A trajetória do Rangers Football Club exemplifica uma das maiores recuperações da história do futebol. Após enfrentar uma falência devastadora que resultou na queda à 4ª divisão escocesa, o clube conseguiu se reerguer e, uma década depois, voltou a disputar títulos importantes, incluindo uma campanha histórica na Liga Europa.
O que levou o Rangers à falência?
O Rangers, um dos clubes mais tradicionais da Escócia, enfrentou uma crise econômica profunda no início dos anos 2010, fruto de má gestão financeira, dívidas acumuladas e problemas com a tributação de salários. A situação se agravou a ponto de o clube acumular um passivo estimado em cerca de £110 milhões (R$ 805 milhões na cotação atual) em impostos e encargos trabalhistas.
Sem conseguir equilibrar as contas, a administração entrou em colapso e o clube acabou declarando falência em 2012, obrigando os dirigentes a reiniciar a entidade sob nova estrutura jurídica e aceitar a transferência para as divisões inferiores do futebol escocês.
Como foi o impacto da queda às divisões inferiores?
Após a falência, o Rangers ficou impossibilitado de permanecer na elite da liga escocesa e teve de recomeçar sua trajetória na 4ª divisão. Para um clube acostumado a disputar títulos nacionais e europeus, essa queda representou um choque esportivo e institucional sem precedentes.
A torcida, entretanto, não abandonou o time, mantendo apoio incondicional mesmo diante de adversidades. A reconstrução exigiu um plano claro de gestão financeira, fortalecimento da base de jogadores e foco total no retorno às divisões superiores, tudo isso com a pressão constante de recuperar o prestígio histórico do clube.

Quais foram os passos da reconstrução do Rangers?
A reconstrução do Rangers envolveu reestruturação financeira, cortes de gastos e uma nova estratégia de gestão que priorizava sustentabilidade. O clube contratou diretores com experiência em reorganização administrativa e reforçou os vínculos com a torcida como pilar fundamental da recuperação.
Entre os principais pontos que impulsionaram a volta do clube à elite, destacam-se:
- Refundação administrativa: criação de uma nova entidade jurídica após a falência para dar estabilidade operacional.
- Disciplina orçamentária: controle rígido de gastos e foco em equilíbrio financeiro.
- Retorno à base local: fortalecimento das categorias de base e integração com a comunidade de torcedores.
- Planejamento esportivo: elencos construídos com foco em consistência e evolução progressiva.
- Resgate da identidade: valorização da marca histórica e da torcida como motores do projeto de recuperação.
Como o Rangers conseguiu voltar às primeiras divisões?
O time conquistou sucessivos acessos ao longo das temporadas seguintes à sua queda em 2012. Ainda na 4ª divisão, garantiu acesso imediato e continuou subindo de categoria ano após ano, voltando à primeira divisão escocesa em poucos anos devido ao bom desempenho em campo e à estabilidade fora dele.
O retorno à elite foi celebrado por uma nação apaixonada, e o clube retomou seu lugar entre os maiores do futebol escocês, competindo novamente por títulos nacionais e participando de competições europeias com destaque.
Qual foi o auge dessa recuperação?
O ponto alto da trajetória do Rangers foi a campanha surpreendente na Liga Europa em 2022, quando a equipe chegou à final do torneio e teve a chance de conquistar um título europeu. A façanha marcou não apenas o retorno do clube aos grandes palcos, mas também o reconhecimento internacional da capacidade de superação enfrentada pelo time.
Apesar de não ter conquistado o título, a campanha na Liga Europa representou um retorno simbólico ao topo do futebol europeu, consolidando uma história de resiliência e vitória sobre adversidades que parecia impossível apenas uma década antes.
A trajetória do Rangers prova que, mesmo diante de uma falência que ameaça a própria existência do clube, um planejamento sólido, apoio da torcida e gestão eficaz podem conduzir à recuperação completa e ao retorno aos maiores palcos do futebol.





