Argentina e Inglaterra vão se enfrentar por uma vaga na final da Copa do Mundo. Depois de eliminar a Noruega por 2 a 1, na prorrogação, a Inglaterra garantiu vaga na semifinal. A Argentina também precisou do tempo extra para superar a Suíça por 3 a 1. Agora, o reencontro traz de volta uma rivalidade antiga.
As Malvinas e o início da rivalidade
A origem da rivalidade começou em 1982, quando Argentina e Reino Unido travaram a Guerra das Malvinas pela posse do arquipélago localizado no sul do Oceano Atlântico. O conflito durou pouco mais de dois meses e terminou com vitória britânica. Ao todo, morreram 649 militares argentinos, 255 combatentes britânicos e três moradores das ilhas. Desde então, a questão das Malvinas tornou-se um dos principais símbolos da identidade nacional argentina.
Mesmo décadas depois, o tema segue sendo alvo de disputas diplomáticas entre os dois países. Presidentes argentinos como Cristina Kirchner, Mauricio Macri e o atual mandatário, Javier Milei, defenderam a reivindicação da soberania sobre o arquipélago, chamado de Falklands pelos britânicos. Em 2013, um plebiscito realizado entre os moradores das ilhas decidiu pela permanência como território ultramarino do Reino Unido.
O dia em que Maradona decidiu o clássico
O jogo que consolidou a rivalidade entre Argentina e Inglaterra aconteceu em 22 de junho de 1986, nas quartas de final da Copa do Mundo, no Estádio Azteca, na Cidade do México. Com arquibancadas lotadas e mais de 114 mil pessoas, a seleção argentina venceu por 2 a 1 e viu Diego Maradona assumir o papel de protagonista absoluto.
Maradona abriu o placar em um lance que até hoje divide opiniões. O camisa 10 subiu com Peter Shilton e empurrou a bola para a rede com a mão, em um gol que ficou conhecido como “La Mano de Dios”. Poucos minutos depois, porém, ele entregou a jogada mais bonita daquela tarde: recebeu a bola ainda no campo de defesa, avançou em velocidade, deixou adversários pelo caminho e concluiu uma arrancada histórica para fazer o segundo gol argentino. Mas foi o gol de mão que realmente marcou aquele duelo e acabou ficando mais lembrado e comentado do que a jogada genial.
Anos depois, o próprio Maradona resumiu o lance com uma frase: “Foi como se tivesse roubado a carteira de um inglês.” A vitória levou a Argentina à semifinal, onde a equipe bateu a Bélgica por 2 a 0 antes de superar a Alemanha por 3 a 2 na decisão, e conquistar o segundo título mundial.
O passado reaparece na semifinal
O reencontro entre Argentina e Inglaterra em 2026 mostra que a rivalidade permanece viva. Após eliminar a Suíça, os jogadores argentinos comemoraram a classificação cantando “La Cuarta Estrella”, música que se tornou um dos símbolos da torcida neste Mundial, escrita pelo influenciador digital Pablo Quintana.
Em um vídeo publicado pelo zagueiro Nicolás Otamendi, o elenco aparece cantando um dos trechos mais conhecidos da canção: “Pelas Malvinas, por Diego e pela última de Leo.” A letra faz referência à Guerra das Malvinas, homenageia Diego Maradona e Lionel Messi e reforça o desejo da seleção de conquistar o bicampeonato mundial.
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