Vamos começar o ano, contando sobre uma jogada de mestre no mundo do futebol. Não é novidade, mas é uma genialidade. Aos 31 anos, David Beckham tomou uma das decisões mais polêmicas da história do futebol: deixou o gigante Real Madrid, o clube mais importante do planeta, para jogar na Major League Soccer (MLS), nos Estados Unidos, aceitando um salário quase 70% menor do que recebia na Espanha.
Na época, parte da imprensa chegou a afirmar que o jogador estaria “acabando com a própria carreira”.
Mas, mais de quinze anos depois, a fala é outra. Beckham se tornou um dos protagonistas da transformação da MLS. De uma liga emergente para um dos mercados esportivos mais incríveis do mundo.
A chave dessa mudança foi uma cláusula pouco comum em contratos de futebol: o direito de compra de uma franquia da MLS ao final de sua carreira, por um valor fixado em US$ 25 milhões. Em 2014, Beckham exerceu esse direito e fundou o Inter Miami. Quando o clube foi criado, as franquias da MLS já eram avaliadas em torno de US$ 200 milhões.
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Hoje, estimativas de mercado indicam que muitos clubes da liga superam a marca de US$ 1 bilhão em valuation, com o Inter Miami avaliado em cerca de US$ 1,2 bilhão, consolidando-se como um dos ativos mais valiosos do futebol norte-americano. Que AULA! Esse crescimento não se deve apenas à trajetória de Beckham como jogador, mas ao seu papel como arquiteto de um projeto de longo prazo que alia futebol, negócio e construção de marca global.
O maior exemplo dessa visão estratégica veio em 2023, quando o Inter Miami anunciou a contratação de Lionel Messi que, na minha opinião, é o maior jogador da história do esporte depois de Pelé. A chegada do argentino ao clube representou a maior transferência da história da MLS. Os números comprovam toda essa visão:
- A MLS registrou em 2024 seu maior público total da história, com mais de 11milhões de torcedores assistindo aos jogos ao vivo, uma média de aproximadamente 23 mil espectadores por partida;
- Contratos de transmissão, como o acordo global de US$ 2,5 bilhões firmado com a Apple TV.
David Beckham mostrou uma compreensão rara sobre o valor do esporte como produto global e de longo prazo. Ao aceitar um corte salarial no início, ele abriu caminho para se tornar um dos maiores investidores e impulsionadores da MLS, transformando um mercado até então discreto em um ambiente de bilhões de dólares em valor econômico agregado.
Hoje, quando a imprensa internacional estende o tapete vermelho e celebra a história do Inter Miami e da liga americana, fica claro: Beckham não fez apenas uma escolha de carreira, ele executou uma das mais brilhantes jogadas de visão estratégica na história do futebol moderno. DB é gênio ou não é? Merece a Bola de Ouro fora dos gramados.





