Os caminhoneiros mexicanos escolheram a Copa do Mundo como vitrine para cobrar o governo. A Aliança Mexicana de Transportistas (AMOTAC) avisou que vai bloquear rodovias federais e acessos à Cidade do México justamente no dia do jogo entre México e República Tcheca, no Estádio Azteca.
A promessa foi de estradas travadas a partir do começo da manhã, afetando diretamente a circulação de torcedores e turistas. No centro da insatisfação do setor, estão violência nas rodovias, assaltos constantes e acusações de extorsão por parte de agentes públicos.
Um grupo que reúne motoristas e representantes do setor agrícola, com atuação em todo o país, estão à frente do protesto. As entidades entendem que o governo federal não respondeu às queixas apresentadas ao longo dos últimos meses. Agora, os pequenos transportadores que se sentem deixados de lado empurram o tema para o noticiário em pleno Mundial.
A estratégia é simples: travar pontos-chave da malha viária e forçar o assunto para a mesa da presidente Claudia Sheinbaum.

Bloqueios durante a Copa do Mundo entram na rota
No comunicado mais recente, a AMOTAC se dirige diretamente à presidente e ao “público em geral” para explicar por que partiu para o bloqueio de estradas. O texto acusa o governo de ter “esquecido” os pequenos caminhoneiros, apesar das reuniões e da entrega formal de reivindicações. A resposta, na visão da entidade, não veio.
Sem retorno, houve uma convocação para paralisar rodovias nos 32 estados mexicanos em um mesmo dia. A ideia se baseia em ocupar pontos considerados estratégicos para o mundial.
Nesta quarta-feira (24), a Cidade do México recebe a 3ª rodada da fase de grupos da seleção, contra a República Tcheca. O jogo está marcado para as 22h (de Brasília), no histórico Estádio Azteca, cartão de visitas do futebol mexicano. A ideia dos organizadores era iniciar os bloqueios às 7h, no horário local — 10h em Brasília —, antes do deslocamento em massa para a partida.
Caminhoneiros mexicanos: o que está em jogo nos protestos?
Na lista de queixas, a segurança nas estradas ocupa o topo. Os transportadores descrevem o momento atual como o “pior período de criminalidade e violência” nas rodovias do país. A categoria fala em assaltos recorrentes, risco constante às cargas e falta de resposta efetiva das forças de segurança. Junto disso, aparece a cobrança pelo cumprimento das tarifas oficiais para serviços de reboque, tema que, segundo o grupo, tem gerado abusos e cobranças acima do previsto em norma.
O texto da AMOTAC também traz acusações diretas contra agentes públicos. Os caminhoneiros relatam “perseguição” por parte de forças de segurança durante fiscalizações e operações no trânsito. Falam ainda em “extorsão” por parte de alguns funcionários, tanto em abordagens nas estradas quanto em procedimentos administrativos. Para completar, apontam entraves em processos regulatórios e burocráticos, considerados lentos e ineficientes para quem depende do caminhão para trabalhar todos os dias.

Como os bloqueios podem bagunçar o caminho dos torcedores?
Com bloqueios espalhados pelos 32 estados, a expectativa dos organizadores é provocar congestionamentos em várias frentes. O foco principal está nas rodovias federais que levam à Cidade do México e nos acessos à capital, onde se concentra o vai e vem de torcedores, turistas e trabalhadores em dia de jogo da Copa do Mundo 2026.
A própria entidade admite que haverá impacto direto no trânsito: “Lamentamos o transtorno e o congestionamento que isso causará nas rodovias do país”, diz a nota.
Segundo o comunicado, a “falta de resultados” nas negociações com o poder público teria obrigado a categoria a radicalizar a forma de protestar, numa tentativa de chamar atenção para a realidade dos motoristas de carga. O texto encerra com um chamado à união entre os trabalhadores do setor: “Todos precisamos lutar por um transporte digno e justo”, reforça a AMOTAC, em tom de mobilização nacional.
Marcha lenta até o Zócalo pode ampliar a pressão?
Além dos bloqueios fixos, os caminhoneiros colocaram outra carta na mesa: a possibilidade de uma “marcha lenta” até o Zócalo, principal praça da Cidade do México e endereço do Palácio Nacional, sede do Poder Executivo. A entidade condiciona esse movimento a uma eventual falta de resposta das autoridades às reivindicações apresentadas. Se a negociação não avançar, a carreata em baixa velocidade pelas principais vias da capital entra no radar.
Esse novo capítulo de protestos surge pouco depois de outro foco de tensão ter sido desarmado na capital mexicana. A Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) decidiu encerrar manifestações e ocupações na Cidade do México, após chegar a um entendimento com a Secretaria de Educação Pública.

