Kylian Mbappé alcançará a marca de 100 jogos pela seleção da França nesta segunda-feira (22/6) em um momento simbólico para a France national football team e para a própria história recente do futebol mundial. O atacante chega ao centésimo jogo ainda em plena fase de afirmação no cenário de clubes, mas já consolidado como referência técnica e esportiva do time comandado por Didier Deschamps. O número redondo não representa apenas longevidade: sintetiza títulos, protagonismo em grandes torneios e uma trajetória iniciada muito cedo, sob grande expectativa.
Quando estreou pela seleção principal em 2017, Mbappé ainda era um adolescente em início de carreira no futebol de elite europeu. Promovido após se destacar no Monaco, chamou a atenção pela velocidade, pela tranquilidade em campo e pela forma como parecia à vontade atuando entre jogadores experientes. Em poucos meses, deixou de ser apenas uma promessa para se tornar titular recorrente, abrindo caminho para assumir rapidamente o posto de um dos rostos mais reconhecíveis do projeto esportivo da seleção francesa.

Mbappé na seleção da França: como começou a trajetória de 100 jogos?
A estreia de Mbappé com a camisa azul da França ocorreu em um contexto de renovação programada, depois da Euro 2016 disputada em casa. A comissão técnica buscava nomes capazes de manter a equipe competitiva em alto nível e, ao mesmo tempo, atualizar o estilo de jogo. O jovem atacante encaixou nesse plano por reunir recursos físicos e técnicos considerados fundamentais no futebol contemporâneo: aceleração, leitura de espaço e capacidade de decidir em transições rápidas. Desde os primeiros jogos, passou a ser utilizado tanto aberto pelos lados quanto mais próximo da área, sempre com liberdade para atacar a última linha adversária.
A campanha da Copa do Mundo de 2018, na Rússia, consolidou Mbappé como protagonista em escala global. Ainda em seu primeiro Mundial, o jogador cumpriu papel determinante no título francês, marcando gols decisivos em mata-matas e sendo um dos principais pontos de desequilíbrio ofensivo da equipe. Na final contra a Croácia, em Moscou, balançou a rede em um dos momentos-chave da partida, tornando-se um dos poucos atletas tão jovens a marcar em decisões de Copa. Aquele torneio estabeleceu a imagem de Mbappé como sucessor natural de grandes astros da geração anterior e como símbolo do futuro da seleção francesa.
Como foi a atuação de Mbappé na final da Copa do Mundo de 2022?
Quatro anos depois, no Catar, o atacante retornou ao Mundial em um patamar diferente, já visto como referência incontornável da França. Na Copa do Mundo de 2022, a campanha francesa terminou com o vice-campeonato, mas a atuação de Mbappé, especialmente na decisão contra a Argentina, foi registrada como uma das mais marcantes da história do torneio. Naquela final, o camisa 10 anotou três gols no tempo regulamentar e na prorrogação, além de converter a cobrança na disputa por pênaltis, mantendo a equipe viva até o último momento. O desempenho reafirmou seu status de protagonista absoluto em jogos de grande pressão.
A combinação entre o título em 2018 e a performance de 2022 faz com que Mbappé seja frequentemente citado em análises sobre os principais jogadores de Copas do Mundo do século XXI. A participação em duas finais consecutivas, com um gol em uma e um hat-trick na outra, representa um recorte estatístico raro na história das seleções. Com isso, a marca de 100 jogos pela França ganha peso adicional, pois está diretamente associada a campanhas profundas em torneios globais e a decisões disputadas em alto nível.
Por que os 100 jogos de Mbappé pela França têm peso histórico?
Ao atingir o centésimo jogo, Mbappé também reforça sua trajetória como artilheiro da seleção. Desde as primeiras convocações, manteve média de gols elevada e presença constante entre os principais marcadores em Eliminatórias, Eurocopas e Mundiais. O acumulado de tentos ao longo dos anos o projeta entre os maiores goleadores da história da equipe, mesmo ainda em idade considerada de auge físico e técnico. Essa combinação de jogos e gols sustenta a percepção de que o atacante se consolidou como referência ofensiva duradoura, e não apenas como fenômeno de curto prazo.
A liderança precoce é outro elemento que se destaca na passagem de Mbappé pela seleção francesa. Ainda jovem, assumiu papel central em campo e nos bastidores, participando ativamente das decisões táticas e se tornando uma das vozes mais ouvidas do elenco. Em diferentes competições, apareceu como capitão ou como figura de apoio ao capitão, demonstrando influência sobre jogadores mais novos e também sobre atletas mais experientes. O peso simbólico do número 10 nas costas foi acompanhado por responsabilidade na construção de um ambiente competitivo e, ao mesmo tempo, coeso.
O impacto imediato em grandes competições ajudou a acelerar esse processo de liderança. Já nos primeiros torneios, Mbappé somou gols em fases de mata-mata e contribuiu para vitórias decisivas, o que naturalmente aumentou sua relevância na hierarquia interna da equipe. Em partidas de Eurocopa, Liga das Nações da UEFA e amistosos contra adversários de alto nível, manteve padrão de atuação acima da média, marcando ou participando diretamente de jogadas importantes. Essa constância explica por que, ao chegar à marca de 100 jogos, o atacante é tratado como peça central de qualquer planejamento esportivo da França.

Na transição de gerações da seleção francesa, Mbappé ocupa posição estratégica. O período pós-2018 foi marcado pela saída gradual de alguns líderes da era anterior e pela chegada de jovens talentos formados em centros de excelência do futebol francês. Nesse cenário, o camisa 10 funcionou como elo entre os remanescentes do título mundial e os novos convocados, ajudando a manter um padrão competitivo e evitando quedas bruscas de rendimento coletivo. Em campo, sua presença oferece segurança tática e poder de decisão; fora dele, contribui para consolidar a cultura esportiva construída sob o comando de Deschamps.
Com 100 partidas pela França, o legado de Mbappé ainda está em construção, mas já reúne elementos que costumam ser associados a jogadores históricos: participação decisiva em finais de Copa, números expressivos de gols, impacto em mais de uma geração e protagonismo em momentos de alta pressão. A continuidade dessa trajetória dependerá de fatores como condição física, adaptação a novas funções táticas e manutenção da competitividade da equipe nacional. Até aqui, porém, a marca centenária serve como referência clara do peso que o atacante tem no projeto esportivo francês e no panorama do futebol internacional.
