Em clima de Copa do Mundo, Cidade do México e estado de Nuevo León decidiram mexer na rotina de estudo e trabalho para atravessar os dias de jogos sem colapso de mobilidade. As duas sedes ainda ativas do Mundial 2026 cancelaram aulas e passaram a recomendar o “home office” durante partidas que abrem a fase de 32 avos, incluindo o duelo da seleção nacional no Estádio Azteca.
O movimento começa nesta segunda-feira (29) em Monterrey, onde o Estádio BBVA recebe Holanda x Marrocos, e segue na terça (30), na capital, com o México em campo em busca de vaga nas oitavas. A decisão do governo federal aparece em decreto publicado no Diário Oficial, atingindo toda a Cidade do México.
Poucas horas depois do decreto na Cidade do México, o governador Samuel García comunicou que Nuevo León adotaria a mesma lógica. O estado também alinharia o calendário à agenda da Copa, já nesta segunda.

Cidade do México e Nuevo León cancelam aulas
O decreto federal se concentra nas redes de ensino e no funcionalismo. Todas as instituições de educação pré-escolar, fundamental, médio e superior, públicas ou privadas, sob guarda da Secretaria de Educação Pública (SEP), terão atividades presenciais suspensas nos dias indicados.
A regra do home office envolverá servidores, com exceção de quem atua em serviços considerados essenciais. Ou seja, setores de saúde, segurança, alfândega, infraestrutura crítica e logística da própria Copa do Mundo.
No setor privado, o texto não impõe ordem, mas abre espaço para uma mudança de rotina ampla. Cidade do México e Nuevo León passaram a incentivar empresas a liberar trabalho remoto ou algum tipo de escala flexível durante os confrontos mata-mata. A medida visa aliviar o transporte público e as avenidas em torno dos estádios e dos espaços oficiais de torcida.
Reduzindo, portanto, deslocamentos longos em um momento de concentração de torcedores locais e estrangeiros.
Trabalho remoto na Copa: cidades querem segurar o trânsito
A aposta das autoridades mexicanas é que o home office se torne uma espécie de 12º jogador na organização urbana desses dias. Menos carros e menos gente em ônibus e metrô significam mais espaço para quem precisa circular até as áreas operacionais do torneio. No entorno das sedes, a circulação de torcedores já é intensa, e a folga concedida aos estudantes retira um fluxo diário considerável das ruas nos horários de pico.
Em Monterrey, que fecha sua participação no Mundial com Holanda x Marrocos, o cenário de aglomeração já está montado desde a fase anterior. A Fan Fest do Parque Fundidora virou ponto de encontro para acompanhar as partidas, com shows e telões. Na quinta-feira anterior aos anúncios, mais de 150 mil pessoas ocuparam o palco principal para apresentação do Grupo Firme, banda de música regional mexicana.
Monterrey e a Cidade do México se preparam para mata-mata
O governador Samuel García, em vídeo nas redes sociais, sinalizou o que espera para a reta final de jogos no BBVA. Ele falou em uma preparação para receber entre 15 mil e 20 mil torcedores holandeses vindos dos EUA para o duelo com Marrocos. Esse movimento se soma aos mexicanos e a torcedores de outros países que já circulam pela região, pressionando ainda mais transporte, hospedagem e serviços no entorno da arena e do Fan Fest.
Na capital, o foco está no Zócalo Fan Fest, vitrine principal para quem não tem ingresso. O governo municipal planeja instalar dezenas de telões distribuídos pela área para espalhar as multidões e evitar ponto único de aglomeração no centro histórico.
Desde a estreia, em 11 de junho, a mobilização em torno da seleção mexicana tem crescido. Após a vitória contra a África do Sul, cerca de 150 mil torcedores se reuniram no monumento do Anjo da Independência. Na rodada seguinte, diante da Coreia do Sul, a festa tomou proporções maiores, com 400 mil pessoas nas ruas ao redor do mesmo ponto.

A sequência de resultados levou, na vitória sobre a República Tcheca, a uma ocupação ainda mais densa: mais de 800 mil torcedores. Mexicanos lotaram o Paseo de la Reforma em comemorações que avançaram até a madrugada. Espera-se uma movimentação ainda maior, especialmente em caso de classificação.
Os mexicanos, primeiros classificados ao mata-mata, voltam a campo na terça-feira (30), às 22h (de Brasília), no Azteca, ainda sem saber quem estará do outro lado.
