A Seleção Argentina, atual detentora do título mundial, atravessa um dos momentos mais turbulentos de sua história recente às vésperas de defender sua coroa. O que deveria ser um período de ajustes técnicos transformou-se em umacrise sem precedentes, alimentada por um escândalo de corrupção na AFA, críticas pesadas do goleiro Dibu Martínez e a incerteza pública de Lionel Scaloni sobre a convocação de Messi. Na última terça-feira, 31, o ambiente azedou de vez após a goleada por 5 a 1 sobre a Zâmbia, quando torcedores interromperam a coletiva do treinador para protestar contra o nível dos adversários escolhidos pela federação.
Messi fora da Copa?
A maior preocupação do torcedor albiceleste, no entanto, reside no futuro do seu maior ídolo. Durante a última semana, o técnico Lionel Scaloni evitou cravar a presença de Lionel Messi no próximo Mundial.. Tentando conter o incêndio, o volante Rodrigo De Paul foi a público pedir união nacional. “Gosto que nos julguem pelo que fazemos dentro de campo. O país, em vez de se unir, muitas vezes destrói ou gera polêmicas. Se quisermos defender o que conquistamos, todo o país precisa estar unido”, desabafou o meio-campista ao jornal argentino Olé.
Dentro das quatro linhas, o desempenho também é alvo de artilharia pesada. Mesmo com vitórias, as exibições recentes contra Mauritânia e Zâmbia não convenceram os líderes do grupo. O goleiro Dibu Martínez não poupou palavras ao analisar o rendimento da equipe após o duelo contra os mauritanos. “Foi bem fraco. Foi uma das piores partidas que já fizemos. Faltou intensidade, jogo e velocidade. Quando vestirmos a camisa da seleção, temos que jogar muito melhor”, disparou o arqueiro, evidenciando que a insatisfação também é interna.
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Escândalo na AFA e futebol paralisado no país
Se em campo o clima é tenso, fora dele a situação é jurídica. A Associação de Futebol da Argentina (AFA) é alvo de uma investigação por retenções indevidas de impostos que somariam bilhões de pesos. O presidente da entidade, Claudio Tapia, está sob a mira da justiça, que determinou o bloqueio de bens da federação. Em retaliação e como forma de protesto contra o governo — que defende a transformação dos clubes em sociedades esportivas —, a AFA paralisou as competições nacionais por alguns dias, decisão apoiada por quase todos os clubes, com exceção do Estudiantes.
