Faltam apenas horas para que comece a Copa dos Cornos, como a batizei ontem, e, a cada dia, ela se mostra pior em quase todos os sentidos. A enumeração de meia dúzia de canalhadas, injustiças, parcialidades e abusos DA FIFA fala por si só:
- O caso do árbitro somali Omar Artan, negro, é lamentável. Eleito melhor árbitro africano de 2025 e primeiro somali da história escalado para uma Copa, foi barrado na imigração dos Estados Unidos após 11 horas de interrogatório, nas quais nada de errado foi encontrado, apesar de possuir visto válido. A FIFA confirmou que ele não poderá atuar no torneio, ainda que tenha prometido uma Copa “aberta e inclusiva”. Um de seus próprios oficiais foi impedido de entrar no país-sede, e ela simplesmente se ajoelhou.
- As restrições a integrantes da delegação do Irã incluem diversos dirigentes e membros de apoio da seleção iraniana que tiveram problemas de visto. Como isso não aconteceu ontem e o Irã foi obrigado a alterar sua logística e estabelecer base no México, acabou resolvendo seu problema. Houve ainda reclamações da federação iraniana sobre ingressos destinados a seus torcedores, que não conseguirão entrar no país. A FIFA também não interveio.
- Os torcedores haitianos, negros, também estão entre os afetados pelas novas restrições migratórias e não poderão acompanhar sua seleção. A FIFA não se importa com isso.
- Os problemas com o Haiti não param por aí. A FIFA exigiu a remoção de elementos gráficos que apareciam na parte inferior da camisa. O problema é uma ilustração inspirada na Batalha de Vertières (1803), a batalha decisiva da Revolução Haitiana contra a França, e em heróis da independência levantando a bandeira haitiana. Para os haitianos, trata-se de uma homenagem histórica e nacional; para a FIFA, de uma mensagem política ou militar, algo proibido pelo regulamento de equipamentos. Se fosse o inverso, não pediria sua remoção.
- Houve revogações e recusas de vistos para outros participantes. Além de somalis, iranianos e haitianos, os problemas envolvem iraquianos e sul-africanos. A FIFA, novamente, nada fez.
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Há quem fale em contradição entre a FIFA e as políticas migratórias americanas. Tal contradição não existe. O que há é a genuflexão da FIFA, que se desculpa dizendo não controlar a imigração dos países-sede. Mas vende a Copa como um evento universal e teve tempo mais do que suficiente para contornar tudo isso.
Há quem diga que nasceu uma sensação de “Copa seletiva”. Sensação? Não, realidade! É seletiva, racista e segregacionista. A FIFA só pensa em seu dinheiro. As demais seleções também, porque, minimamente, as africanas e caribenhas afetadas deveriam ser solidárias e retirar-se da Copa. Seus dirigentes não farão isso porque certamente perderiam negócios de interesse pessoal.
Todos os árbitros deveriam negar-se a apitar; deveriam fazer causa comum com o colega vetado. Mas ele é negro, é africano, e isso parece não merecer apoio. Pouco importa que a FIFA tenha enviado, três meses antes, a lista de árbitros para que, caso existisse algum inconveniente real com qualquer um deles, isso fosse tratado antecipadamente e não se chegasse à aberração vivida nas últimas 24 horas.
Mas esses outros referees jamais perderiam a oportunidade de participar desse circo, também muito conveniente para eles. O somali que se ferre. Para que fique claro: os Estados Unidos não são culpados de nada. Têm direito às suas paranoias; sabem que metade do mundo não gosta deles, vivem de guerra em guerra e temem atentados. A questão não passa por eles; qualquer outro país faria algo parecido.
O questionamento está nas atitudes covardes de Gianni Infantino, presidente da FIFA, essa empresa caça-níqueis que não está nem aí para o aspecto desportivo e menos ainda para o humano. É desprezível.
