Quando Pelé assinou seu primeiro contrato profissional com o Santos Futebol Clube em 25 de junho de 1957, ele passou a receber um salário fixo mensal de cerca de seis mil cruzeiros — valor que, à época, estava abaixo de dois salários mínimos e era enviado em grande parte para sua família. A cifra modesta refletia o padrão salarial do futebol brasileiro do pós‑guerra, quando jogadores normalmente ganhavam pouco e dependiam também de “bichos” (prêmios por vitórias) para complementar a renda.
Quais aumentos de salário Pelé teve durante sua carreira?
Com a ascensão meteórica de Pelé e suas atuações decisivas, o Santos revisou o contrato do craque algumas vezes. Em 1961, por exemplo, jornais da época reportaram que o valor em cruzeiros que Pelé recebia mensalmente havia saltado para cerca de dois milhões, que, convertidos para valores atuais, significam cerca de R$ 70 000 a R$ 100 000 por mês dependendo da metodologia econômica usada. Isso o colocava numa faixa salarial bastante elevada para o futebol brasileiro daquele período.
Esses aumentos ocorreram em paralelo às negociações internacionais que o Santos fazia para tours e amistosos no exterior, onde Pelé era a principal atração e ajudava a impulsionar receitas bem maiores que o salário base.

Como os salários de Pelé se comparam com outros jogadores da época?
A remuneração de Pelé no Santos era acima da média do futebol brasileiro da época, ainda que distante dos valores exorbitantes atuais. Enquanto a maioria dos atletas recebia pagamentos básicos e prêmios modestos, Pelé já estava em uma faixa superior por conta de sua importância para o clube e a visibilidade que gerava.
Esse contraste ficou ainda mais evidente quando ele se transferiu para o New York Cosmos nos Estados Unidos, em 1975, onde o contrato lhe rendia cerca de US$ 2,5 milhões por ano, valor absurdo para a época e que o colocava entre os atletas mais bem pagos naquele país, algo que hoje equivaleria a mais de R$ 25 milhões por ano.
Quais ganhos adicionais Pelé teve além do salário do Santos?
Além do salário base e dos “bichos” no Santos, Pelé começou a lucrar com contratos de publicidade e direitos de imagem desde cedo. A Puma chegou a pagar cerca de US$ 120 000 para que ele amarrasse os cadarços antes de uma final da Copa do Mundo de 1970, só para garantir exposição da marca.
Ele também participou de campanhas para marcas e eventos internacionais ao longo e depois de sua carreira, somando receitas de licenciamento, aparições e contratos de embaixador esportivo. Esses ganhos, muitas vezes, ultrapassavam o que recebia apenas como salário de jogador.
Quais mitos ou equívocos existem sobre o salário de Pelé?
Um mito comum é que Pelé sempre ganhou “fortunas” desde que começou no Santos. Na verdade, seus primeiros salários eram modestos e compatíveis com a realidade econômica do Brasil dos anos 1950, quando o futebol ainda não gerava receitas de transmissão ou patrocínio como hoje.
Outro equívoco é imaginar que os contratos internacionais de Pelé significavam altos salários fixos. Grande parte do ganho nesses casos vinha de bônus por partida, publicidade, direitos de imagem e participação em amistosos lucrativos, e não de um salário anual tradicional como vemos no futebol moderno.
Qual é o impacto do salário de Pelé para o futebol moderno?
O histórico salarial de Pelé mostra como o futebol brasileiro cresceu econômica e estruturalmente ao longo das décadas. Ele foi um dos primeiros jogadores a realmente atrair atenção internacional e a gerar receitas que estimulassem clubes a pensar em marketing e internacionalização.
Além disso, sua vasta trajetória financeira inspirou mudanças nos modelos de negociação de contratos e direitos de imagem dos jogadores, influenciando como clubes e atletas lidam com salários hoje. Pelé tornou‑se um símbolo não apenas de habilidade, mas de como o jogador de futebol pode, com talento e gestão, transformar sua carreira em um negócio global.





