A polêmica envolvendo o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan ganhou mais um capítulo às vésperas da Copa do Mundo de 2026. Nesta quarta-feira, o ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, criticou duramente a entidade e Gianni Infantino após o oficial ser impedido de entrar nos Estados Unidos, um dos países-sede do torneio.
Em entrevista ao jornal francês L’Équipe, Blatter classificou o episódio como “inacreditável e absurdo” e afirmou que a Fifa falhou ao não garantir a entrada de um dos árbitros selecionados para trabalhar na competição.
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“É inacreditável e absurdo. Quando um país é escolhido para sediar uma Copa do Mundo, existem dois princípios sagrados e fundamentais”, afirmou o ex-dirigente.
Segundo Blatter, a segurança do evento e a concessão de vistos para todos os representantes oficiais da Fifa deveriam ser garantidas pelo país anfitrião.
“Não há nada mais oficial do que um árbitro. Se um país nega a entrada a um árbitro, é um problema sério, e a Copa do Mundo não deveria ser realizada em tal país”, completou.
Artan foi barrado após passar por uma longa entrevista com agentes de imigração dos Estados Unidos. De acordo com o relato do próprio árbitro, ele permaneceu cerca de 11 horas sob interrogatório, chegou a ser levado para uma cela de retenção e acabou deportado.
A Fifa confirmou posteriormente que o somali está fora da Copa do Mundo e alegou não ter influência sobre decisões migratórias dos países-sede. A justificativa, porém, não convenceu Blatter.
“A culpa recai principalmente sobre a Fifa. Ela abandonou esse princípio, que os Estados Unidos não respeitaram. Não podemos impedir o torneio, mas é ultrajante”, declarou.
O ex-presidente também direcionou críticas a Gianni Infantino e à relação da entidade com o governo norte-americano. “O atual presidente deveria mostrar que é mais forte que seu bom amigo na Casa Branca. Quando você começa a deixar a política te controlar, é ruim”, disse.
O caso acontece poucos dias antes do início do Mundial e aumenta os questionamentos sobre a organização do torneio, que será disputado em Estados Unidos, México e Canadá. Eleito o melhor árbitro da África em 2025, Artan era um dos representantes mais prestigiados do continente na competição.
