Na Copa em que cada detalhe vira pauta mundial em segundos, Harry Kane acabou no centro de uma disputa que não teve nada a ver com linha alta, marcação ou tática. De um lado, um curandeiro ganês dizendo ter travado o artilheiro inglês com um ritual. Do outro, xamãs peruanos tentando quebrar essa suposta maldição ao vivo na TV. O gol na vitória por 2 a 0 colocou o capitão de volta na rota da artilharia e alimentou uma “guerra mística” que explodiu nas redes.
O episódio virou assunto porque juntou três elementos poderosos: jejum do atacante, declarações públicas sobre rituais e um desfecho em campo que encaixou na narrativa espiritual. A partir daí, o desempenho do inglês passou a ser lido também por maldição, limpeza, mau-olhado.

Como nasceu a “maldição” sobre o capitão da Inglaterra?
O início de tudo foi o empate sem gols entre Inglaterra e Gana. Antes da partida, um curandeiro ganês afirmou ter feito um ritual específico para impedir o capitão de marcar novamente na Copa. O roteiro em campo colaborou com a versão, e o centroavante saiu zerado no jogo. Além de ter perdido uma chance clara, mandando por cima do travessão em situação favorável para abrir o placar.
“Confio em mim mesmo na maioria das vezes. Uma dessas chances, mas já vivi o suficiente como atacante para saber que nem sempre a bola vai entrar. Confio em mim mesmo nove em cada dez vezes, mas hoje não deu certo”, disse o camisa 9, ainda na ressaca do empate com Gana.
Enquanto o jogador tratava o episódio como parte da rotina de quem finaliza muito, o discurso do curandeiro ganês encontrava espaço nas redes. O jejum naquele jogo e a chance desperdiçada viraram combustível para quem queria ver ali a tal maldição funcionando.
Que papel tiveram os xamãs peruanos na “guerra mística”?
Entre o tropeço contra Gana e o jogo seguinte, entrou em cena um novo capítulo, agora com endereço no Peru. Um canal de TV do país levou ao ar um ritual conduzido por um grupo de xamãs, com a promessa de afastar a “energia pesada” que, segundo eles, cercava o jogador inglês. A transmissão exibiu cerimônias com ramos de alecrim diante de uma figura de papelão do atacante, cercada por outros elementos típicos de práticas espirituais andinas.
Durante o programa, um dos participantes afirmou que o atleta estava guiado por “energia negativa” e que o objetivo ali era fazer uma limpeza espiritual. Os xamãs falaram em libertar o capitão do mau-olhado, expressão que apareceu para explicar o momento sem gols. O recado, transmitido horas antes da partida contra o Panamá, foi claro: a ideia era quebrar a suposta maldição atribuída ao curandeiro de Gana.
Harry Kane quebrou a “maldição” na vitória sobre o Panamá?
Com o pano de fundo montado, faltava o que acontece sempre no fim: a bola decidir. A Inglaterra entrou em campo contra o Panamá pela última rodada da fase de grupos com a liderança do Grupo L em jogo. Jude Bellingham abriu o placar, encontrou espaços, atraiu marcação e acabou abrindo caminho para o segundo gol, que seria justamente o lance que mudaria o tom da conversa sobre o capitão.
O centroavante apareceu bem posicionado, aproveitou o cenário criado pelo meio-campista e fez o 2 a 0. O gol, que em outra circunstância seria “só” o segundo da partida, virou na hora a prova de que a tal limpeza espiritual teria funcionado, na leitura de quem acompanhou o ritual peruano. Comentários passaram a conectar o horário da transmissão com o jogo, como se uma linha direta ligasse o estúdio em Lima ao estádio da Copa.
O lance teve ainda um peso estatístico relevante. Com a bola na rede, o atacante chegou a 11 gols em Copas do Mundo e se isolou como maior artilheiro da história da seleção inglesa na competição, superando Gary Lineker. O número ajudou a reforçar a ideia de “fim da maldição” justamente no momento em que o capitão retomava o protagonismo goleador.
O que essa história muda para a Inglaterra na Copa do Mundo?
Do ponto de vista da tabela, o efeito foi direto. A vitória por 2 a 0 diante do Panamá garantiu a liderança do Grupo L e classificou a equipe para a fase de 32 avos. O próximo adversário será a RD Congo, em jogo marcado para quarta-feira (1º), às 13h (de Brasília). A seleção comandada por Thomas Tuchel está no mesmo lado da chave do Brasil, o que abre a possibilidade de um encontro com a Seleção Brasileira nas quartas de final.


(@The_Forty_Four)