A possibilidade de uma disputa por pênaltis faz parte da preparação da Seleção Brasileira para o duelo contra o Japão, nesta segunda-feira, 29, pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. E, se a decisão chegar às cobranças, Carlo Ancelotti já deixou claro qual será o principal critério para definir os batedores.
O treinador italiano acredita que o aspecto mental pesa mais do que a qualidade técnica no momento decisivo. A filosofia ficou evidente em março de 2025, quando comandava o Real Madrid nas oitavas de final da Champions League contra o Atlético de Madrid.
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Na ocasião, Endrick era um dos cotados para cobrar o quinto pênalti, mas Ancelotti mudou de ideia momentos antes da disputa e escolheu Antonio Rüdiger.
“Nós tínhamos dúvidas sobre o quinto batedor. Aí eu vi a cara do Endrick e pensamos: melhor o Rüdiger. Achamos que ele estava mais frio.“
Psicologia acima da técnica
Apesar de incluir treinamentos de cobranças de pênalti na rotina da Seleção desde o início da preparação para a Copa do Mundo, Ancelotti evita definir previamente a ordem dos cobradores. A escolha acontece apenas instantes antes da disputa, levando em consideração o estado emocional e também o desgaste físico dos atletas.
Para o treinador, um bom cobrador nem sempre está preparado para assumir a responsabilidade em uma decisão.
“Se estou escolhendo os batedores, o lado mental é mais importante do que a técnica. Se você não está bem mentalmente, não está apto para executar a cobrança.”
O italiano também já afirmou que disputas por pênaltis são uma verdadeira “loteria” e revelou que, ao longo da carreira, viu especialistas recusarem a responsabilidade por não se sentirem confiantes naquele momento.
Brasil tenta evitar novo trauma
A Seleção busca evitar que a vaga seja decidida nas penalidades. As duas últimas disputas terminaram em eliminação: contra a Croácia, nas quartas de final da Copa do Mundo de 2022, e diante do Uruguai, na Copa América de 2024.
No Catar, Tite admitiu posteriormente que errou ao deixar Neymar para a quinta cobrança, o camisa 10 sequer bateu, já que o Brasil foi eliminado antes. Dois anos depois, Dorival Júnior também recebeu críticas pela condução da equipe antes das penalidades contra os uruguaios.
Caso a partida contra o Japão termine empatada após a prorrogação, Ancelotti colocará em prática sua filosofia: mais importante do que a técnica será identificar quem estiver emocionalmente preparado para assumir a responsabilidade. Neymar, Igor Thiago e Raphinha, atualmente lesionado, aparecem entre os principais especialistas da Seleção em cobranças de pênalti.
