOS melhorou a capacidade de reação do Manchester United, mas não apagou o passivo financeiro acumulado em duas décadas.

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Tags: crisedívidasFamília Glazerfutebol internacionalJim Ratcliffe​​manchester unitedPremier LeagueprotestosSportbuzzvenda
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