O Cruzeiro vive um momento de retomada em 2026, mas convive com um dado que chama atenção. Entre os seis grandes brasileiros que avançaram às oitavas de final da Libertadores — Corinthians, Flamengo, Cruzeiro, Palmeiras, Fluminense e Mirassol — apenas o clube mineiro não terá jogador na Copa do Mundo, disputada em Estados Unidos, Canadá e México.
O contraste ganha força porque o time de Artur Jorge apresenta o melhor aproveitamento da década no clube, mas segue sem representante no maior palco do futebol de seleções.
Flamengo, Palmeiras, Corinthians e Fluminense chegam ao Mundial com protagonistas espalhados em diferentes seleções, enquanto o Cruzeiro observa à distância. O clube soma agora duas edições seguidas sem atletas convocados, repetindo a ausência de 2022. No histórico, a Raposa já passa por 14 Copas do Mundo sem representantes, um padrão raro entre os integrantes do chamado G12 do futebol brasileiro.

Cruzeiro sem Copa do Mundo: por que o único entre os grandes?
O ponto que mais desperta debate em torno do Cruzeiro está na distância entre desempenho coletivo e reconhecimento individual. Sob o comando de Artur Jorge, a equipe se classificou na Libertadores e alcançou índices de aproveitamento que recolocam o clube em evidência no continente.
Mesmo assim, a lista final de 26 jogadores anunciada por Carlo Ancelotti em 18 de maio não incluiu nenhum nome ligado à Toca da Raposa — e o mesmo se repetiu nas demais seleções nacionais. A situação se torna ainda mais emblemática quando comparada aos rivais diretos.
O Flamengo lidera o ranking de fornecimento de jogadores ao Mundial entre os clubes do Brasileirão, enquanto Palmeiras, Corinthians e Fluminense também marcam presença. O Cruzeiro, por outro lado, se vê como o único do G12 sem atleta em campo na Copa de 2026, mesmo inserido entre os classificados às oitavas da Libertadores.
Cruzeiro na Copa do Mundo: o paradoxo dos convocados
Na reta final do processo de convocação da Seleção Brasileira, o Cruzeiro figurou entre os clubes com maior número de atletas na pré-lista de Carlo Ancelotti. Cinco nomes apareceram entre os 55 possíveis escolhidos: Fabrício Bruno, Kaiki, Gerson, Matheus Pereira e Kaio Jorge. O clube ficou atrás apenas do Flamengo na relação, o que alimentou a expectativa nos bastidores da Toca.
A lista definitiva, no entanto, seguiu outro caminho. Nenhum dos cinco cruzeirenses permaneceu entre os 26 convocados para a Copa. O caso de Gerson ganhou maior repercussão, já que o meio-campista integrou a primeira convocação de Ancelotti ainda no período de Flamengo e, depois de passagem pelo Zenit, retornou ao Brasil com o objetivo de recuperar espaço na Seleção.

Quem vai à Copa entre os rivais do Cruzeiro?
Enquanto o Cruzeiro permanece sem representantes, os outros clubes brasileiros que avançaram na Libertadores veem seus elencos espalhados pela Copa do Mundo 2026. O Flamengo lidera essa lista com folga, com nove atletas convocados para quatro seleções diferentes, e ainda assume o posto de maior fornecedor do Brasileirão para o torneio.
- Flamengo: 9 convocados entre Seleção Brasileira (4), Uruguai (3), Equador (1) e Colômbia (1). Entre os brasileiros, aparecem Danilo, Alex Sandro, Léo Pereira e Lucas Paquetá.
- Palmeiras: 7 jogadores distribuídos entre Paraguai (3), Uruguai (2), Colômbia (1) e Argentina (1). Entre os nomes mais conhecidos estão Flaco López (Argentina), Jhon Arias (Colômbia) e Gustavo Gómez (Paraguai).
- Corinthians: 1 representante, o atacante Memphis Depay, convocado pela seleção da Holanda. O goleiro Hugo Souza integrou a pré-lista do Brasil, mas acabou cortado na etapa final.
- Fluminense: 1 convocado, o uruguaio Agustín Canobbio.
Keny Arroyo e a frustração dupla no Cruzeiro
A ausência de cruzeirenses na Copa de 2026 não se limita à Seleção Brasileira. O atacante equatoriano Keny Arroyo, de 20 anos, também viveu a expectativa de disputar o Mundial e terminou fora da lista. O jogador chegou ao clube em setembro de 2025 com um objetivo claro: ganhar espaço, retomar protagonismo e se firmar na seleção do Equador.
Arroyo, que veste a camisa 99 da Raposa, encarou concorrência pesada no ataque equatoriano. Pontas como Alan Minda, do Atlético-MG, e Gonzalo Plata, do Flamengo, ocuparam as vagas e deixaram o atacante cruzeirense fora do grupo que viaja à Copa.
Histórico do Cruzeiro em Copas do Mundo: um vazio prolongado
O recorte se encaixa em um histórico mais amplo de ausências do Cruzeiro em Copas. O último jogador do clube a disputar um Mundial foi o meia Giorgian De Arrascaeta, pelo Uruguai, em 2018, na Rússia. Já o último cruzeirense a defender a Seleção Brasileira em Copas foi o lateral Gilberto, em 2010, na África do Sul.
Na prática, o clube chega à Copa de 2026 com um intervalo de oito anos sem representantes em seleções estrangeiras e 16 anos sem um jogador convocado pela equipe brasileira. Ao todo, a Raposa soma 14 edições da Copa sem atletas inscritos, um dado que contrasta com o peso histórico do clube no cenário nacional.
- Último jogador do Cruzeiro em Copa: Giorgian De Arrascaeta, Uruguai, 2018.
- Último cruzeirense na Seleção Brasileira em Mundial: Gilberto, Brasil, 2010.
