Julio Casares renunciou oficialmente ao cargo de presidente do São Paulo nesta quarta-feira, 21, e não ocupa mais a principal função do Executivo tricolor. A decisão foi comunicada pelo próprio dirigente por meio de uma publicação nas redes sociais, encerrando um período de forte instabilidade política no clube.
A renúncia aconteceu após Casares ser derrotado na votação do Conselho Deliberativo, realizada na última sexta-feira, 16. No pleito, 188 conselheiros votaram a favor do impeachment, contra 45 votos pela permanência e dois em branco. A sessão foi marcada por protestos de torcedores, que se manifestaram contra a gestão do então presidente.
Com a saída antecipada, Casares evitou a realização da assembleia geral dos sócios, que estava prevista para confirmar, ou não, o processo de impeachment. Diante da renúncia, a assembleia foi automaticamente cancelada, encerrando o rito político que vinha sendo conduzido dentro do clube.
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Com a vacância do cargo, o vice-presidente Harry Massis Junior, de 80 anos, assume a presidência do São Paulo de forma interina até o fim do mandato atual, em dezembro de 2026. A expectativa é de que a nova gestão busque estabilizar o ambiente político e administrativo do clube em meio à temporada.
Julio Casares havia assumido a presidência do São Paulo em 2021 e enfrentava desgaste crescente nos bastidores, principalmente por questões administrativas e esportivas que culminaram na abertura do processo de impeachment pelo Conselho Deliberativo.
Confira a carta de Casares na íntegra:
Ao longo de minha trajetória à frente da Presidência do São Paulo Futebol Clube, atuei com absoluta seriedade, firmeza, responsabilidade e compromisso com a defesa da instituição, sempre orientado pelo respeito à sua história, à sua grandeza e à sua torcida.
Nos últimos meses, o clube passou a viver um ambiente de intensa instabilidade, marcado por ataques reiterados, narrativas distorcidas e pressões externas que extrapolaram o debate institucional legítimo.
O que se iniciou como versões frágeis e boatos foi sendo reiteradamente reproduzido, amplificado e, gradativamente, tratado como verdade, mesmo sem a apresentação de fundamentos consistentes ou provas robustas.
Formou-se, assim, um contexto de grave contaminação do debate, no qual ilações passaram a ocupar o lugar dos fatos e suposições foram apresentadas como certezas, em um processo que, aos poucos, transformou versões construídas em verdades aparentes.
Não afirmo, neste momento, autoria, métodos ou responsabilidades específicas, até porque tais questões devem ser devidamente apuradas pelos órgãos competentes. Contudo, é impossível ignorar que houve articulações de bastidores, distorções deliberadas e uma trama política ardilosa, marcada por interesses, traições institucionais e expedientes incompatíveis com a história e os valores do São Paulo Futebol Clube — fatos que o tempo e a história haverão de registrar.
Esse cenário afetou profundamente a governança do clube e, de forma absolutamente inaceitável, ultrapassou os limites da esfera institucional, alcançando minha família e minha vida pessoal.
Não renunciei anteriormente porque entendi ser meu dever exercer, até o fim, o direito à ampla defesa e ao contraditório.
Enfrentei esse processo de maneira direta, presencial e com dignidade, mesmo diante de um ambiente já contaminado por narrativas previamente construídas.
Na prática, a manifestação realizada na tribuna foi o único espaço efetivo que me foi concedido para apresentar minha defesa, em um rito sumário que, ao meu juízo, restringiu a necessária produção de provas e o pleno esclarecimento dos fatos.





