Abel Ferreira vai encarar nesta quinta-feira (28) um cenário que junta duas marcas do trabalho recente no Palmeiras: a pressão por resultado na Libertadores e o foco constante na arbitragem. O jogo contra o Junior Barranquilla, no Allianz Parque, fecha a fase de grupos em clima de decisão, e cada apito tende a ganhar peso extra diante das cobranças que o treinador vem fazendo à Conmebol.
A escolha da Conmebol por Cristián Garay como árbitro não aponta para uma rivalidade com Abel, mas coloca o chileno no centro de uma noite em que a arbitragem estará em foco. O técnico transformou o tema em pauta fixa das coletivas, e qualquer escalação para partidas decisivas do Verdão virou elemento de atenção, sobretudo quando a classificação ainda está em aberto.
Cristián Garay já apitou o Palmeiras, mas não vira “personagem”
A designação de Cristián Garay, auxiliado por José Retamal e Miguel Rocha, com Rodrigo Carvajal no VAR, chega sem bagagem de polêmicas com o Palmeiras. O chileno já comandou três partidas do clube, com retrospecto de duas vitórias e um empate, e não carrega episódios marcantes que o coloquem como antagonista direto do treinador português.
Os registros mostram essa relação de forma objetiva. Garay apitou Palmeiras 6 x 0 Universitario, pela Libertadores de 2021; esteve em Palmeiras 0 x 0 Deportivo Pereira em 2023 e comandou Independiente del Valle 2 x 3 Palmeiras em abril de 2024. São jogos importantes, mas sem casos que tenham alimentado contestações públicas de Abel.

Por isso, o árbitro chega à decisão como figura neutra em termos de histórico. O ponto de tensão não nasce de um passado polêmico, mas do ambiente criado pelo técnico nas últimas temporadas, com críticas ao trabalho da arbitragem sul-americana e ao uso do VAR em momentos decisivos.
Por que Abel Ferreira coloca a arbitragem no centro da narrativa?
A palavra-chave da noite passa menos por Cristián Garay e mais pelo relacionamento de Abel Ferreira com a arbitragem. O treinador tem reforçado em entrevistas recentes sua insatisfação com decisões da Conmebol, como no lance de possível expulsão de Erick Pulgar na final da Libertadores de 2025. Segundo ele, o “VAR não funcionou” naquela decisão.
Contra o Junior Barranquilla, esse pano de fundo ganha força porque a margem de erro é pequena. Em jogos em que a classificação está em risco e o desempenho não atinge o patamar dos anos anteriores, qualquer falta, cartão ou revisão no vídeo tende a ser analisado sob a lente de um treinador que já declarou publicamente insatisfação com o padrão de arbitragem na Libertadores.

Situação do Grupo F aumenta o peso de cada decisão
A noite desta quinta-feira não vale só mais três pontos para o Palmeiras de Abel Ferreira. A tabela coloca o time em um cenário de múltiplos desfechos, ligados ao resultado no Allianz e ao jogo entre Cerro Porteño x Sporting Cristal. Antes da rodada final, o quadro é o seguinte:
- Cerro Porteño: 10 pontos e vaga já garantida
- Palmeiras: 8 pontos e situação indefinida
- Sporting Cristal: 6 pontos ainda na briga
- Junior Barranquilla: 4 pontos e já eliminado
Nesse contexto, o Palmeiras vive três cenários possíveis:
- Primeiro lugar: vence o Junior e torce para o Cerro não vencer o Sporting Cristal.
- Segundo lugar: depende de si; com vitória, garante a vaga, mantendo-se à frente do Sporting Cristal.
- Eliminação precoce: perde para o Junior e vê o Sporting Cristal vencer o Cerro; ficaria com 8 pontos, atrás dos 9 do rival peruano.
Além do risco esportivo, o desempenho na chave já chama atenção. Com 53% de aproveitamento até aqui, trata-se da pior fase de grupos de Abel no comando palmeirense na Libertadores. Em 2025, por exemplo, o time passou com seis vitórias em seis jogos, o que aumenta a sensação de cobrança em 2026.
