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Home Futebol

Pausa para hidratação? Rsss…

Não! É pausa para faturação

by Edgardo Martolio
13/06/26 11:20:08
in Futebol
Pausas para hidratação viram alvo de críticas durante a Copa do Mundo

Pausas para hidratação viram alvo de críticas durante a Copa do Mundo - (Créditos: Getty Images)

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A pausa para hidratação não tem nada a ver com hidratar jogadores. Quem acreditou nisso — todos — é um inocente pagador de ingressos, assinaturas e pay-per-view que se encaixa perfeitamente na coluna “A Copa dos Cornos”. É aquele que vive engolindo mosca e ainda cai nas pegadinhas de 1º de abril.

Não existe o critério — seria absurdo, por sinal — de que os jogadores, depois de 140 anos de futebol, precisem se hidratar de repente. Ah, porque o clima mudou, é isso?… Meu irmão, toma um café e acorda.

A “hydration break”, “water break” ou “cooling break”, como a chamam seus criadores, é uma invenção da televisão americana. Foi uma exigência para organizar a Copa do Mundo de 2026. Exigência? Mais uma vez: toma mais café e desperta. Quando há dinheiro no meio, não existem exigências; existem negociações e/ou negociatas.

São seis minutos a mais que a televisão americana tem para vender sua publicidade milionária.

Mas isso não é novidade, nem é a primeira vez que os chefões da TV gringa fazem esse pedido. A primeira vez que insinuaram algo parecido foi na Copa do Mundo de 1994, há mais de trinta anos. Só que, naquela ocasião, o vice-presidente da FIFA, o argentino Julio Grondona, disse não, e Blatter aceitou. E eles continuaram insistindo, nunca desistiram. Grondona também não.

Grondona sempre contou essa história e este cronista já a publicou mais de uma vez, anos atrás. Os senhores da televisão americana, que são quem realmente manda nos esportes do país do Norte, reclamavam que dois tempos de 45 minutos eram longos demais para o público local, que precisa repor a pipoca para continuar engordando e ir ao banheiro porque a cerveja consumida em excesso nos estádios e nas poltronas assim o obriga.

Esse era o argumento justificativo. Sabia-se que se tratava de mais minutos de comercialização, mas alguma explicação eles precisavam dar. Grondona nasceu em Sarandí um bairro de Buenos Aires onde ninguém come vidro. Os sujeitos de Washington e Massachusetts não iam fazê-lo engolir essa.

Eles queriam que o futebol tivesse quatro tempos. E diziam isso com toda clareza: enquanto isso não acontecesse, o futebol jamais “pegaria” nos Estados Unidos. Não por causa da pipoca nem da cerveja, mas simplesmente porque eles não o transmitiriam. E, se não há televisão, nada funciona neste mundo alienado em que nos coube viver. Ou por acaso existiria o Big Brother sem televisão?

Eu disse em uma coluna de três dias atrás que a FIFA deveria pagar à televisão, e não o contrário, como acontece hoje, porque a TV é muuuuuito mais importante do que a FIFA. Organizar um evento qualquer um organiza. Os petrodólares árabes já estão fazendo isso, especialmente no tênis. Não por acaso, alguns clubes europeus já ameaçaram criar sua própria Superliga e desistiram. A FIFA os “convenceu” para não.

 

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Nesta nova Copa, em que tudo é possível graças a Gianni Infantino, o atual presidente da FIFA, que tem Grondona morto e enterrado, aceitou a pausa para este Mundial porque assim a FIFA arrecada mais com os direitos de transmissão e “eles” têm mais para se repartir.

Já faz um ano que a FIFA começou a introduzir o “cooling break”, tipo vaselina, em alguns campeonatos, para que vá entrando devagarzinho na inocente audiência.

No jogo de abertura da Copa, entre México e África do Sul, o árbitro brasileiro Wilson Pereira Sampaio precisou atrasar por alguns segundos o reinício de uma das “hydration break” porque “o intervalo comercial da Fox”, emissora que transmite nos Estados Unidos, ainda não havia terminado de lucrar.

Ontem, no jogo entre Estados Unidos e Paraguai, o árbitro holandês – também policial e um dos estruturadores do VAR dentro da FIFA; tudo fica em família — Danny Makkelie precisou retardar por mais tempo e de forma visível para todos os telespectadores o retorno da “pausa para hidratação”, porque, mais uma vez, a Fox pediu. O saque lateral do paraguaio Escobar, foi o mais demorado da história, mas, havia que esperar…

Era óbvio que isso aconteceria. E não foi coincidência que, até agora, tenha ocorrido justamente no jogo de abertura e na estreia dos Estados Unidos. Foram as partidas mais comercializadas pela Fox até o momento. Essas pausas de mais de exatos 3 minutos continuaram acontecendo.

O que ainda não descobri é por que, no resto do mundo, por enquanto, as televisoras não estão aproveitando da mesma forma. E certamente não deve ser por respeito ao futebol. Será para que as pessoas acreditem que se trata de uma medida humana e esportiva? Para que acreditem de verdade na hidratação? E depois… já era. Não sei.

O que eu sei, pelos velhos relatos de Grondona, é que originalmente os americanos queriam interrupções de “pelo menos cinco minutos”. Grondona também era contra o VAR, assim como João Havelange, que é outro engodo e sobre o qual falarei em outra oportunidade. Porque no futebol — ou melhor, na FIFA — tudo é engodo.

Volta, Grondona, volta! Porque o futebol está apodrecendo antes do tempo e de uma maneira inaceitável. Não importa que os inocentes pagantes continuem “querendo acreditar” que a esposa voltou para casa às cinco da manhã porque “minhas amigas não me deixavam ir embora e são tão divertidas…”.

É assim que estamos. Já sabemos: tudo é dinheiro e corrupção. Engano, engodo. Até o dia em que o povo desperte, aprenda a votar e deixe de pagar por pagar. Nesse dia as esposas voltarão para casa às dez da noite… Por enquanto, que a inocência te valha, ainda quando o dia da mentira já passou esse ano…

E vamos seguindo com a Copa, porque a bola não para!


 

Tags: Copa do MundoFIFAFutebol
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