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Olimpíadas / CONTAGEM REGRESSIVA

Campeão Olímpico e dirigente do COB, Rogério Sampaio vive expectativa para Paris

Medalhista de ouro em Barcelona, 34 anos depois o ex-judoca será o Chefe de Missão da delegação brasileira na França

Luca Coelho
por Luca Coelho

Publicado em 04/07/2024, às 01h21

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Rogério Sampaio em entrevista a Edgardo Martolio - SportBuzz
Rogério Sampaio em entrevista a Edgardo Martolio - SportBuzz

Se os Jogos Olímpicos são o ponto mais alto da carreira de um atleta, Rogério Sampaio viveu e vai viver essa experiência intensamente. Viveu porque foi medalhista de ouro no judô nos Jogos de Barcelona. E viverá porque ele está prestes a embarcar para Paris como Chefe de Missão da delegação brasileira, com a responsabilidade de comandar aproximadamente 300 atletas. Um prêmio para quem chefiou a missão brasileira nos Jogos Pan-americanos de Santiago, no ano passado, quando batemos o recorde histórico de medalhas (205). Mas mais do que isso, é um prêmio para quem dedicou a vida ao esporte.

Na estreia do quadro Legends SportBuzz,  Rogério repassou junto a Edgardo Martolio os grandes momentos da carreira, do inicio nos tatames ao lugar mais alto no pódio olímpico. Mas claro, que na trajetória de grandes lendas assim, as coisas nunca são fáceis. A medalha de ouro em 1992 veio após um momento dificil na vida do campeão. Uma briga com a Confederação Brasileira de Judô por melhores condições aos atletas o afastou por mais de dois anos de competições internacionais, bem em meio ao ciclo olímpico. E em 1991 Rogério perdeu o irmão, Ricardo, tambem judoca e maior referência para ele.

"Retornei em janeiro de 1992 após fazer um acordo com a Confederação. Muitas das nossas reivindicações foram atendidas e são benefícios que perduram até hoje no judô brasileiro. Em 6 meses eu consegui readquirir a forma física, o ritmo de competição internacional. Acredito que cheguei nos Jogos Olimpicos entre os 5 melhores da minha categoria . E sabia que nessa condição, as medalhas se constroem ali, no meio da disputa. E foi isso o que aconteceu. No auge da forma física, técnica, emocional também, da maturidade. E ali aconteceu aquela medalha de ouro que veio premiar 20 anos de dedicação ao esporte."

A sequência da carreira de Rogério foi prejudicada por lesões. Mas o papel ativo na busca por mais apoio ao judô já era um vislumbre do dirigente que ele viria a se tornar. Hoje diretor-geral do Comitê Olímpico do Brasil, ele explicou ao SportBuzz como funciona todo o organismo que alimenta o esporte olímpico brasileiro e as premiações aos atletas que ganharem medalha em Paris. Falou sobre o desenvolvimento do judô, desde os tatames de palha até ser a modalidade mais vencedora para o Brasil, com 24 medalhas olímpicas. Reconheceu o legado dos jogos do Rio, em 2016, e mostrou estar consciente do tamanho da missão que vai carregar na Olimpíada de Paris.

"Hoje a minha responsabilidade é para com um grande número de atletas, e de diversas modalidades. E a responsabilidade que eu tenho é fazer com que o Comitê Olímpico do Brasil possa oferecer a esses atletas a melhor estrutura. Que nada lhes falte não só na sua preparação, como também no momento em que eles estarão lá em Paris para representar o seu país. Então nós pensamos em uma estrutura nos mínimos detalhes para que o atleta possa se preocupar apenas em treinar, descansar e competir tentando buscar a melhor performance de sua vida."

Rogério Sampaio no pódio dos Jogos de Barcelona
Rogério Sampaio no pódio dos Jogos de Barcelona - Arquivo pessoal

Em quase uma hora de conversa, Rogério Sampaio respondeu a tudo com absoluta franqueza. Em alguns momentos o ex-meio-leve baixou a guarda e abriu o coração. E só não foi tão contundente na hora de cravar que bateremos o recorde de medalhas na história dos jogos.

"Eu não sou mais atleta, mas o meu sentimento é o mesmo. A gente quer fazer amanhã melhor do que fizemos ontem. O resultado do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio foi o melhor da história, foram 21 medalhas, 7 de ouro. Queremos melhorar? Queremos. Temos trabalhado para melhorar esse resultado? Temos. Agora entendemos que temos que pensar em todos os mínimos detalhes até o último dia."