O cenário geopolítico colocou a Fifa em xeque nesta segunda-feira, 16, após o Irã formalizar um pedido para transferir todos os seus jogos da Copa do Mundo dos Estados Unidos para o México. A decisão, confirmada pelo presidente da federação iraniana, Mehdi Taj, surge como resposta direta às recentes declarações de Donald Trump, que questionou a segurança da delegação em solo americano. O imbróglio ocorre em meio a um clima de extrema tensão militar entre os países, tornando a logística da competição um dos maiores desafios diplomáticos da história do esporte moderno.
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A crise estourou após ataques aéreos conjuntos de Estados Unidos e Israel contra Teerã, que resultaram na morte do líder supremo da República Islâmica. Diante do conflito, o presidente americano indicou que talvez não fosse apropriado que a equipe atuasse nos EUA pela sua própria segurança. “Quando Trump declara explicitamente que não pode garantir a segurança da seleção iraniana, certamente não viajaremos para os Estados Unidos”, disparou Mehdi Taj. Atualmente, o plano para o Irã ir à Copa envolve negociações diretas com a Fifa para que os confrontos contra Bélgica, Egito e Nova Zelândia sejam realocados para cidades mexicanas.
Risco de desistência
Caso a transferência para o México seja negada, o Mundial pode enfrentar sua primeira desistência oficial na era moderna. O Irã, que garantiu sua quarta classificação consecutiva ao liderar seu grupo nas Eliminatórias Asiáticas, tem partidas agendadas para Los Angeles e Seattle. Embora a mudança represente um desafio organizacional imenso, o precedente de jogos em sedes neutras por conflitos políticos já existe no futebol e em outros esportes, como no críquete entre Índia e Paquistão. Até o momento, a Fifa e os comitês organizadores locais optaram pelo silêncio.
Apesar da postura rígida da federação e do Ministério dos Esportes do Irã, a Confederação Asiática de Futebol (AFC) mantém cautela sobre o desfecho do caso. Em entrevista concedida em Kuala Lumpur, nesta segunda-feira, o secretário-geral Windsor John afirmou que a entidade ainda não recebeu uma notificação formal de retirada.
