O Flamengo abriu os bastidores da noite de caos vivida em Medellín, na Colômbia, após a partida contra o Independiente Medellín ser cancelada pela Copa Libertadores. Em entrevista coletiva nesta sexta-feira, 8, em Porto Alegre, o técnico Leonardo Jardim e o diretor executivo José Boto relataram os momentos de tensão vividos pela delegação rubro-negra dentro do Estádio Atanásio Girardot.
Jardim foi o primeiro a comentar o episódio e admitiu surpresa com a demora para que a partida fosse oficialmente encerrada, mesmo com o cenário de violência nas arquibancadas.
“Sobre ontem, é uma situação visível para todos… Não havia segurança no estádio. O que me espanta é demorarem tanto tempo, porque às vezes, em situações desse tipo, 45 minutos depois o árbitro, quando vê que não tem condições, acaba o jogo. A situação prolongou um pouco mais. Não sou especialista nisso, mas é o que falam das regras que conheço durante minha vida esportiva”, afirmou o treinador.
View this post on Instagram
Na sequência, José Boto detalhou o temor vivido pela delegação durante a paralisação da partida. Segundo o dirigente, embora a revolta da torcida colombiana não fosse direcionada ao Flamengo, o clube se viu no meio de uma situação de risco.
“Eles não tinham nada contra o Flamengo, mas estávamos no meio. Começaram a arremessar sinalizadores, pedras, ferros… Não havia condição de segurança. Não sabíamos se alguém tinha faca, arma, e nos sentimos um pouco ameaçados, como é óbvio”, disse.
“O presidente do clube queria evacuar o estádio e depois começar a jogar. Eu disse a ele que, quando as pessoas vissem na televisão que estava tendo jogo, seria pior, que voltariam mais raivosas, revoltadas, e seria pior”, revelou Boto.
Segundo o dirigente, a insistência para que o duelo acontecesse partiu do próprio clube colombiano, com apoio de representantes do governo local. Horas depois, porém, o próprio mandatário do Medellín teria admitido que o Flamengo estava correto.
Com viagem marcada para Porto Alegre, onde encara o Grêmio no fim de semana, o Rubro-Negro também descartou qualquer possibilidade de permanecer na Colômbia para uma eventual remarcação imediata.
Agora, o caso está nas mãos do departamento jurídico da Conmebol, e José Boto acredita que o desfecho natural será a vitória rubro-negra por W.O. “Na minha opinião, não tem outra solução a não ser nos dar os três pontos”, finalizou.
