O jogador Curt Schilling ficou marcado como um dos maiores arremessadores da história da Major League Baseball (MLB). Com uma carreira ilustre, incluindo seis participações no All-Star Game e três títulos da World Series, ele acumulou fama, prestígio e fortuna. No entanto, fora dos campos, uma decisão de negócios teve um impacto devastador em suas finanças pessoais.
Quem é Curt Schilling e como foi a sua carreira na MLB?
Curtis Schilling construiu uma carreira de destaque no beisebol profissional dos Estados Unidos. Ao longo de 20 temporadas na MLB, ele jogou por equipes como Philadelphia Phillies, Arizona Diamondbacks e Boston Red Sox, conquistando títulos e se tornando uma figura respeitada no esporte. Além de vitórias importantes, Schilling assinou contratos milionários, o que lhe rendeu uma considerável fortuna ao longo dos anos.
Além de seu desempenho dentro de campo, Schilling também ficou conhecido por sua personalidade competitiva e dedicação extrema aos treinos. Ele se tornou uma referência em preparação física, estratégia de jogo e liderança no vestiário, conquistando o respeito tanto de companheiros de equipe quanto de adversários ao longo de sua trajetória.

O que foi o negócio que Curt Schilling investiu?
Após se aposentar, Schilling decidiu investir em uma área completamente diferente: o desenvolvimento de videogames. Em 2006, ele fundou a empresa Green Monster Games, que mais tarde foi renomeada como 38 Studios, em homenagem ao número da sua camisa na MLB. A ideia era criar um ambicioso jogo de RPG online chamado Project Copernicus e outros títulos que colocassem a empresa no mapa da indústria dos videogames.
O plano envolvia contratação de talentos da área e o apoio financeiro do estado de Rhode Island, que ofereceu US$ 75 milhões em garantias de empréstimos para que a companhia se mudasse para Providence.
No entanto, o desenvolvimento do jogo consumiu rapidamente os recursos da empresa, e mesmo um título lançado sob a subsidiária Big Huge Games não foi suficiente para equilibrar as contas.
Por que o negócio falhou e causou um prejuízo tão grande?
O desenvolvimento de jogos eletrônicos costuma ser caro e arriscado, especialmente para projetos ambiciosos como MMORPGs. No caso do 38 Studios, o chamado Project Copernicus nunca foi lançado, e os custos continuaram a subir sem que receitas significativas chegassem para compensar os gastos. Entre os fatores principais do fracasso estão:
- Despesas altas de desenvolvimento: criação de jogos complexos exige grandes equipes e longos prazos, aumentando os custos.
- Dependência de financiamentos externos: grande parte do capital vinha de empréstimos públicos, criando pressão financeira.
- Falta de retorno imediato: nenhum jogo lançado gerou receita suficiente para cobrir os gastos acumulados.
- Risco elevado do setor: a indústria de videogames é volátil e cheia de incertezas quanto ao sucesso comercial.
- Gestão empresarial inexperiente: embora Schilling fosse um atleta de sucesso, a experiência em negócios de tecnologia era limitada.
A empresa declarou falência em 2012, após anos de despesas acumuladas sem retorno financeiro. Schilling acabou investindo cerca de US$ 50 milhões do próprio dinheiro, praticamente tudo o que havia economizado durante sua carreira no beisebol.
Quais foram as consequências pessoais e financeiras?
A falência da 38 Studios não afetou apenas Schilling, mas também centenas de funcionários que perderam seus empregos e deixou o estado de Rhode Island cobrando partes do empréstimo público que havia sido garantido. Para Schilling, a perda foi profunda: sua situação financeira mudou drasticamente, e ele teve de se desfaçar de bens importantes e negociar dívidas.
Ao falar publicamente sobre o acontecido anos depois, Schilling admitiu que a decisão de investir tanto de sua fortuna foi um erro que impactou sua vida de forma duradoura — uma lição de que sucesso esportivo nem sempre se traduz em sucesso empresarial.
O que podemos aprender com esse caso?
A história de Curt Schilling é um exemplo marcante de como investimentos, especialmente em setores que exigem expertise específica como tecnologia e entretenimento, podem ser arriscados mesmo para quem tem grande capital. Ela reforça a importância de diversificação, análise de mercado e preparação antes de aplicar grandes quantias em negócios fora da experiência principal de alguém.
Além disso, evidencia que nem mesmo grandes fortunas esportivas estão imunes a fracassos empresariais, e que a gestão cuidadosa de recursos pessoais é tão essencial quanto o desempenho dentro de um campo esportivo.





