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Lutas / MMA / EXCLUSIVO!

De volta, Glover Teixeira fala de última luta: “Poderia ter vencido”

De volta após saída do MMA, Glover Teixeira conversou com o SportBuzz e falou sobre sua preparação, confronto com Jon Jones e aposentadoria

Pedro Moralez
por Pedro Moralez

Publicado em 28/06/2023, às 19h00

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Glover Teixeira última luta no UFC - Getty Images
Glover Teixeira última luta no UFC - Getty Images

Após confirmar sua aposentadoria do MMA, o histórico lutador brasileiro, Glover Teixeira voltou ao octógono, mas de forma diferente. O veterano entrará em um combate de submissão, no "UFC Fight Invitational", que basicamente é o jiu-jitsu sem quimono. Em conversa exclusiva com o SportBuzz, o mineiro de 43 anos falou sobre a tranquilidade para a preparação.

“ É bem mais tranquilo que o MMA, né, o grappling eu já faço há muitos anos, é um foco só junto com a preparação física. Então eu posso curtir mais as coisas, já que a minha preparação física está sendo feita andando de bike, correndo, ao invés de ficar na academia todos os dias. No MMA é complicado, porque você tem que ir fazer o sparring, voltar, fazer manopla, no outro dia preparação, e no outro jiu-jitsu, o que é mais desgastante. Como agora o foco é mais jiu-jitsu, treino três, quatro vezes na semana”, disse. 

Confira a entrevista com Glover Teixeira na íntegra: 

Além disso, Glover também falou sobre seu combate com Jon Jones, que aconteceu em 2014. Segundo ele, foi sua luta mais difícil da carreira: “Eu não consegui chegar perto de sentir ele machucado. Todas as outras lutas, exceto o Anthony Johnson, que foi um nocaute rápido, teve isso. Mas [a luta] do Jon Jones eu posso falar que foi a mais difícil, porque eu tive cinco rounds com ele, e não tiveram momentos que eu pensasse que ele tinha sentido algum golpe meu. Até contra o [Alexander] Gustafsson, que foi muito difícil as questões de locomoção, fuso-horário e perda de peso, teve algum momento que senti que iria conseguir vencer. Então, [contra] o Jon Jones foi o mais difícil”, avaliou Glover Teixeira.

Já próximo do fim do papo, Glover também comentou sobre a aposentadoria do MMA, que aconteceu após o confronto com Jamahal Hill, em janeiro deste ano. Segundo ele, o ambiente na sua família e a forma de como a luta aconteceu acabaram sendo determinantes para a decisão, tomada ainda no octógono. Ainda assim, a felicidade de seus familiares fez com que não houvesse nenhum arrependimento.

Glover Teixeira em ação contra Jiri Prochazka
Glover Teixeira em ação contra Jiri Prochazka / Créditos: Getty Images

“O Jamahal (Hill) é um cara bom, mas que eu poderia ter vencido, e estava bem pra essa luta, mas a velocidade não era a mesma. Consegui algumas quedas, acertar alguns golpes. Outra coisa foi a pesagem, que já estava sendo muito difícil e estava pensando em ganhar o cinturão, defender algumas vezes e parar. E como foi a luta ali, eu perdi e tomei bastante soco, corte, quebrei o nariz. Vi minha esposa chorando antes e depois da luta como se estivesse pensando "graças a deus que acabou". Foi a semana toda essa tensão na família, as minhas irmãs, mãe, pai, tensão muito grande pelo fato de eu ter 43 anos e estar lutando pelo cinturão contra os caras bem mais jovens, naquele momento, pensando em como foi a luta acabei decidindo assim, e todo mundo ficou muito feliz. Toda minha família me apoiou, e até por isso não posso dizer que me arrependo. Fiz tudo o que eu precisava fazer, o MMA mudou minha vida, e agora é treinar a galera”, acrescentou.

Outras respostas de Glover Teixeira:

  • Como surgiu o MMA na sua vida? 

Eu vim para cá [Estados Unidos] para trabalhar, e aqui eu queria fazer boxe, mas duas ou três semanas depois falaram que eu tinha que fazer jiu-jitsu. Eu falei que nem sabia o que era isso, e um cara me mostrou o que era, mostrando o Royce Gracie lutando no UFC 1, 2 e 3, alugou as fitas e me apaixonei, comecei a querer ser campeão do UFC.

Procurei a academia de jiu-jitsu mais perto que tinha, entrei e, seis meses depois, fiz minha primeira luta de MMA. Claro, falando para os jovens, que são muito ansiosos, eu perdi minha primeira luta. Não foi do meu jeito, mas os treinadores do cara que lutei eram John Requelman e Chuck Liddell. Eles falaram que eu tinha um coração de leão, que dava para ver que não sou técnico, mas que tinha muita raça. Me chamaram para treinar com eles. Lógico que fui, voltei para minha cidade, paguei umas contas que tinha pendentes e mudei para Califórnia de vez.

  • Como lidou com a preparação física durante a carreira? 

Eu já comecei velho, né? Quando eu comecei no jiu-jitsu e mudei para a Califórnia, eu já tinha 25 anos e a galera falou que eu já estava mais velho, que era difícil para começar e que devia voltar para o Brasil. Quis tentar. Na minha cabeça eu só pensava que tinha que lutar mais do que todo mundo e não podia perder tempo. Eu sou um cara que teve um histórico de ‘overtraining’,  sempre treinei demais. Acho que sempre tive minha mente muito forte e isso foi importante.

Quando fiquei mais velho foi mais tranquilo, porque fui ficando mais inteligente, focado mais no corpo, já que eu já tinha a técnica. Isso foi importante para eu me manter no top-10 do ranking do UFC desde que entrei. Me aposentei com 43 anos, em terceiro, acho que tudo isso foi importante.

  • Mais sobre o combate com Jon Jones: 

Eu estava muito confiante, já que tinha 20 vitórias consecutivas. Depois disso, estava com muita certeza de que iria ganhar o cinturão. Mas perdi, aconteceu. Voltei para casa e pensei que tinha que ver onde eu tinha errado e dar a volta por cima. Na verdade, depois daquela luta eu relaxei bastante, curti um pouco depois daquela derrota de lutar pelo cinturão, deiei de fazer algumas coisas importantes e ganhei mais peso. Fiz até minha pior luta no UFC na sequência, contra o Phil Davis, e foi onde tomei aquele ‘tapa na cara’ de pensar se eu ia me aposentar ou me dedicar 100%. Foi nesse momento que entrei de cabeça na alimentação, na dedicação, meditação. Tive alguns altos e baixos, mas consegui chegar ao topo.

  • Maior rival da carreira:

Acho que eu não tenho, mas se eu tivesse que escolher uma revanche, hoje, seria com o Jiri [Prochazka], porque foi uma luta que ficou engasgada. Eu estava ganhando a luta toda e perdi o cinturão faltando 30 segundos no último round. Então, se tivesse que colocar uma rivalidade para querer uma revanche seria com o Jiri Prochazka. Mas todos são oponentes que eu preciso passar para conquistar a vitória. 

  • Maiores inspirações no MMA:

Tem muitos [nomes] para falar, porque são muitas épocas diferentes. Não gosto de falar o melhor de todos os tempos, porque não tem como comparar alguém como o Rickson Gracie com os de agora, porque são momentos diferentes, assim como Mohammed Ali e Mike Tyson. Mas, se precisasse falar no momento, seriam o Jon Jones e o Khabib [Nurmagomedov]. No passado: Chuck Liddell e Minotauro mesmo. Mas quem eu mais admiro e tenho paixão de verdade são Chuck Liddell e Minotauro.

*Sob supervisão de Gabriela Santos