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Por que a bola Trionda, da Copa 2026, está dando trabalho aos goleiros? Ciência explica

by Redação
26/06/26 08:50:06
in Giro Sportbuzz
Por que a bola Trionda, da Copa 2026, está dando trabalho aos goleiros? Ciência explica
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A Adidas Trionda, bola oficial da Copa 2026, está virando pesadelo para quem defende. Chegando aos goleiros mais rápido do que parece sair do pé, essa sensação estranha já virou gol defensável. Luca Zidane, por exemplo, viu dois chutes passarem entre os dedos, Mendy e Ahmed Basil também tocaram na bola sem conseguir salvar. Em campo, a bronca recai na bola; em laboratório, um estudo recente mostra que existe, sim, um fenômeno físico por trás desse efeito.

O caso mais exposto é o do goleiro da Argélia. Em duas partidas no Mundial, o filho de Zinédine levou cinco gols, dois deles com imagem dura para quem joga na posição. Primeiro, um chute de Lionel Messi que passa por baixo da mão esticada. Depois, a finalização de Nizar al-Rashdan, da Jordânia, também furando a barreira dos dedos.

Do outro lado, o senegalês Mendy e o iraquiano Basil repetiram o roteiro, chegando na bola, tocando nela, mas vendo a rede balançar do mesmo jeito. Sempre com a mesma sensação de atraso.

Trionda, a bola da Copa de 2026, virou tema de estudo cinetífico. (Crédito: Divulgação / Adidas)

Por que a bola Trionda parece acelerar no ar?

Comentando na BBC, Joe Hart apontou a Adidas Trionda como peça-chave para sequência de erros. O ex-goleiro avalia que os atletas estão errando o “timing” porque a bola chega “muito mais rápido do que parece quando sai do pé”. Ele faz questão de blindar os arqueiros e disse que Zidane tem condição de sobra para defender o chute de Messi, basta apenas um tempo de adaptação à bola.

O curioso é que Hart colocou esse diagnóstico antes mesmo da segunda partida do argelino, e o lance com o chute de trivela de al-Rashdan só reforçou a suspeita de que o problema não ia sumir tão cedo. Em meio às partidas, pesquisadores na Ásia colocaram a bola em teste.

Um artigo de 18 páginas, assinado por acadêmicos da Universidade Feminina de Seul, na Coreia do Sul, e da Universidade de Tsukuba, no Japão, levou a Trionda a um túnel de vento para medir como o ar se comporta ao redor dela. Foram seis ângulos diferentes de análise e, em todos, o padrão se repetiu: ao atingir certa velocidade, a bola passa a viajar mais rápido do que vinha, independentemente do ponto em que foi chutada.

Como a “crise de arrasto” afeta os goleiros na Copa 2026?

O estudo aponta para um velho conhecido da aerodinâmica, a chamada crise de arrasto. Quando uma bola está em voo, empurra o ar à frente e, ao mesmo tempo, é “puxada” por esse ar por trás, freando o movimento. Em baixa velocidade, o fluxo se comporta relativamente liso e ordenado. A partir de um certo ponto, porém, entra em modo turbulento.

A partir dessa turbulência mencionada acima que o jogo muda. Com a bagunça em torno da superfície, o ar para de “segurar” tanto a bola por trás. Em vez de perder força como o goleiro espera, a bola reduz o arrasto. Ou seja, na prática, ganha velocidade no meio do percurso.

Segundo os pesquisadores, o desenho da Trionda mexe diretamente nesse gatilho. As costuras, ranhuras e a forma como os painéis se encontram fazem essa virada de fluxo acontecer já em velocidades mais baixas, antecipando a tal crise de arrasto.

Em campo, isso significa o seguinte: o goleiro lê o chute com base na experiência, calcula a chegada considerando a desaceleração, mas o retardamento não acontece. A Trionda, mais leve de arrasto, avança alguns centímetros a mais naquele último instante e escapa dos dedos. É o tipo de lance que, visto em câmera lenta, vira rótulo de falha, mas que, do ponto de vista físico, tem ajuda generosa do comportamento do ar.

A tecnologia da Adidas Trionda muda só a velocidade?

O desenho desse modelo entrou no pacote de novidades da FIFA para o torneio. A entidade apresentou a Adidas Trionda como a primeira bola de Copa do Mundo com apenas quatro painéis, contra os 20 da Al Rihla usada no Catar. As costuras foram planejadas para serem mais profundas, com o discurso de aumentar a estabilidade em voo e distribuir o arrasto de forma mais uniforme.

A superfície ainda traz ícones em relevo, visíveis apenas de perto. Esses pensados para dar mais aderência na batida e no controle, principalmente em campo molhado. Do lado da fabricante, a comunicação veio carregada de testes e promessas.

A Adidas informa que a Trionda passou por mais de 300 baterias de laboratório e vende a ideia de uma “trajetória mais previsível”. Para muitos, a mensagem soou como indireta à Jabulani, da Copa de 2010, que entrou para o imaginário justamente pelo movimento imprevisível no ar.

Na época, a bola lisa rendeu críticas públicas de Iker Casillas, que a chamou de “horrível”. Gianluigi Buffon chegou a classificá-la como “absolutamente inadequada” por mudar de direção de repente. A Trionda segue caminho diferente na superfície, mais texturizada e cheia de ranhuras, mas acaba mexendo na velocidade com que chega.

A Trionda tem deixado defesas no limite: chutes chegam mais rápido e transformam lances defensáveis em gol. (Créditos: Getty Images)

A pesquisa dos sul-coreanos e japoneses chegou a conclusão, ao menos por ora, que a crise de arrasto impacta tanto a trajetória quanto o tempo de percurso. Essa forma como o ar se desprende da bola pode puxar a linha do chute para pequenas variações, mas, pelo que se viu até aqui, o tropeço mais visível está ligado à aceleração repentina.

Há ainda dois detalhes que engrossam a dificuldade: o efeito muda de acordo com a região da bola atingida — bater na costura gera menos arrasto do que acertar o painel — e também varia com a altitude, já que em locais mais altos a chance de essa virada aerodinâmica acontecer diminui.

Leia a matéria original

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