As declarações de Carlo Ancelotti após o triste empate contra Marrocos geraram, no mínimo, meia dúzia de preocupações. Além disso, na análise dos fatos, ele qualificou a estreia como “difícil” (esperava que Marrocos fosse fácil como o Panamá?) e avaliou que a equipe “não conseguiu reter a posse de bola”, pecado que a Seleção já cometia com os treinadores que ele substituiu e que recebiam salários infinitamente menores.
Isso, então, não parece uma crítica ao time; poderia ser uma autocrítica, já que ele não corrigiu o problema. E, com o pouco que continuou falando, apenas semeou preocupações. A primeira delas surge quando ele afirma que “a equipe lutou até o último minuto”. Como assim? Acaso existia na cabeça dele a possibilidade de que isso não acontecesse? Por outro lado, esse foi o único aspecto positivo que destacou.
É uma declaração aceitável para o treinador de qualquer seleção que não tenha a obrigação de jogar bom futebol, como tem o Brasil, nem disponha vários dos melhores jogadores do mundo como é o caso do pentacampeão. Isso pode dizer um técnico que ganha 5% do que ele recebe.
A segunda preocupação surge quando ele afirma: “tenho bastante claro o que temos que melhorar”. Isso não resolve, é uma obviedade. Pois há que melhorar tudo ou quase tudo. Qualquer um que assistiu ao jogo sabe o que precisa ser melhorado. Ramon, Diniz ou Dorival, que certamente também viram o empate, sabem disso, dom Ancelotti.
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A terceira preocupação aparece quando ele diz: “O que fizemos bem nos dois amistosos, no primeiro tempo não saiu bem”. Os amistosos eram apenas amistosos, contra adversários muito mais fracos que Marrocos, se permitiam até onze substituições, e um deles foi disputado no Brasil. Além disso, tampouco foram exibições empolgantes. De fato, contra o Egito, um rival um pouco mais qualificado, venceu-se apertadamente. Também contra esses dois adversários, nos primeiros tempos e com os supostos titulares, jogou-se mal, bastante mal.
A quarta, a quinta e a sexta preocupações surgem de uma mesma declaração que, ironicamente, também tranquiliza; é quando ele afirmou: “Temos que seguir trabalhando para ter uma equipe mais equilibrada e mais agressiva na frente”. Por um lado, a frase acalma: não vão passear nesta semana, seguirão trabalhando.
Também alivia saber que ele busca uma equipe mais equilibrada.
Não se sabe como conseguirá isso, mas ainda resta alguma ilusão de que isso ocorra. Vale perguntar, porém: ele não teve tempo para conseguir isso antes da estreia? Os demais treinadores que passaram pela Seleção também não buscavam exatamente o mesmo? Ele não teme que a revelação de um segredo tão revolucionário seja copiada pelos outros técnicos da Copa?
Não tranquiliza, entretanto, saber que ele quer mais agressividade na frente, porque daí se deduz que está satisfeito com a defesa – que não foi bem – e com o meio-campo – que foi igualmente ruim. No fim das contas, o ataque criou situações; apenas sua aposta, Igor Thiago, foi mal o suficiente para não voltar a atuar – já havia ido mal contra o Egito. E o fato de narradores e comentaristas o elogiarem porque corre, luta e se movimenta não ajuda. Qualquer canadense corre mais do que ele, e isso é o mínimo que se espera de um profissional.
Por fim, Carlo Ancelotti, em sua fraquíssima estreia, disse que “não podemos perder a confiança” (faltaria!) e prometeu: “vamos melhorar”. Certamente: o próximo adversário será muito mais fraco. Seria catastrófico não melhorar. E, se piorar e não vencer, talvez devesse pensar em pedir demissão.
A justificativa apresentada por “Carleto” para o desempenho medíocre foi que “a equipe não estaria perfeita no primeiro jogo”. Por quê? Não teve mais de um ano para prepará-la? Agora, em menos de uma semana, conseguirá deixá-la pelo menos quase perfeita? Quando ela estará perfeita? Depois que for eliminada?
A coletiva do milionário treinador italiano deixou uma análise pobre e tantas dúvidas e preocupações quanto a atuação da equipe em campo. Foi mal. Ele também tem que melhorar suas análises, além de botar Endrick no ataque.
