Como o tênis se tornou um esporte olímpico é uma pergunta que revela muito mais do que datas e medalhas. A trajetória da modalidade nos Jogos envolve disputas políticas, transformações sociais e debates sobre profissionalismo no esporte.
Desde o surgimento em quadras improvisadas na Inglaterra, até a consagração em arenas lotadas em cidades como Londres, Paris e Tóquio, o tênis viveu um caminho irregular no programa olímpico, marcado por exclusões e retornos estratégicos.
Qual é a origem do tênis moderno e sua relação com o movimento olímpico?
O tênis moderno surgiu no final do século dezenove, na Inglaterra, como uma adaptação do jogo francês “jeu de paume”. Rapidamente, o esporte ganhou prestígio entre as elites europeias e se espalhou por países como França, Estados Unidos e Austrália. Esse crescimento coincidiu com o fortalecimento do movimento olímpico idealizado por Pierre de Coubertin, defensor do esporte como ferramenta educacional e cultural.
Quando os Jogos Olímpicos modernos foram inaugurados, em Atenas, no ano de mil oitocentos e noventa e seis, o tênis ainda não fazia parte do programa. A estreia ocorreu poucos anos depois, em Paris, no evento de mil novecentos, refletindo a popularidade crescente da modalidade e sua forte presença na sociedade europeia da época.

Por que o tênis saiu do programa olímpico por décadas?
Apesar do início promissor, o tênis enfrentou um obstáculo central para permanecer nos Jogos: o conflito entre amadorismo e profissionalismo. Durante boa parte do século vinte, o Comitê Olímpico Internacional defendia que apenas atletas amadores competissem, enquanto o tênis avançava rapidamente para um modelo profissional, com torneios pagos e circuitos internacionais.
Essa incompatibilidade levou à retirada oficial do tênis do programa olímpico após os Jogos de mil novecentos e vinte e quatro, em Paris. Por décadas, a modalidade ficou restrita a eventos de demonstração, sem valer medalhas, o que afastou grandes nomes e reduziu o interesse institucional pelo retorno pleno.
Segundo registros do Comitê Olímpico Internacional, a ausência do tênis refletia uma tentativa de preservar os valores originais dos Jogos, ainda que isso significasse abrir mão de esportes populares (fonte: Comitê Olímpico Internacional, COI).
Como o tênis se tornou um esporte olímpico novamente?
A virada começou a partir da segunda metade do século vinte, quando o conceito de profissionalismo passou a ser aceito pelo movimento olímpico. Com a chamada “Era Aberta” do tênis, iniciada nos anos sessenta, a distinção entre amadores e profissionais perdeu força, criando espaço para negociações.
O retorno oficial aconteceu nos Jogos de Seul, em mil novecentos e oitenta e oito. A partir desse momento, o tênis se consolidou como parte fixa do calendário olímpico, permitindo a participação dos principais atletas do circuito mundial. Essa mudança também ajudou a aproximar o público jovem dos Jogos, além de reforçar a relevância global da competição.
Quais fatores explicam a importância atual do tênis nas Olimpíadas?
Atualmente, o tênis olímpico combina tradição, visibilidade midiática e alcance internacional. Além disso, a disputa por medalhas oferece um significado diferente em relação aos torneios do circuito profissional, já que representa países e não apenas carreiras individuais.
Entre os fatores que tornam o tênis relevante nos Jogos, destacam-se:
- A presença de atletas consagrados, que ampliam a audiência global
- A diversidade de superfícies e estilos de jogo
- A forte identificação nacional, especialmente em finais e semifinais
- A integração entre simples, duplas e duplas mistas
De acordo com análises da Federação Internacional de Tênis, o torneio olímpico é hoje um dos eventos mais assistidos da modalidade fora dos Grand Slams (fonte: ITF).
Como o tênis se tornou um esporte olímpico e o que isso representa hoje?
Entender como o tênis se tornou um esporte olímpico ajuda a compreender a própria evolução dos Jogos Olímpicos. A modalidade simboliza a transição de um ideal puramente amador para um modelo mais inclusivo e alinhado à realidade do esporte global.
Ao unir tradição, espetáculo e identidade nacional, o tênis reforça o papel das Olimpíadas como palco de encontros históricos. Mais do que medalhas, cada edição reafirma a capacidade do esporte de se adaptar, sobreviver e continuar relevante em um mundo em constante transformação.




