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A nova estratégia da Fórmula 1 para manter a categoria mais equilibrada

Por Nicolas Otto
31/01/26 10:00:00
Em Fórmula 1
A nova estratégia da Fórmula 1 para manter a categoria mais equilibrada

Carros da Aston Martin no GP da Holanda - Fonte: dobryzpravy.cz

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O novo regulamento técnico da Fórmula 1 para 2026 alterou de forma profunda a forma como as unidades de potência são concebidas e desenvolvidas, equilibrando a participação entre motor a combustão e sistema híbrido e exigindo novos projetos, parcerias e mecanismos inéditos para manter o campeonato competitivo.

Como a reorganização de fabricantes afeta a competitividade na Fórmula 1

Marcas tradicionais seguem no grid com seus próprios propulsores, como Mercedes e Ferrari, enquanto novos participantes entram na disputa por desempenho. A Audi estreia com carro e motor próprios, a Red Bull forma uma aliança de unidade de potência com a Ford, e a Honda passa a fornecer para a Aston Martin.

A Cadillac surge como nova equipe associada à GM, ainda usando motor Ferrari em uma fase inicial, o que amplia o leque de soluções técnicas no grid. Essa reorganização reforça a necessidade de um sistema que ofereça condições mínimas de competitividade entre fabricantes e mantenha a Fórmula 1 atraente para novos investimentos.

A nova estratégia da Fórmula 1 para manter a categoria mais equilibrada
Carro da Audi – Fonte: X/@InsideAudiF1

O que é o ADUO na Fórmula 1 moderna

Para lidar com possíveis diferenças de desempenho entre fabricantes de motor, a FIA criou o ADUO (Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização). O mecanismo está diretamente ligado à nova geração de unidade de potência da Fórmula 1 e busca acelerar a evolução de quem ficar para trás.

Em vez de tentar igualar artificialmente os carros, o objetivo é oferecer mais ferramentas de desenvolvimento às fabricantes com déficit de potência. Esse modelo foi pensado para se encaixar na realidade do teto orçamentário e da transição para uma F1 mais híbrida, eficiente e sustentável em médio prazo.

Como funciona o monitoramento de desempenho do ADUO

O funcionamento do ADUO parte de uma análise detalhada da performance dos motores ao longo do campeonato, feita pela FIA com base em dados de telemetria e medições padronizadas. A entidade busca neutralizar variáveis como altitude, temperatura e características das pistas para comparar apenas o potencial das unidades de potência.

A FIA mede a potência das unidades de potência em três blocos de seis corridas, fazendo uma média robusta. Se um fabricante estiver, por exemplo, mais de 2%, 4% ou 6% abaixo em potência em relação ao melhor motor de combustão interna, passa a ter direito a benefícios graduais, sempre proporcionais ao tamanho da desvantagem.

Como o ADUO ajuda as unidades de potência mais fracas

Os benefícios do ADUO se concentram em três frentes principais: horas extras de desenvolvimento, maior flexibilidade de homologação e alívio no orçamento para motor. Isso impacta diretamente a forma como cada fabricante trabalha sua unidade de potência da F1 ao longo da temporada, sem alterar o regulamento técnico em pista.

Esses benefícios são acionados conforme o grau de defasagem e servem como um “empurrão” regulatório para acelerar a curva de aprendizado. Entre as principais vantagens previstas pelo sistema, destacam-se:

  • Mais horas de dinamômetro: permite realizar mais testes de banco de provas, simulando diferentes cenários de corrida e explorando mapas de motor e soluções de eficiência.
  • Mais oportunidades de homologação: amplia o número de atualizações permitidas, dando chance de corrigir deficiências de projeto com mais rapidez.
  • Maior flexibilidade no teto de gastos: cria uma margem adicional específica para o desenvolvimento da unidade de potência, reduzindo o risco de estourar o orçamento geral.

Segundo a lógica da FIA, sem esse tipo de ferramenta, uma marca que começa em desvantagem poderia permanecer presa a um cenário de baixo desempenho por várias temporadas. Em um ambiente de teto orçamentário, gastar mais para recuperar terreno ficaria limitado, o que poderia levar algumas fabricantes a avaliar a continuidade no esporte.

O ADUO é um balanceamento de desempenho disfarçado

Uma dúvida frequente é se o ADUO seria uma espécie de “balanceamento de desempenho” (BoP), recurso utilizado em outras categorias do automobilismo. A FIA, no entanto, deixa claro que a proposta é diferente e não interfere diretamente nos parâmetros de cada carro em um fim de semana específico.

No BoP tradicional, o regulador ajusta peso, potência ou aerodinâmica para aproximar o desempenho em pista. Na Fórmula 1, com o ADUO, todos continuam correndo com o mesmo regulamento técnico, sem ajustes artificiais; o foco é apenas abrir mais espaço de trabalho para quem está atrás, preservando o caráter competitivo e tecnológico da categoria.

Qual o impacto do ADUO para novos fabricantes e para o futuro da F1

O ADUO também foi pensado para tornar a entrada de novos fabricantes de motor menos arriscada e mais previsível em termos de planejamento. A Fórmula 1 acumula décadas de conhecimento em chassi, aerodinâmica e propulsão híbrida, o que cria uma barreira natural de competitividade para estreantes.

Nesse contexto, o mecanismo de oportunidades adicionais de desenvolvimento funciona como um incentivo à participação, limitando o risco de se ficar permanentemente no fundo do grid. A possibilidade de receber mais horas de teste, mais janelas de atualização e algum alívio no orçamento em caso de problemas sérios de confiabilidade evita que um projeto seja abandonado por falta de perspectiva técnica.

  1. Entrada de nova fabricante com motor próprio.
  2. Avaliação de desempenho nos primeiros blocos de corridas.
  3. Identificação de déficit de potência acima dos limites definidos.
  4. Concessão de benefícios do ADUO para acelerar a evolução.
  5. Redução gradual da diferença de performance ao longo da temporada.

Com o novo regulamento híbrido, o fortalecimento da parte elétrica e o ADUO em vigor, a tendência é que a disputa entre fabricantes se desenvolva em ciclos mais curtos. O equilíbrio não é garantido, mas o sistema oferece caminhos concretos para que, com trabalho técnico consistente, qualquer projeto de unidade de potência tenha chance real de alcançar o topo do grid nos próximos anos.

Tags: EquipesFórmula 1regulamento
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