Existem muitas respostas para a pergunta “quem foi Pelé?”. Para o público geral, o nome representa uma identidade; de um país inteiro, uma nação completa de apaixonados por futebol e esportes no geral. O Rei carregou a responsabilidade de abrilhantar a imagem do Brasil para o mundo, associando o país com a garra, determinação, coragem e alto astral.
Afinal, quando se é o melhor da história no esporte mais popular do globo, seu rosto, naturalmente, passa a ser um cartão de visitas. Pelé nunca precisou dizer o que significava culturalmente. Sua habilidade única, o jeito envolvente de conduzir uma bola rumo às redes e de vibrar com suas glórias falavam por si só.
Pelé fora das quatro linhas
Dentre as várias respostas para a pergunta “quem foi Pelé?”, algumas já sabemos. O Rei do futebol, o único tricampeão do mundo, o maior artilheiro da história (embora essa seja um pouco polêmica pela contagem oficial de gols), etc. Mas há também o filho de Celeste, o ‘Dico’, o jovem que sonhava com o esporte pelas ruas de Bauru, e que chegou a trabalhar como engraxate no interior paulista para ajudar a sua família.
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Em sua carreira, Pelé empilhou títulos e vitórias com o gigante Santos. Contudo, também passou por dificuldades financeiras e precisou recalcular a sua rota, se aventurando no futebol estrangeiro. Além disso, embora amasse a modalidade, o ídolo também queria explorar novos horizontes como empresário, o que fez com que ele enfrentasse muita resistência da sociedade.
Afinal, a quem interessava ver um homem negro bem-sucedido e independente em plena década de 70, sem atender às expectativas exatas do público? Felizmente, o maior do mundo não baixou a cabeça e foi em busca de sua autonomia. A forma de conduzir a própria carreira e de ter seus negócios particulares, inclusive, representou uma virada de chave na maneira como atletas comandavam suas vidas, inspirando a ‘Lei Pelé’.
Luta política
Há quem diga que Pelé não foi um homem político. Que se isentava de discussões importantes, sem se posicionar de forma contundente. Outra falácia: sua mera existência era política. A excelência e representatividade do ícone global, principalmente vindo de um país (ainda) racista, eram inatos à sua pessoa.
Vale destacar que, ao contrário da opinião majoritária, Pelé enfrentou a ditadura. Sua decisão de se aposentar da Seleção Brasileira em 1971 foi considerada pelos militares como “desobediência esportiva”. Ao bater de frente com diversos políticos do regime e dirigentes duros como João Havelange, o Rei se recusou a fazer parte do plano de “sportswashing” do Estado. Sem contar, é claro, seu trabalho posterior como Ministro do Esporte.
Pelé como poucos viam: humano
Além de ser um lendário jogador, empresário e (à sua maneira) revolucionário, Pelé era um homem comum, ainda que muitos esqueçam. Casou-se três vezes, colecionou casos extraconjugais, enrolou-se com a Xuxa e esteve envolvido com duas Misses Brasil. Teve seis filhos, incluindo Sandra Machado, fruto de sua infidelidade. Viveu, fez história e descansou em glória eterna aos 82 anos. Isso é um pouco do que foi Pelé. O resto? Jamais caberia nesta matéria.





