O termo WAGs, sigla para wives and girlfriends, começou a ganhar força no futebol inglês no início dos anos dois mil, especialmente com a ascensão da Premier League como produto global. Nesse cenário, Victoria Beckham já era uma figura pública consolidada, conhecida mundialmente por integrar as Spice Girls, um dos maiores grupos pop da década de noventa.
Como Victoria Beckham construiu sua imagem além do casamento com um jogador?
Quando se casou com David Beckham, então estrela do Manchester United, Victoria optou por não assumir um papel secundário. Ela passou a usar aparições públicas, eventos esportivos e capas de revista como ferramentas estratégicas para consolidar uma marca pessoal independente.
Ao contrário de outras companheiras de jogadores, sua imagem foi cuidadosamente associada à moda, sofisticação e negócios. Essa postura ajudou a criar um novo imaginário em torno das WAGs, deixando de lado a ideia de fama passageira e aproximando o conceito de empreendedorismo e influência cultural.

De que forma a moda se tornou o pilar desse modelo de negócio?
A transição de cantora pop para estilista não foi imediata, mas foi planejada com consistência. Victoria Beckham investiu em formação, parcerias e posicionamento de mercado, lançando sua própria marca de roupas e acessórios com foco em luxo e design contemporâneo.
Esse movimento mostrou que a visibilidade gerada pelo futebol poderia ser convertida em negócios sustentáveis. A partir desse ponto, a moda passou a ser vista como um caminho legítimo para WAGs que buscavam autonomia financeira e reconhecimento profissional fora do esporte.
Por que Victoria Beckham é considerada pioneira entre as WAGs?
Antes dela, a maioria das parceiras de jogadores era retratada pela mídia de forma superficial, com foco em consumo, festas e aparência. Victoria rompeu esse padrão ao assumir controle da própria narrativa e usar a exposição a seu favor.
Ela estabeleceu um precedente claro: ser esposa de um atleta famoso não impedia a construção de uma carreira sólida. Esse modelo foi replicado posteriormente por mulheres ligadas a jogadores em diferentes ligas, inclusive fora do futebol europeu.
Quais outras figuras seguiram o caminho aberto por Victoria Beckham?
Após a consolidação do seu sucesso, outras WAGs passaram a investir em marcas próprias, redes sociais e projetos empresariais. Nomes ligados a atletas da Inglaterra, Espanha e Itália passaram a enxergar a fama como ativo estratégico.
Esse movimento foi intensificado com o crescimento das redes sociais, que permitiram comunicação direta com o público. Ainda assim, o padrão de profissionalização e longevidade do negócio criado por Victoria segue sendo referência no setor.
Como a mídia ajudou a consolidar esse novo modelo?
A cobertura intensa da vida do casal Beckham por veículos britânicos e internacionais ajudou a amplificar o alcance de Victoria. No entanto, o diferencial esteve na forma como ela reagiu à exposição, transformando interesse midiático em posicionamento de marca.
Em vez de evitar os holofotes, ela os utilizou para reforçar valores como disciplina, trabalho e consistência. Essa abordagem ajudou a mudar o tom da cobertura sobre WAGs, que passou gradualmente de caricatural para mais analítica e comercial.
Quais críticas e estereótipos ainda cercam o conceito de WAGs?
Apesar das mudanças, o termo WAGs ainda carrega estigmas ligados a futilidade e dependência financeira. Muitas mulheres associadas a atletas seguem sendo julgadas mais por aparência do que por realizações profissionais.
O caso de Victoria Beckham costuma ser citado justamente para questionar esses rótulos. Sua trajetória mostra que o problema não está na visibilidade em si, mas na ausência de controle sobre a própria imagem e narrativa pública.





