Filme sobre Pelé: o que é real e o que é ficção? Essa pergunta surge com frequência desde que a cinebiografia do maior jogador brasileiro estreou na Netflix. O longa-metragem dramatiza a trajetória de Edson Arantes do Nascimento desde a infância até o tricampeonato mundial, mas nem tudo o que é mostrado reflete com exatidão a realidade. A seguir, esclarecemos o que o filme acerta, o que distorce e por quê.
Qual é a origem do filme sobre Pelé?
O filme “Pelé: O Nascimento de uma Lenda” é lançado pela Netflix com direção de Jeff e Michael Zimbalist. A obra tem como proposta acompanhar a transformação de um menino pobre de Três Corações, Minas Gerais, em ídolo mundial. A narrativa enfatiza não apenas os feitos esportivos, mas também o impacto social e emocional da trajetória de Pelé no Brasil dos anos 1950 e 1960.
A ideia da produção é inspirar o público com uma história de superação, ambientada em um momento de mudanças políticas e sociais no país.
Quais fatos poucos conhecem sobre a trajetória retratada?
Embora o filme aborde episódios conhecidos, como o título de 1958, ele também destaca eventos pouco abordados na mídia tradicional, como o papel do pai de Pelé, Dondinho, em sua formação como atleta. A relação entre os dois é retratada com sensibilidade e profundidade emocional.
Outro ponto que chama atenção é a forma como o filme mostra o racismo estrutural da época e a pressão que o jovem jogador sofre para se tornar um símbolo nacional.
Quem são os personagens reais e quais foram criados?
No elenco, muitos personagens são inspirados em figuras históricas, como Zito, Djalma Santos, Gilmar e Garrincha. No entanto, a produção também insere personagens fictícios ou com nomes alterados para facilitar a narrativa ou condensar eventos.
Um exemplo é o técnico da seleção brasileira, que no filme ganha uma personalidade mais rígida e até antagonista, diferente da figura mais técnica e política que João Saldanha e Vicente Feola representaram na realidade.
Como o filme representa a cultura brasileira da época?
A ambientação do filme busca retratar fielmente o Brasil da década de 1950, com destaque para o futebol de várzea, as comunidades periféricas e o fervor nacionalista em torno da seleção. A trilha sonora, os figurinos e a direção de arte ajudam a compor um cenário que remete com fidelidade ao período.
Por outro lado, há uma romantização de certos aspectos sociais e uma simplificação de conflitos políticos, como o regime militar que se instalaria anos depois, o que é compreensível dentro da lógica de um filme voltado para o público internacional.
Quais liberdades criativas o roteiro assume?
Algumas cenas de partidas históricas são reconstituídas com lances que nunca ocorreram daquela forma. Um exemplo é o gol de “folha seca” treinado por Pelé ainda criança, quando, na realidade, esse estilo de chute é atribuído a Didi.
Além disso, o roteiro dramatiza discussões entre jogadores e dirigentes que não foram documentadas, mas que servem para criar tensão e ritmo narrativo. Essas escolhas são comuns em cinebiografias, mas é importante que o espectador saiba diferenciá-las dos fatos reais.
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Qual é o impacto do filme sobre Pelé nas novas gerações?
A cinebiografia apresenta Pelé a um público mais jovem, que pode não ter acompanhado suas conquistas. Isso ajuda a manter viva sua imagem como ícone esportivo e cultural. Além disso, o filme estimula discussões sobre racismo, meritocracia, identidade nacional e o papel do esporte como ferramenta de transformação social.
Mesmo com as licenças poéticas, a obra reforça o legado do jogador e sua importância para o futebol mundial. Ao mostrar Pelé como ser humano e não apenas como lenda, a produção aproxima a história de novas audiências.
O que podemos aprender com o filme sobre Pelé?
A principal lição do filme é que o talento pode florescer mesmo em meio à adversidade, mas é o esforço contínuo e o apoio da comunidade que moldam uma lenda. Embora o longa-metragem altere ou simplifique alguns fatos, ele acerta ao destacar o impacto de Pelé dentro e fora dos campos.
Ao assistir à obra, vale manter o olhar crítico: saber o que é real e o que é ficcional permite não apenas apreciar melhor a narrativa, mas também refletir sobre como as histórias de grandes figuras são contadas ao longo do tempo.





