Fora da Copa do Mundo por lesão, Rodrygo escolheu um caminho pouco usual para entrar no vestiário do Brasil às vésperas do jogo decisivo contra o Japão. O atacante do Real Madrid publicou uma espécie de carta aberta como coluna no jornal britânico The Guardian e, no texto, descreveu Carlo Ancelotti como “figura paterna” da Seleção. Ele ainda cravou que o treinador “certamente tem um plano” para o duelo decisivo desta segunda-feira (29), diante do Japão.
O texto, divulgado nesse domingo (28), chegou na antevéspera do confronto de “tudo ou nada” pela Copa 2026. Sob comando do técnico, o Brasil terminou a fase de grupos na liderança do Grupo C, invicto, com empate contra Marrocos por 1 a 1 e vitórias por 3 a 0 sobre Haiti e Escócia. Agora, é vencer ou vencer para seguir vivo em busca do sonhado hexacampeonato mundial.
Brasil e Japão se enfrentam pela fase 32 avos às 14h (de Brasília) desta segunda-feira (29). Quem perder, volta para casa. No domingo (28), abertura da fase mata-mata, o Canadá eliminou a África do Sul por 1 a 0 e se garantiu nas oitavas de final.

“Figura paterna” e plano de jogo de Carlo Ancelotti
Ao longo da coluna, o camisa 10 se esforça para reduzir a distância entre a percepção externa de improviso no trabalho de Ancelotti e o que os jogadores veem no dia a dia. “Para quem está fora do vestiário, é difícil prever o que o Mister fará. Mas ele estará preparado para o jogo contra o Japão. É natural que se sintam um pouco perdidos tentando entender sua mentalidade, já que podem esperar que ele escolha um caminho e ele acaba seguindo outro”, revelou o atacante.
Rodrygo também fez questão de tranquilizar o público brasileiro, destacando a lucidez do comandante. “Carlo Ancelotti, figura paterna para o Brasil, certamente tem um plano. Ele sempre tem um plano”, escreveu o atacante, amarrando a imagem afetiva do “Mister” a uma convicção tática bem definida.
“Não se enganem: suas escolhas são sempre bem ponderadas. Guiadas por uma coerência fenomenal que emana tanto do coração quanto da mente de alguém com profundo conhecimento tático e talento para gerenciar a dinâmica de grupo”, dizia outro trecho.
Ao expor esse bastidor, o jogador desloca a discussão das escalações e substituições pontuais para o nível da lógica que sustenta o trabalho do treinador.
O que a carta de Rodrygo revela sobre os bastidores do Brasil?
Para sustentar essa imagem de estrategista pragmático e ao mesmo tempo próximo, o atacante recorre a um episódio emblemático da carreira no Real Madrid. Ele lembra a semifinal da Liga dos Campeões de 2022 contra o Manchester City, quando saiu do banco para marcar dois gols aos 90 minutos, após uma conversa direta com Ancelotti.
“Menciono esse momento para destacar a importância dos treinadores na trajetória de uma equipe. O quanto eles são decisivos na carreira de um jogador, realizando um trabalho que muitas vezes passa despercebido pelo público”, e completou:
“Ancelotti é como uma figura paterna para nós. Um homem que admiro imensamente, como treinador e como pessoa. Ele conversa conosco e nos orienta em assuntos dentro e fora de campo”, escreveu o jogador, ampliando a dimensão da relação. A coluna mostra um líder que se projeta para além do desenho tático, ocupando um espaço de conselheiro no grupo, algo que Rodrygo tenta estender simbolicamente ao ambiente da Seleção Brasileira.
O atacante também projeta o que espera ver do país no duelo contra o Japão: “Acredito que todos os meus compatriotas brasileiros, especialmente aqueles que só recentemente tiveram contato com suas ideias, demonstrarão cada vez mais seu apoio ao trabalho do Mister.”

Mentores, “Família Scolari” e o lugar de Ancelotti
A carta no The Guardian não se limita ao atual comandante do Brasil. Em tom reflexivo, Rodrygo percorre a própria trajetória, agradecendo técnicos que marcaram a formação desde a infância em Osasco. O texto cita treinadores que o acompanharam no Santos, como Jair Ventura, além de Tite pela Seleção, numa linha que conecta diferentes estilos de liderança.
O jogador menciona ainda encontros com Luiz Felipe Scolari nos bastidores de TV em Nova York, onde recebeu explicações sobre o conceito de “Família Scolari”. Essa referência insere Ancelotti em uma galeria mais ampla de mentores, cada qual com um jeito específico de conduzir grupo e jogo, mas todos presentes na construção profissional do atacante.
