O combinado nórdico segue como uma exceção incômoda no programa olímpico. A modalidade, que reúne salto de esqui e esqui cross-country, é o único esporte dos Jogos Olímpicos de Inverno que nunca permitiu a participação de mulheres. A exclusão ganha ainda mais peso com o início de Milão-Cortina 2026, em um cenário em que o movimento olímpico tenta reforçar o discurso de paridade de gênero.
O contraste fica evidente no caso dos irmãos americanos Annika e Niklas Malacinski. Enquanto Niklas, apenas o 29º do ranking mundial masculino, estará nos Jogos pela equipe dos Estados Unidos, Annika, atual 10ª do ranking feminino, não tem sequer a chance de competir. A diferença não é técnica, mas estrutural: a prova feminina simplesmente não existe no programa olímpico.
A situação contradiz o discurso do Comitê Olímpico Internacional, que celebrou Paris-2024 como a primeira Olimpíada com divisão igual entre homens e mulheres. Em Milão-Cortina, as mulheres devem representar cerca de 47% dos atletas, com exceção clara do combinado nórdico, que permanece fechado ao público feminino mesmo após décadas de evolução esportiva.
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O COI argumenta que a modalidade enfrenta problemas de popularidade e competitividade no masculino, com queda no número de atletas e domínio histórico de poucos países. Em 2026, apenas 36 homens devem competir, número bem inferior ao de edições anteriores. Inclusive, a entidade estuda a possibilidade de retirar o combinado nórdico do programa olímpico nos próximos anos.
O paradoxo é que, no feminino, o cenário é oposto. Desde 2020, quando a Federação Internacional passou a organizar competições regulares, o número de mulheres no combinado nórdico cresceu de forma consistente. Hoje, mais de 200 atletas competem internacionalmente, com representantes de vários países figurando entre as melhores do mundo, inclusive nos Jogos Olímpicos da Juventude.
Para Annika Malacinski, permitir a entrada das mulheres não seria apenas uma questão de justiça, mas de sobrevivência do próprio esporte. A atleta defende que mais visibilidade, diversidade e público são caminhos para manter o combinado nórdico relevante. Enquanto isso não acontece, o esporte segue como um símbolo de resistência às mudanças em um movimento olímpico que diz buscar, cada vez mais, igualdade.





